Hoje é dia devagar.
De vagar com rumo.
De vagar com sonho.
Devagar se sonha.
Hoje é Domingo.
Dia de vagar.
Devagar se encontra.
De vagar com quem se gosta.
Hoje é devagar.
Porque de vagar se vê.
De vagar se vive.
Devagar se constrói.
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domingo, 10 de abril de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Augusto dos Anjos
O LAMENTO DAS COISAS
Triste, a escutar, pancada por pancada,
A sucessividade dos segundos,
Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos,
O choro da Energia abandonada!
É a dor da Força desaproveitada
— O cantochão dos dínamos profundos,
Que, podendo mover milhões de mundos,
Jazem ainda na estática do Nada!
É o soluço da forma ainda imprecisa...
Da transcendência que se não realiza...
Da luz que não chegou a ser lampejo...
E é em suma, o subconsciente ai formidando
Da natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo!
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Poema de quem viu mortos demais em tempo de menos
Destino de boi é bife
destino de bala é rifle
meu destino seu destino
se resume ao esquife.
Destino de língua é corte
destino de vida é sorte
meu destino é o de Jorge:
ser menos fraco que forte.
Destino de rua é medo
destino de fala é segredo
meu destino é ancestral
viver muito e morrer cedo.
destino de bala é rifle
meu destino seu destino
se resume ao esquife.
Destino de língua é corte
destino de vida é sorte
meu destino é o de Jorge:
ser menos fraco que forte.
Destino de rua é medo
destino de fala é segredo
meu destino é ancestral
viver muito e morrer cedo.
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segunda-feira, 15 de março de 2010
Testamento
O que vou deixar de herança
é o que nunca foi só meu
foi do mundo e da beleza
residentes nos meus olhos.
Deixo o sol de fim de tarde
o laranja sobre o verde
para quem quiser curtir
um nascer de lua nova.
Deixo um par de filhos lindos
que sempre foram do mundo.
Deixo uma pá de saudades
abrangendo quase tudo.
Deixo uma dívida grande:
os abraços que neguei
as mãos que eu recolhi
Árvores que não plantei
na orla daqueles mangues
dos mares que eu nunca vi.
Deixo o que não posso levar
e que, no universo, é quase nada.
Levo lembranças
e incertezas e um sabor de saudades.
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domingo, 14 de março de 2010
Miniabismos
da realidade
é a vontade.
O que separa a ideia
da realização
é a ação.
O que separa
o futuro do destino
também separa o homem
do menino.
O que separa a
voz do violão
é só a mão.
O que separa a paz
da guerra é o que
separa as pás da terra.
O que separa tudo,
enfim, é o mesmo
que separa o talvez
do sim.
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filosofia barata
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Boca do Inferno faz muita falta
"...A ignorância dos homens destas eras
Sisudos faz ser uns, outros prudentes,
Que a mudez canoniza bestas feras.
Há bons, por não poder ser insolentes,
Outros há comedidos de medrosos,
Não mordem outros não - por não ter dentes.
Quantos há que os telhados têm vidrosos,
e deixam de atirar sua pedrada,
De sua mesma telha receosos?
Uma só natureza nos foi dada;
Não criou Deus os naturais diversos;
Um só Adão criou, e esse de nada.
Todos somos maus, todos perversos,
Só nos distingue o vício e a virtude,
De que uns são comensais, outros adversos.
Quem maior a tiver, do que eu ter pude,
Esse só me censure, esse me note,
Calem-se os mais, chitom, e haja saúde."
(Gregório de Mattos Guerra)
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Falta de vergonha na cara
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
O Gustavo Oculto
20h00 - Judith liga para Célio: - Adivinha quem estava no lançamento do livro?
Célio - Dá uma dica, é tanta gente...
Judith: - Adivinha!
Célio: - É de qual área? Polícia, Educação, políti...
Judith: - Gustavo!!!
Célio: - Viu? Era só dizer que era da política e eu tinha adivinhado...
Judith: - Ele comprou um punhado de livros!!!
Célio: - Que bom, o Diogo merece!
Chega de transcrições. O lançamento é o livro "O Pé Pirado" de Diogo Ventania, que ocorreu no Colégio Cônego Higino na noite de hoje. Judith conhece mais o autor que eu, é claro, por isso me telefonou tão surpresa e entusiasmada.
Primeiro porque o livro, realmente, é muito bom. Merece figurar em qualquer editora de grande porte. E faria bonito se figurasse.
Segundo, porque o autor foi à luta. Não esperou um Bolsa-editora da vida. Nem guardou as esperanças num baú imaginário, para daqui a alguns anos chamar a vida de injusta.
Mais Diogos Ventania para Monlevade, por favor...
Terceiro, cabe a nós fazer a diferença. Valorizar o que é tão nosso quanto do Diogo. O trabalho e o estado de arte, que se concentram no livro, devem ser motivo de orgulho genuíno para cidade. Agora, é comprar todos os exemplares possíveis. Custa pouco, representa demais.
Meus poucos leitores podem me ajudar. Façam boca a boca (propaganda, espertinhos!) liguem para a Jaqueline perguntando quando ela terá os livros para vender na República Literária, quem sabe a Enscon não cria o Livro a Bordo (os cobradores poderiam vender, não é?), os supermercados podem receber alguns exemplares, os jornais e rádios podem divulgar... O céu é o limite.
Numa Monlevade que não tem pejo de dar errado, quem sabe a carreira de escritor do Ventania não dê certo? Merecer, ele merece e muito. Judith ficou com 3 livros. Se cada família monlevadense que pode, ficar com um só, Diogo venderá todos. E poderá investir num segundo livro, num terceiro... O céu é o limite.
Gustavo? Fez mais que a parte dele. Estou me adiantando porque, talvez, ele não permita outra divulgação. Nestes pequenos grandes gestos, mora o Gustavo que eu conheço há pouco tempo, e respeito muito pelo caráter. É o Gustavo oculto, aquele que fez campanha e visitou a cidade. O Prefeito está ocupado demais, ainda, e pode não ser tão querido pela população, ainda.
Mas estes dois, Diogo Ventania e o Gustavo Oculto, são vencedores natos. Oxalá haja iluminação e brio no caminho dos dois. Sempre.
Precisamos dos dois. Do escritor pela arte, que dispensa qualquer outro comentário. Do Prefeito pela determinação e vontade, porque precisamos andar, um pouco que seja, em direção ao nosso futuro.
Parabéns, Diogo! E vocês, que acompanham este espaço humilde, às compras!!! Depois me mostrem as dedicatórias, para eu saber que cada um comprou um livro, certo?
Um abraço!
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João Monlevade
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Torpedo ao poder
À vós,
a voz.
À nós,
há nós.
Há anos.
a voz.
À nós,
há nós.
Há anos.
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