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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Anexo para 11?

Fui o primeiro a defender a atuação do vereador Carlos Lopes na cidade. Vasculhem por aí e acharão o motivo. Era justo e necessário defendê-lo.

Agora, é injusto defender a construção de um anexo para a Câmara Municipal, somente porque ela receberá uma superpopulação de um vereador a mais. A menos que o eleito adicional traga uma legião de assessores e um gabinete muito musculoso, o gasto vai contra tudo o que se vem pregando à sociedade ultimamente.

Vamos ver seu eu entendi: 15 vereadores iriam estourar as sadias contas do Município, certo? Qualidade é melhor que quantidade, certo? Economia é gestão eficiente, certo? Ouvir o povo é fundamental para a Democracia, certo? Mudar de ideia é transparecer um espírito dialogador, certo?

Tá. Então não entendi nadica de nada.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

"O mundo mudou, e nós com ele..."


Frase definitiva de Dilma Rousseff sobre seu atual partido. Tudo a ver, mesmo na esfera local. As ferramentas de torção democrática são as mesmas. Os "movimentos sociais" que se alvoroçam em coletar assinaturas para manter o parlamento local com dez nomes (ou com onze, a prevalecer alguma lucidez) e com a manutenção de voto do Presidente da Câmara, estão caladinhos como moita de couve com relação a dois outros assuntos bacanas:

- Vai haver coleta de assinaturas a favor da venda de áreas pertencentes ao povo de João Monlevade?

- Vai haver coleta de assinaturas para defender a construção de mais um prédio para a Câmara Muncicipal, mesmo se a proposta de redução do número de vereadores (15 para 10 ou para 11) for aprovada?

Com a palavra, os afoitadinhos "movimentos sociais", que só mostram a cara quando o assunto interessa a poucos escolhidos do "regime".

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Comunicação de qualidade

Não represento órgão de imprensa, não sou jornalista, não me considero formador de opinião e não tenho qualquer interesse em usurpar nenhuma dessas funções sociais importantes. Entretanto, frequento o limiar do que seria o universo de comunicação na cidade. Algo como um satélite de luxo, já que o Drops é lido justamente por quem acaba formando opinião pública entre um segmento que existe: o de monlevadenses que não delegam a outros a tarefa de pensar.

Canso de receber comunicados inócuos, sobre um aperto de mão que aconteceu aqui, uma obra que está pronta para sair do papel acolá, sobre um prêmio que será destinado ou recebido ali mais além, etc. Simplesmente ignoro e mando às favas, porque não usurpo o papel de ninguém.

Mas nunca recebi nada importante para ser analisado, o que me faz criticar com extrema facilidade - basta emitir a minha opinião - e elogiar com extremo sacrifício pessoal, porque tenho que fazer toda a pesquisa prévia sozinho, para enfim manifestar o que penso de forma positiva.

É óbvio que um dos trabalhos mais importantes de uma Assessoria de Comunicação é facilitar o trabalho de quem queira elogiar, de forma justa, a Instituição que ela representa. Trata-se de estratégia rasa.

Para a situação de litígio atual entre a PMJM e o Sintramon, por exemplo, não recebi nenhuma documentação fundamental que ampare os argumentos apresentados em sua totalidade. Por um lado a PMJM quer ou não revogar a Lei 920/89? Se sim, baseada em que novos princípios norteadores de política remuneratória para estes profissionais? Serão avanços ou retrocessos que estão sendo propostos?

Por outro lado, o Sintramon não me enviou uma tabela maciça de vencimentos básicos e seus quantitativos de ocupantes dos cargos (P1 a P6), para que eu tivesse hoje a correta dimensão de quantos professores recebem ou não o Piso nacional de Salários.

É óbvio que nem a PMJM nem o Sintramon tem a mínima obrigação de me informar estes dados. E é mais óbvio ainda que não sou interlocutor nesta questão. O que me pergunto é como o universo da discussão política pode se degradar a ponto de não haver o esforço para obtenção de aliados no debate, que é sério e que afeta de forma brutal grande parte da população monlevadense.

Resumir é para arrivistas. É fácil dizer que pais e alunos estão prejudicados, é fácil dizer que professores são algozes (ou vítimas) nessa questão, é fácil dizer que o Poder Público é inerme (ou correto) em adotar suas medidas.

