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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Questão de mineração

Aguardei passar a data por inteiro, para me manifestar depois que houvesse a opinião consolidada sobre o Dia da Imprensa. A surpresa? Além de pingados comentários e textos, nada. Nenhum alentado e apaixonado libelo de redenção.

Não pode ser assim. Não podemos viver como mineradores, explorando as jazidas sem sequer lembrar de agradecer as lavras, só levando da terra a riqueza que ela gentilmente produz e deixando um enorme buraco em troca.

A vida não pode ser mineração. Talvez deva ser como o extrativismo solidário: o que se leva da árvore em frutos, devolve-se em cuidado e atenção para que haja mais frutos para matar as muitas fomes.

As sociedades vivem com a necessidade de imprensa. Não dá para ser hipócrita e fingir que ela é um apêndice, só sendo valorizada quando inflama e incomoda. É uma Instituição viva, pulsante, ansiosa e aprendiz como tantas outras instituições que possuímos. É boa e ruim na mesma medida, como todos nós somos.

Então, por que o odioso preconceito de matéria? Se todos compreendemos o valor da forma, o conteúdo tem que ser respeitado. Por quem o produz e por quem o consome. Não dá para amar a imprensa quando o evento é seu e detestar a imprensa quando o evento não é. Amar a imprensa pelo elogio, mesmo que falso, e odiar a imprensa pelo puxão de orelhas, mesmo que imprescindível.

Uma nação não é livre, não tem escolhas, não tem caminhos e não tem futuro sem uma imprensa atuante e independente. Nós fabricamos as aberrações do sistema, não o contrário. Quer um jornal ou revista totalmente imparcial? Inunde-os de anúncios, seja parceiro comercial deles, sustente-os sem que os mesmos precisem mendigar à porta de uma assessoria pública de imprensa.

Porque há salários a pagar, contas a fechar, custos a cobrir. Como em qualquer atividade econômica séria, textos jornalísticos e reportagens não descem do céu ao som de harpas. Saem de intelectos que se prepararam, de impressoras que gastam papel caro e tintas também caras, movidas a eletricidade paga. Telefones são usados, veículos circulam à caça da notícia, redações se mantém abertas o ano inteiro.

Pois é. E quando alguém sucumbe à tentação de misturar espaço com opinião, nós somos os primeiros a exigir que este alguém devia optar por morrer de fome. Ou desistir. Imaginem a sociedade que emergiria se todos os batalhadores de imprensa desistissem.

Mineração? Pode ser boa para mineradoras. Para os seres humanos, é uma péssima ideia e um odioso sistema de vida. Fica o meu registro de parabéns a todos os que lutam por informar, do jeito que der. O filtro teremos nós que continuar fazendo. Até porque a imprensa não surgiu para ser o filtro do mundo. Nasceu para oferecer muito o que ser filtrado.

Deixo de citar nomes para não ser injusto. Mas sintam-se todos, profissionais da imprensa, homenageados por mim, quer tenha eu gostado ou não do conteúdo. Porque o trabalho de vocês não é pensar por mim. O trabalho de vocês é me fazer pensar um pouco mais.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Blogueiros em viés de alta

Tenho que registrar e agradecer ao Jornal A Notícia a menção de algumas postagens do Drops. O Caderno Variedades está trazendo conteúdo de alguns blogs da cidade e isso nos enche de satisfação. Significa que há algum valor intrínseco no que fazemos, porque manter um blog é trabalho de formiga com musculatura e dedicação extremas.

A realidade é que é fácil ter um espaço virtual dedicado a comentários e opiniões pessoais, a explanação de visões de mundo e à tentativa de atingir públicos diferenciados. Difícil é realizar esta tarefa por anos a fio, com regularidade e paciência. Prova dessa afirmação é a grande quantidade de blogs "defuntos" que conhecemos.

O Drops de Sanidade, através de mim, agradece e continua sua luta por melhorias e evolução. Em todos os sentidos possíveis.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dia de parabenizar ao "A Notícia"

Da exata mesma forma que faço, dando os parabéns quando o Jornal Bom Dia comemora seus aniversários. Tenho com o "A Notícia" uma relação de carinho e raiva, há muito tempo. Sempre imaginei que raiva fosse um atributo meu, quando na verdade é uma virtude do jornal.

Ao longo dos 14 meses em que escrevo regularmente no Bom Dia, descobri que gero raiva em muitas pessoas. Aqui no Drops também. E não é atributo de quem lê. É mérito de quem escreve, fazendo com que as pessoas vejam o escritor, imaginem a realidade que ele quer transmitir e creiam nesta realidade. Ou não reagiriam a ela.

Este o maior mérito do "A Notícia". O jornal é crível no que se propõe fazer, mesmo quando deixa a gente colérico. Agora mesmo, no calor da onda de gente que vem sendo apanhada com armas em escolas, lembro de um bate-boca com Breno Eustáquio sobre o "efeito simpatia" que a divulgação do crime produz. A imprensa não produz crimes, mas tem o potencial de proporcionar válvulas de escape para os dementes que se encontram em estado de latência. Na minha opinião, claro.

A Notícia é um ótimo jornal. Tanto que já atraiu minha cólera muitas vezes. Como sei que já atraí a cólera do pessoal de lá muitas vezes, este empate sai de ótimo tamanho. O ISO 171 que eu inventei deve ter deixado toda a equipe fula da vida. 

O interessante é que a equipe jamais me taxou de escritor 171, o que teria me deixado fulo da vida e com a cara no chão. Talvez tenham sido dos poucos a lembrar do que escrevi sobre o defeito de personificar, que atinge Monlevade como um vírus mortal.

Nem vou retirar o ISO 171 do A Notícia. Sou malandro o bastante para saber que não haverá propaganda dele. E sou maluco o bastante para fazer a propaganda do meu ISO 171, que existe mesmo e é muito meu. Se algum outro por aí quiser admitir, seja bem vindo. Sou anti-rótulo mas uso, rsrs.

Vai a última alfinetada no MP: assume logo que o "A Notícia" faz oposição, uai! Eu, com toda a humildade do mundo, sugiro até o slogan: "O Jornal que faz oposição para livrar a cidade da inanição!"

Pronto, falei! E demais, como é comum para mim. 

Que o jornal "A Notícia" possa exercer o seu papel social por muitos anos ainda, porque João Monlevade precisará sempre. Com malandragem e com talento, que é o que realmente importa.

terça-feira, 1 de março de 2011

Registrando e agradecendo

Recebi no e-mail a edição 75 do Jornal Alô Cidadão, jornal sob a batuta de Carlos Coelho/Wir Caetano/Eliane Araújo. Nem vou lembrar - de novo - que o ramo não é o meu, rsrs. O pessoal fica desapontado quando lembro que não sou, não posso e não quero me passar por profissional da imprensa e da comunicação.

Coloco o bom relacionamento que tenho com todos na conta do carinho genuíno, e assim vamos caminhando. A partir da realidade de que conheço as redações e muitos de seus profissionais, sendo super bem recebido em todas elas, vejo que a imprensa de João Monlevade caminha como pode.

Já tive o privilégio de dialogar e de manter este diálogo em alto nível com quase todos os proprietários, editores, repórteres e profissionais de apoio da imprensa escrita. Em relação à mídia de áudio - rádios - acredito que haverá o seu tempo se assim tiver que acontecer. E se não tiver que acontecer, paciência e respeito mútuos devem dar a tônica do relacionamento.

Quanto à comunicação, confesso: gosto demais da área e tenho fundamento mínimo para usufruir de seus benefícios. Na vertente democrática algumas sociedades não podem prescindir dela, e faço a minha pequena parte com prazer. 

Fica aqui o registro, o agradecimento ao pessoal do Alô e a extensão do agradecimento aos demais integrantes da área de comunicação no Médio Piracicaba.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Agradecimento

Registro o recebimento das edições 63 e 64 do jornal O Pontilhão, de Dom Silvério. Imagino que tenha havido aí um pequeno dedo de fada da Ana Maria, Primeira Dama do município e que tive a honra de conhecer na Segunda-Feira, durante a reunião extraordinária da AMEPI sobre a BR 381.

Agradeço a gentileza e aproveito para agradecer também às Assessorias de Comunicação de diversos setores que em encaminham material de divulgação. O que tenho a informar novamente, é que não sendo jornalista e não possuindo a legitimidade para falar em nome de qualquer outro que não eu mesmo, sinto-me eticamente obrigado a não usurpar o legítimo trabalho de ninguém. 

Peço que compreendam o fato, não confundindo-o com falta de consideração da minha parte. E sintam-se à vontade para continuar enviando matérias e assuntos, porque eventualmente emitirei minha opinião sobre os mesmos. Não me sinto formador de opinião, mas me sinto cidadão capaz de pensar e agir como qualquer outro, o que leva a ser muito agradecido pelo fato de ser considerado um canal viável de comunicação.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Nota de falecimento


Faleceu na manhã de ontem, após 119 anos de vida, a edição impressa do Jornal do Brasil. A partir de hoje, somente poderá ler o vetusto diário quem fizer a assinatura eletrônica do conteúdo. Esta primeira morte, vamos assim dizer, prenuncia que em breve ocorrerá também a da edição eletrônica. Uma pena.

A Democracia só existe com imprensa livre. Qualquer outra afirmação é idiota e insana. Se vamos discutir censuras diretas ou indiretas, alinhamentos convergentes ou divergentes em relação aos estamentos do poder, usos mercenários dos órgãos de divulgação, dentre outros aspectos, não podemos jamais discutir a liberdade como valor intrínseco da boa comunicação.

Profissionais bons ou ruins? Esqueçamos. Há pessoas boas e ruins no mundo inteiro, e pronto. A grande pergunta é: precisamos da imprensa?

E a única resposta possível é: sim. Desde os tempos dos tambores, passando pelos pombos correio, pelo telégrafo, pelo rádio e pela televisão, pela Internet. E se surgirem outras formas de comunicação no futuro, a imprensa as ocupará. Somos necessitados de saber o que acontece no mundo, esta aldeia tão pequena mas tão vasta que sem a imprensa, seríamos nada mais que toupeiras à luz do sol. Com olhos para enxergar, e cegos para nada ver.

Que o Jornal do Brasil não seja o primeiro de uma série. Sem a imprensa livre, arrisco um palpite de que a humanidade livre não duraria vinte anos.

Obrigado, Melo!


Hora de registrar aqui um agradecimento ao Marcelo Melo, pelas palavras de incentivo ao conteúdo do Drops de Sanidade. Acaba virando uma rasgação de seda pra lá e pra cá, mas esse fato também faz parte de nossas vivências. Se não for para ter algum grau de reconhecimento, para que ocupar um espaço?

Digo sempre que Marcelo foi o blogueiro com evolução mais rápida que já vi. Pode parecer pouco, porque eu mesmo tenho apenas dois anos e um tantinho de Blog, mas como já vi muita gente se ferrar sem conseguir qualquer credibilidade nas terras digitais, para mim é notável que ele consiga agregar qualidade a cada estação nova.

Já li também que "p****, é muito facim ter um blog, tanta cabeça de bagre tem o seu..." Realmente, é fácil ter um blog. Mas é difícil mantê-lo atualizado no cotidiano, pautar com seriedade e com respeito os assuntos, buscar novidades dentro da área restrita que o autor pretende abordar, tomar um cuidado extremo para não usurpar a profissão alheia à formação do próprio autor, vigiar o conforto e a modernização visual, etc.

Mas o mais difícil, mesmo, é ter algo de produtivo e de útil para dizer. Eu sei que não consigo todas as vezes. Minha luta pessoal é para atingir este nível de engajamento produtivo. Assim me espanto muito com a fala de que seja fácil ter um espaço virtual para cuidar.

Porque, para mim, ele se assemelha a um quintal. Adquirir o terreno é relativamente simples. Apresentar uma colheita produtiva é que vai diferenciar os donos de terreno.

E, como sempre, recomendo passar os olhos pelo quintal do Marcelo Melo. Há sempre algo muito bacana brotando naquelas terras, que são bem cuidadas.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Raphael Godoy, jornalista




Este é um exemplo simples, prático, ético e moralmente elevado do que seja o trabalho de um jornalista. É simples assim de entender: jornalista não é aquele que apenas repete, como um papagaio insano, uma fórmula ditada em seu ouvido por alguém.
Jornalista é, acima de tudo, alguém que tem um dever férreo de ser paladino da informação. Mesmo que seja um companheiro da notícia e da manchete (porque ninguém é maluco o bastante para defender a tese de que a informação não pode ser atrativa aos olhos).
Mesmo que seja, como todos os mortais, vítima da relação de emprego. Eu sou, todos vocês são, todos nós somos. E daí?
Raphael, de forma indireta, traduziu o pensamento que eu defendo desde que o Drops/Agenda nasceu: a informação é de todos, a fórmula de repassá-la é individual. O jornalista brasileiro é achacado por todo tipo de pessoas, que lhe esbulham a personalidade o tempo inteiro.
O que diferencia o bom jornalista é que ele consegue, de alguma forma, passar a informação e a sua mensagem. Pensando bem, é isto que nos diferencia mesmo: todos podemos ter que agir como tiranos algum dia, mas graças a Deus somente alguns poucos vão gostar de desempenhar este papel.
Assim a imprensa brasileira não tem do que reclamar quando é taxada de horrível. Não o é pelos jornalistas que a integram, mas pelos interesses que a direcionam. E para quem entende este meu post como um chamamento à utopia, informo: eu sou defensor incondicional da liberdade de boa imprensa. O resto tem mais é que ser preso e ter o rabo preso, mesmo.
Receba meu aplauso público pela postagem, Raphael. Por favor.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Magda é diferente

Não me arrisco a fazer comentários sobre as falácias de Magda, por muitos motivos:

- Magda não sabe o que é Lógica, mesmo se consultar a Wikipedia.

- Caso o fizesse, não saberia como identificar uma falácia, mesmo se fosse atropelada por uma.

- Falta-lhe decência ao caráter e substância ao cérebro (até porque a cidade inteira pode rir de mim, mas eu ainda acredito que haja um cérebro ali!).

- Seu modo de vida é dependente de financiamento direcionado. Analisando friamente, o meu também, sendo a única diferença que não tenho saco para lamber o alheio, preocupação que se dissipa ao sabor da leviandade de Magda e à incrível eficiência de seus lábios gulosos. