Sou um animal político. Todos nós somos, à medida em que realizamos os cálculos que nos levarão a um objetivo único ou coletivo. Admitir este fato é o primeiro passo para melhor entender a sociedade à nossa volta.
A comunidade que se organiza para brigar por saneamento básico, age politicamente. A pessoa que procura obter um bolsa-família, também. O trabalhador que procura se sobressair por eficiência e mérito, também. O estudante que "passa cola" e o que não passa, são animais políticos. O empresário que reduz custos e o que os transfere para os preços, idem. Os motivos são diferenciados, o método é único. Política é o ofício de se situar, de se colocar em uma linha de atuação, seja pessoal ou coletivamente.
Sendo todos nós seres políticos, ainda assim nutrimos um especial desprezo pela atividade, como se a mesma fosse sempre baixa e suja. Mas não é; faz parte de nós, então é boa ou ruim de acordo com o resto do que nos forma.
Historicamente, nosso Congresso rejeita atuações políticas alinhadas à seriedade de propósitos. E historicamente sua atuação serve como pauta de análise das outras Instituições políticas nacionais e assemelhadas na função (Assembléias e Câmaras Legislativas).
O que surpreende a muitos é descobrir que o Congresso Nacional, por exemplo, discute temas de grande maturidade. Vou citar dois exemplos:
Orçamento impositivo: O dinheiro público, arrecadado de nosso suor, não passa pela prostituição de emendas. Quase sempre, estas emendas são apenas um meio eficiente de formar o palanque futuro de muitos parlamentares. O benefício social é menos visado que o benefício pessoal do político, o que gera uma distorção inaceitável numa sociedade que se pretenda justa. O benefício de um não pode ser mais importante que o benefício de muitos.
No Orçamento Impositivo, o que se decide aplicar é aplicado, mediante estudos prévios que garantam a importância social e a eficácia gerencial das obras e serviços que o povo receberá. É a ferramenta orçamentária adotada por muitas nações mais educadas.
Unicidade Cameral: Outra discussão importante visa unificar a Câmara e o Senado. Para efeito de funcionamento do Poder Legislativo, parece uma discussão menor. Mas não é. Porque se for aprovada, pode gerar economia aos cofres públicos. Trata-se de uma questão mais complexa, que não pode ser traduzida em poucas linhas. Abordarei mais tarde, para clarear e fomentar discussões. Por enquanto, fica o registro de que a discussão existe e pode trazer benefícios reais ao Brasil e a nós, pagadores de impostos.
Mesmo eu confesso alguma surpresa, em relação a este Congresso que busca se melhorar e evoluir. O senso comum nos joga para o chute no balde, quando o assunto é Congresso Nacional. E com uma dose de razão, convenhamos. Mas é bom saber que o paciente toma conhecimento de sua enfermidade, e busca auxiliar no tratamento com suas próprias (ainda que tímidas) forças.
Agenda Oculta? Se até o Congresso Nacional não é só o que aparenta ser, imagine o resto do Brasil. Agora pare de imaginar e procure informação mais qualificada, lembre-se de que uma fonte é igual a uma visão. Pode não ser a sua... E ainda pode enxergar de um lado só.
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