O que se torna difícil é manter um nível elevado de comunicação, quando as estratégias estão difusas e o embate superou os limites do debate. Não gosto da Monlevade que se recusa a ser mais preparada para enfrentar este tipo de questão, até porque a dinâmica da Democracia prevê estes momentos com relativa frequência.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Nem seu, nem meu

Muito pelo contrário!!!

Este é o triste recado que a Câmara Municipal de Nova Era encaminhou à região inteira, no mês passado. Eu confesso que tinha me omitido de comentar, considerando que não sou o mais qualificado para isso. Entretanto, como ninguém mais se interessou também e hoje eu li uma matéria no jornal A Notícia, veio a vontade de dizer o óbvio: a Câmara de Nova Era representou muito bem o papel dos perfeitos idiotas latino-americanos.

Fatos: Nova Era tem um aparelho de RX novo e do qual não precisa. Nova Era tem clientes da área de saúde que encaminha ao Hospital Margarida. O Executivo de Nova Era tentou transferir o aparelho para o Hospital que atende a clientes de Nova Era, mas só que aqui em João Monlevade. A Câmara Municipal de lá rejeitou a proposta.

Resumo: nada é mais impressionante que a imbecilidade em ação. Mesmo quando é adotada por pessoas intelectualmente capazes. E permanece, firme como o rochedo de Gibraltar, a incapacidade de muitos dos nossos políticos em pensar os temas públicos principais de forma regionalizada. Cada umbigo politiqueiro tem o seu neon próprio e o umbigo do povo que se vire no frio e no escuro.

Mas nós todos merecemos. Nós votamos neles. E vamos votar de novo, porque brasileiro é brasileiro e não aprende nunca!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Comentário de Leitora

Pois é,meu amigo,e você falando em capina,entulho,etc,ontem,por volta de 10 da manhã,no cruzamento da rua santa luzia com com alberto scharlé,um pouquinho mais abaixo,meu sogro,com 58 anos,caiu num esses buracos da cidade,e ficou com o pé preso.Um vizinho o ajudou se levantar e ele foi pra casa mancando.Detalhe,precisou ir para o hospital Margarida,ficando lá por horas até ser atendido,quebrou o tornozelo,está sendo medicado em casa para se internar no sábado ás 7 da manhã,para fazer uma cirurgia.E aí,quem arca com as despesas?E a tristeza dele não poder participar do casamento do próprio filho no sábado?E a minha tristeza de não tê-lo perto nesse dia já que não tenho pai?Pois é,essas e outrs perguntas não tem resposta.Ela que é um homem ativo ,participa das caminhadas com o Wir Caetano do Mato a dentro,vai ficar um bom tempo de molho.E aí? Não conseguimos adiar o casamento...bem,vamos ver o que mais acontece,até,que alguém tome uma atitude quanto á esses buracos fantásticos que Monlevade tem.Só pra constar,eu estava acabando de chegar em Monlevade ontem de manhã,quando ocorreu esse fato!Tinhamos acabado de pegar essa Br terrível e dando alívio e graças á Deus ,por chegarmos todos bem.Pois é meu sogro,paciência!!!
21 de julho de 2011 09:30

O comentário foi enviado pela leitora Cláudia Batista, que sempre visita o blog, e me deixou muito entristecido. Em primeiro lugar porque a coincidência deixou claro que somos, sim, cidadãos abandonados. No Brasil inteiro, é bom lembrar. 
Em segundo lugar, porque existe uma pequena parcela da população - em qualquer cidade - que busca seus direitos mínimos. Porque esta pequena parcela cumpre com seus deveres mínimos, e reciprocidade revela humanidade.
Vou tentar responder à pergunta da Cláudia sem ofensas e com rigor lógico. Quando alguém se fere por um buraco na calçada, o morador da residência a que a calçada pertence pode ser responsabilizado pelos prejuízos, bastando ficar comprovado que por sua ação ou omissão é que o acidente aconteceu.
Quando o buraco está na via pública, o Poder Público é responsável por arcar com estes prejuízos de forma automática. Isto se chama responsabilidade objetiva, isto é, o Poder Público não possui a prerrogativa de eximir-se da culpa. Aconteceu, ele é responsável. Porque somente o Poder Público tem o dever de manter a propriedade pública sempre em boas condições de uso e de funcionamento.
Por isso alertamos sempre sobre o quanto o ato de governar envolve responsabilidades sérias, que devem ser encaradas com seriedade e competência. Dinheiro público é sempre farto na arrecadação e sempre escasso na aplicação, daí que os grandes gestores sabem como aplicá-lo em prioridades e os gestores medíocres aplicam-no em frivolidades e projetos pessoais mesquinhos.
Deixo claro que a realidade de gestão monlevadense é ruim há tempos. Que a realidade de gestão no Brasil é ruim há tempos. Mas este evento aconteceu aqui e agora, num momento em que nossa realidade de gestão é a pior que já vi em minha vida.
Eu lamento o acidente, Cláudia, pelo seu sogro e por vocês todos, e recomendo buscar a solução dialogada com o responsável (proprietário do imóvel ou Prefeitura, conforme o caso) para que a família não tenha prejuízos financeiros ao lado dos prejuízos emocionais já causados. E ainda pode-se buscar a Justiça pelo Poder Judiciário, caso o diálogo se mostre impossível.
E vamos continuar tentando fazer de nossa cidade e nosso país um lugar mais digno para que a gente possa sobreviver. Porque viver já está se tornando uma utopia.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O "Efeito Neymar"

Vamos continuar o nosso papo unilateral (rsrs) sobre a coerência? Que tal pegarmos como exemplo o jogador de futebol Neymar, do Santos Futebol Clube?

Primeiro, não considero o Neymar um candidato natural a ídolo brasileiro. Longe disso. Compará-lo a Pelé é uma temeridade pela diferença de épocas e de talentos, embora seja perfeitamente natural pela calhordice. Ambos se atrapalharam no quesito da paternidade responsável.

Compará-lo a Ayrton Senna é uma temeridade ainda maior. Senna reinou entre gigantes, enquanto Neymar está rodeado de pernas de pau (com raríssimas exceções). Sobressair em meio ao lamaçal é fácil. Difícil é fazer como Senna, que brilhou entre muitos diamantes.

Porém, uma coisa é necessário dizer em relação à Neymar. Ele funciona. Ele entrega o que promete. Ele traduz com resultados aquilo que antecipa com conversa que parece fiada. Por isso sua arrogância irrita e é desnecessária, mas não tem como ser arrasada pela crítica sem fundamento.

Neymar é arrogante? É. Neymar é mimado? É. Neymar tem resultados abaixo da arrogância e do mimo que recebe? Não.

E isso encerra a minha discussão sobre Neymar. Posso não gostar dele até o fim de sua carreira, mas até aqui tenho que tirar o chapéu para os resultados que ele produz. E ponto final. Ou Neymar se transforma num medíocre ou não vou mais falar mal dos seus resultados.

João Monlevade precisa do "Efeito Neymar". Eu, que adoro este lugar e esta terra, gostaria que tivéssemos um Neymar ainda melhor que o original. Quer tivesse o talento monstruoso e a humildade monstruosa juntos num só corpo, para bem cuidar de João Monlevade.

Por outro lado, eu me conformaria em ter um Neymar idêntico ao do Santos. Que tivesse um talento monstruoso, com resultados fáceis de comprovar, mesmo que tivesse um temperamento de dar nojo em qualquer um. O sacrifício de aguentar o entojado seria compensável pelos bons resultados na equação final.

A tudo isso que escrevi, aplica-se o conceito da coerência.

Incoerente é termos um Neymar de araque, que joga como o Marcelo Nicácio, entrega resultados de dar ódio a qualquer amante do bom futebol, e ainda é tão arrogante quanto o original do Santos. Claro que o Neymar de araque tem chiliques de verdade, porque se acha. É incapaz de ver no longo alcance. E tem uma cortina de fantasia na frente dos olhos e por isso, mesmo no curto alcance, o que ele enxerga ninguém mais vê.

Contra a incoerência, não há remédio. Nenhum analista, nenhum conselheiro, nenhum amigo, nenhum adversário, enfim nada poderá levar um pouco de sabedoria e humildade a quem é, por natureza e vontade, incoerente entre o que promete e o que tem condições de cumprir.

Este é o nosso maior problema, enquanto corpo de cidadãos, para enfrentar em João Monlevade. Procuramos, procuramos, e não vemos nada do que é afirmado existir. Vemos o contrário, mas aí aparece alguém para dizer que trinta mil olhos estão errados e apenas vinte deles estão corretos.

Acredite quem quiser. Eu vou torcer para que a coerência surja e que o "Efeito Neymar" se estabeleça em João Monlevade. Do jeito certo, em que um craque de verdade esteja no comando das coisas. Mesmo com um temperamento muito ruim.

E para encerrar, eu acredito também é naqueles trinta mil olhos.

Culto à coerência

Conforme prometido (ou ameaçado, depende de quem interpreta) ontem, a Sexta-Feira inicia uma pequena série de artigos no Drops, que vão tratar da coerência. Vamos tentar primeiro delimitá-la:

Coerência s.f. União das diversas partes de um corpo.
P. ext. Ligação, conexão, de um conjunto de idéias ou de fatos, formando um todo lógico.

O ponto crucial de nossa análise, para o atual momento de João Monlevade, descarta a existência dela (a coerência) em nossa esfera governamental. Primeiro porque a união das diversas partes não existe neste corpo, e pronto. Os pedaços não dialogam entre si exceto, talvez, para tentar o estelionato reciproco. Quanto um corpo se debate em pequenos golpes contra si mesmo, a sua chance de sobrevivência é muito pequena.

Por extensão, inexiste a conexão de um conjunto de ideias ou de fatos, formando um todo que seja lógico. Defino o atual governo com palavras que Alan Greenspam (Ex presidente do FED americano) tornou eternas: "Trata-se de uma exuberância irracional."

É isso. Nosso governo teima em se mostrar exuberante, de uma forma que muitos de nós consideram irracional. Porque não há a mínima parcela de coerência entre o que é dito que aconteceu e o que nós vimos como aconteceu.

Por ser o primeiro texto de uma série, não vamos nos aprofundar em detalhes. Vamos apenas relembrar um fato. Incoerente, claro, como é de acontecer com nosso governo local.

Trata-se da questão das áreas públicas sob permissão de uso. A Prefeitura Municipal, que é grileira de área que não lhe pertence para fazer funcionar sua sede, tomou dores de paladina da moralidade. Faltou coerência em níveis abissais, porque o ato era correto, porém adotado por quem agia incorretamente em questão idêntica.

Veremos se o terreno onde se situa a sede da Prefeitura Municipal de João Monlevade, que pertence à Caixa Econômica Federal, vai passar pelo mesmo método de retomada que a Prefeitura utilizou anteriormente em relação às áreas públicas do município.

Aí ficará mais simples a gente retomar nossa conversa sobre a coerência, ou a falta dela, no correr de uma vida.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Amanhã no Drops

Vamos bater um papo bem esclarecedor sobre duas coisas fundamentais: a coerência e a Nêmesis (Lei do Retorno em outro molde). Porque ambas andam de ombros colados, equivalendo em drama e destruição de muitas almas que se pensavam boas.

Geralmente as Sextas deveríamos nos ocupar de assuntos mais divertidos e leves, mas como hoje faltou conteúdo no Drops, que seja na Sexta-Feira a enxurrada. Serve para lavar algumas almas que julgávamos boas...

terça-feira, 28 de junho de 2011

Blogueiro também não é Ofélia

Vocês se lembram da Ofélia, aquela personagem que falava uma abobrinha atrás da outra? Pois é. Depois de esclarecer que os blogueiros não são a reinvenção da roda nem a salvação da lavoura, vou defender a classe também.

Uma pesquisa criteriosa, feita em todos os blogs de João Monlevade, revelará muito ouro em meio ao cascalho. Análises, ideias, projetos, sugestões, críticas, difusão cultural, notícias e notas, jornalismo, artesanato, humor...ufa! Há de tudo ao alcance do mouse.

Uma ou outra bobagem, no meu caso, eu admito. Ninguém é perfeito. E só posso falar em meu nome e em nome do espaço que ocupo. Mas tenho a sensação de produzir um bom material de consulta e um lugar de diálogo e de debate saudável.

Não sou Ofélia. Penso que nenhum dos meus colegas de rede é uma Ofélia. Não somos os salvadores, é certo, mas nenhum de nós fez o rombo no casco. Só estamos avisando para a grande quantidade de água que está passando pelo buraco e adernando o navio.

O que fazer depois disso pertence à esfera de competência (ou falta dela) do capitão.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Prefeitura JM x Professores

O título já começa equivocado. Seria Brasil x Professores, uma vez que esta brava categoria está no centro das atenções de todo o país. Deveria estar sempre e por méritos, não com a tentativa infeliz de transformá-los em bodes expiatórios para os muitos fracassos do Brasil.

Os professores estão no centro é da única alternativa que livrará o país de fracassos no futuro próximo. Mas não é isso o que estamos observando, infelizmente.

Para nossa cidade, evitarei qualquer outro comentário até conhecer melhor o alcance do que se está, efetivamente, discutindo. Até porque dependo da mesma qualidade de informação que chegará ao público leigo, porque é ele que faz diferença. Não eu nem os demais atores sociais que Monlevade possui.

Imagino que a discussão em nossa cidade esteja emperrada pelo mesmo motivo que emperrou no país todo, ou seja: definir o que é vencimento básico e o que é Piso Nacional de Salários para os professores. O Supremo Tribunal Federal já emitiu o entendimento de que vencimento básico tem que ser o Piso Nacional de Salários, e pronto. O resto é cumprir a determinação legal. Há detalhes a considerar, mais à altura dos colegas Operadores do Direito do que do meu pouco conhecimento na área, mas o resumo é este.

Coloco-me à disposição de qualquer das partes interessadas para ajudar a esclarecer os pontos de divergência junto à população. Imagino que todos (imprensa, blogueiros, Prefeitura, Educadores) tenham o mesmo ideal nobre. 

Mas precisamos evoluir para além de inundar as rádios com "Comunicados" ao povo, em que as informações primordiais ficam de fora. João Monlevade precisa avançar além deste ponto, já velho conhecido de todos. Por isso não emiti opinião alguma, para não ser injusto com ninguém.

O vencimento básico do Educador em João Monlevade está de acordo com o entendimento do STF? Há legislação a ser promulgada para adequar a situação? Já foi regulamentada a condição de financiamento, prevista para os que provarem que não possuem capacidade financeira de absorver o impacto nas contas públicas?

São estas e outras dúvidas que precisam ser traduzidas para a população em geral, de maneira a que ela não tenha que eleger um demônio a exorcizar. O único que precisamos exorcizar é o demônio da ignorância.

terça-feira, 21 de junho de 2011

TRT divulga orçamento de Monlevade para 2011

Agora o Poder Judiciário lança alguma luz sobre o assunto. Finalmente ficamos sabendo, através do TRT, que o orçamento do município para 2011 (realista) é da ordem de 128 milhões de reais. Aquele, de 152 milhões, era só para não perder a oportunidade de mascarar a realidade mais uma vez.

Este é, sem qualquer sombra de dúvidas, um governo que mente pelo simples prazer de ver a adrenalina correndo nas veias. Só pode!

Mais tarde vou comentar sobre o fim da greve dos servidores municipais. Uma derrota, sem dúvida. Mas cada um deles vai sair do episódio com mais caráter na sola do sapato do que a parte "vencedora". Eis o mistério de viver em João Monlevade nos dias atuais...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Mais da Câmara Municipal

Com ou sem crucifixos, a Câmara Municipal trabalha com o que tem: público desinteressado e omisso, mas com opinião formadíssima sobre o que ela não faz e sobre o tamanho que deveria ter. Muito lindo, se o público tivesse a mínima ideia do que a Câmara produz e sobre o que é a real discussão sobre o tamanho da Câmara.

A produção de audiências públicas, trabalhos e discussões temáticas vai muito bem, obrigado. Mas poucas pessoas se interessam em procurar saber. A produção parlamentar está aquém do ideal, mas isso não vem da Câmara em si mesma. Vem da subserviência exagerada ao executivo, que campeou em Monlevade por um bocado de tempo.

Daí minha reflexão de agora: desligar-se da imagem de um Executivo desgastado é necessário mesmo. Mas é também fácil. A lição que precisa se consolidar é a de desligar-se de um Executivo forte, cuja mão de ferro se abata o tempo inteiro sobre um dos três poderes da Democracia, sem o menor pudor e vergonha.

Esta é a maior discussão sobre o número de vereadores. Sem aumento de despesas, o maior número deles dificulta a tomada de assalto deste Poder, que deveria ser independente de direito e de fato. Sem refletir sobre a maior abrangência de comunidades representadas no Plenário e nos trabalhos-fim que a Câmara Municipal desempenha. Mai comunidades representadas significa que mais segmentos da sociedade serão representados.

Se serão bem ou mal representados, esta discussão cabe ao povo e às urnas. A avaliação cabe ao eleitor, não aos estudiosos do sistema.

No momento em que nos encontramos, recuperar a força do Legislativo é garantir que algumas coisas jamais se repetirão como as vimos antes. Parece um preço social barato demais para ser ignorado.

"O Governo sou eu"

Em se tratando da cúpula administrativa municipal, quase tudo é dúvida. Ou dívida. Ou uma mistura mal engendrada das duas coisas. Os analistas sérios da cidade não conseguem explicar o fenômeno da implosão política, que observamos acontecer nos últimos 30 meses. Eu também não consigo, mesmo não sendo um analista sério.

O que posso fazer é tentar clarear o que chamo de dúvida. Ela nada mais é que uma ferramenta de trabalho, voltada para manter agregados (uma vez que esta cúpula administrativa demonstrou incapacidade plena em fazer aliados) sempre sem saber que rumos o barco irá tomar.

A dívida é mais ampla. É dívida financeira, mas o pilar da dúvida mantém seu volume em sigilo de Estado. É dívida ética, porque mantém os agregados e a população inteira sem a devida prestação de contas do que seria um Governo no qual acreditar e para o qual torcer.

No passado, sugeri que era a hora de passar um trator sobre o terreno acidentado em que se sustentava este projeto político. O fato não se consumou. Continuo afirmando que a única solução de resgate da dignidade para as pessoas envolvidas com o projeto político em pauta é a passagem do trator, mas isso não acontecerá.

Sugeri, no passado, que era hora de tomar as rédeas e governar, já que foi esta a intenção manifestada nas urnas. Igualmente não houve esta tomada de decisão enérgica e com objetivos claros.

Para aumentar ambas, dúvida e dívida, toma-se agora as rédeas para demonstrar força. A troca de Assessoria de Governo, ocorrida na Prefeitura Municipal, é matemática de Plutão. Troca-se seis por meia dúzia, tentando sinalizar um novo norte. Para um conjunto de agregados que não tem bússola (leia-se comando efetivo), que diferença fará para a cidade?

Não se pode, em nome da decência, avaliar desempenho de quem mal chegou. Espero que haja uma nova direção a ser seguida, mas não creio que esta realidade irá se instalar em João Monlevade. Porque a tomada de rédeas - para variar - ocorreu de forma equivocada.

O slogan de agora é: "o Governo sou eu". Já era o slogan implícito, há muito tempo. O que se faz agora é afirmar de forma sincera e para a sociedade inteira aquilo que tantos já alertavam: não houve, não há e nem haverá diálogo até que tudo isso acabe.

Nossa situação política atual parece um estupro: já que a humilhação, a dor e a revolta estão acontecendo, o que nos resta é rezar para que tudo acabe depressa.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Por que seria ilegal?

Vi no blog O Popular que o TRT declarou a legalidade do movimento grevista dos servidores de João Monlevade. Por tudo o que acompanhei, nenhuma surpresa. Apesar de não conhecer pessoalmente o Carlos Silva, Presidente do Sintramon, o que percebi foi sua postura ética e firme na defesa dos interesses legítimos da categoria. E ações pautadas pela busca da legalidade, o que é raro de se ver no Brasil.

Ilegal mesmo é promover assédio moral contra servidores, forçando-os a aceitar o inaceitável. É angustiante perceber que, das ideias e sonhos, dos projetos e esperanças, de tudo o que se passou por muitas cabeças bem intencionadas e que queriam o bem da cidade, pouco ou nada restou que escombros.

Há inocentes na máquina de Governo. Aliás, a maioria. Há também os guerreiros do cotidiano, lutando com unhas e dentes para que as coisas andem corretamente. O prêmio que recebem? Uma proposta de reajuste salarial que não cobre sequer a corrosão inflacionária do período em que aguardam uma ação, eficaz e afirmativa, da cúpula governamental.

Nada como o futuro para revelar identidades do passado.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Resistência digna

"Você vai ver quando precisar de mim."

Faço o registro de frase que teria sido dita pelo Prefeito a um vigia do Centro Educacional de João Monlevade, segundo matéria do Jornal Bom Dia de hoje.

É assédio moral. Para quem não conhece, é uma ameaça explícita ou velada, praticada em ambiente de trabalho, contra qualquer cidadão. Pode partir de superior hierárquico ou não, mas ainda é tipificada como conduta condenável.

Todo mundo precisa do Prefeito Municipal. É um pressuposto da ação em vida pública que os cidadãos deleguem responsabilidades de trabalho a ser bem feito, aos que coloquem seus nomes à disposição da sociedade organizada.

Fica o meu registro de incredulidade para o episódio. A fala, caso verídica, implica numa mensagem nada abonadora para o homem público envolvido. Ela diz, implicitamente: "Vou me esquecer de tudo o que me propus fazer para a sociedade monlevadense, e vou fazer o que me propus evitar, tratando você como um exemplo para os outros. Você irá para um tribunal de exceção, e será tratado como um pária, porque não atendeu o meu desejo individual."

Prefeito, seu cargo diz respeito aos desejos coletivos, enquanto o senhor o ocupar. Sugiro, humildemente, a lembrança desse norte até que o senhor readquira o direito de só pensar em seus interesses individuais. A figura do homem público tem que ser maior do que a figura do homem privado, desde que o sistema de vida social como a que conhecemos foi estabelecido no Ocidente, há mais de duzentos anos.

A propósito: aquele simples vigia tem uma vida que, à luz do que sabemos ser a cidadania, é tão importante como a minha vida, ou a vida do senhor mesmo. Para ser bem didático, a vida daquele vigia tem o mesmo valor intrínseco que vida de todos os habitantes do planeta.

O que muda, temporariamente, é o grau das responsabilidades sociais que nos comprometem.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Comentário do Leitor - "Greve em ótimo momento"

O movimento grevista está pautado pela legitimidade, e isso é irrefutável. Sou funcionário público e vivi situações ridículas em assembleias da era "Xerife". Certa vez, a massa contratada do setor que trabalho foi obrigada a votar a favor do aumento sugerido pela administração, onde pateticamente assistimos ao protesto dos comissionados defendendo com unhas e dentes a proposta da base governista. Os tempos são outros, hoje pelo menos podemos expressar nosso descontentamento sem medo de represálias da chefia, coisa inimaginável na administração anterior. Não estou defendendo o "Prandinismo", pois comprovadamente não foi capaz de atender à demanda da coletividade monlevadense. Acontece que foram equívocos políticos diferentes, e pela ótica de um servidor (pelo menos a minha) essa administração nos possibilita expressar o que pensamos sem viver a tortura psicológica de outrora.
7 de junho de 2011 11:23

Greve em ótimo momento

Preciso parabenizar o Sintramon. A organização de uma greve dentro dos parâmetros da Lei é uma atitude de dignidade e precisa ser reconhecida. Há tempos, movimentos grevistas eram pautados pela anarquia: parava-se de trabalhar e pronto. O Poder Judiciário declarava estas greves ilegais e colocava um fim à baderna.

Adotada como legítimo mecanismo de pressão e dentro dos limites estabelecidos em Lei, a greve dos servidores públicos de João Monlevade manterá a escala de serviços essenciais em operação. E aí reside a ótima notícia para todos nós.

Qual é o serviço essencial que não está funcionando há mais de dois anos? Isso mesmo, o serviço de efetivamente governar a cidade. Ele é o mais fundamental de todos. Portanto, com a greve, existe a remota possibilidade de que este serviço seja finalmente considerado essencial também pelo pelo governo, e passe a ser oferecido com qualidade para a população.

E tudo isso graças ao Sintramon, que escolheu o caminho da legalidade. Sem abrir mão dos seus direitos de dignidade, representados coletivamente. O único risco envolvido é de de que a Prefeitura aproveite a greve para se omitir de suas responsabilidades, mais uma vez. Eu não tenho estômago para ouvir que as coisas pararam de andar maravilhosamente, só por causa do movimento de reivindicação salarial dos servidores.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Questão de mineração

Aguardei passar a data por inteiro, para me manifestar depois que houvesse a opinião consolidada sobre o Dia da Imprensa. A surpresa? Além de pingados comentários e textos, nada. Nenhum alentado e apaixonado libelo de redenção.

Não pode ser assim. Não podemos viver como mineradores, explorando as jazidas sem sequer lembrar de agradecer as lavras, só levando da terra a riqueza que ela gentilmente produz e deixando um enorme buraco em troca.

A vida não pode ser mineração. Talvez deva ser como o extrativismo solidário: o que se leva da árvore em frutos, devolve-se em cuidado e atenção para que haja mais frutos para matar as muitas fomes.

As sociedades vivem com a necessidade de imprensa. Não dá para ser hipócrita e fingir que ela é um apêndice, só sendo valorizada quando inflama e incomoda. É uma Instituição viva, pulsante, ansiosa e aprendiz como tantas outras instituições que possuímos. É boa e ruim na mesma medida, como todos nós somos.

Então, por que o odioso preconceito de matéria? Se todos compreendemos o valor da forma, o conteúdo tem que ser respeitado. Por quem o produz e por quem o consome. Não dá para amar a imprensa quando o evento é seu e detestar a imprensa quando o evento não é. Amar a imprensa pelo elogio, mesmo que falso, e odiar a imprensa pelo puxão de orelhas, mesmo que imprescindível.

Uma nação não é livre, não tem escolhas, não tem caminhos e não tem futuro sem uma imprensa atuante e independente. Nós fabricamos as aberrações do sistema, não o contrário. Quer um jornal ou revista totalmente imparcial? Inunde-os de anúncios, seja parceiro comercial deles, sustente-os sem que os mesmos precisem mendigar à porta de uma assessoria pública de imprensa.

Porque há salários a pagar, contas a fechar, custos a cobrir. Como em qualquer atividade econômica séria, textos jornalísticos e reportagens não descem do céu ao som de harpas. Saem de intelectos que se prepararam, de impressoras que gastam papel caro e tintas também caras, movidas a eletricidade paga. Telefones são usados, veículos circulam à caça da notícia, redações se mantém abertas o ano inteiro.

Pois é. E quando alguém sucumbe à tentação de misturar espaço com opinião, nós somos os primeiros a exigir que este alguém devia optar por morrer de fome. Ou desistir. Imaginem a sociedade que emergiria se todos os batalhadores de imprensa desistissem.

Mineração? Pode ser boa para mineradoras. Para os seres humanos, é uma péssima ideia e um odioso sistema de vida. Fica o meu registro de parabéns a todos os que lutam por informar, do jeito que der. O filtro teremos nós que continuar fazendo. Até porque a imprensa não surgiu para ser o filtro do mundo. Nasceu para oferecer muito o que ser filtrado.

Deixo de citar nomes para não ser injusto. Mas sintam-se todos, profissionais da imprensa, homenageados por mim, quer tenha eu gostado ou não do conteúdo. Porque o trabalho de vocês não é pensar por mim. O trabalho de vocês é me fazer pensar um pouco mais.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

155 milhões de motivos

Para se penitenciar. Este é o número que representa a previsão de arrecadação municipal para o ano de 2011, apresentado pela Prefeitura. Minha opinião é a de que o número foi inflado intencionalmente, mas com que motivações só a cúpula governamental sabe.

Tenho meu palpite: com o valor total inflado, o valor do orçamento que pode ser alterado por vontade unilateral do Executivo fica mais alto. Imaginemos que o Prefeito possa cancelar rubricas orçamentárias e empenhar livremente o montante que resultaria dessa manobra. Aí saberemos um forte motivo para cair em tentação.

A suposição é de que até 20% das rubricas orçamentárias possam ser alteradas livremente pelo Executivo, em cada exercício fiscal. Vejamos um exemplo prático:

Num orçamento enxuto e razoável (120 milhões, por exemplo) o Executivo poderia movimentar livremente cerca de 24 milhões de reais. Nada mal, não é?

Com um orçamento inchado, mantendo-se aqueles 20% livres, o valor que poderia ser utilizado salta para 31  milhões de reais. A diferença é brutal, porque estamos falando de sete milhões a mais para a livre movimentação do Gabinete.

O que - à esta altura o governo sabe - empaca o jogo é que previsão orçamentária não é dinheiro. É expectativa de dinheiro apenas. E quem gasta pela expectativa vira devedor da realidade. Agora é explicar com toda a dificuldade do mundo, para as pessoas mais simples, porque os 155 milhões de reais não irão aparecer em prestação de serviços.

Resumindo: serão mais 155 milhões de motivos para se arrepender pela falta de diálogo e de transparência.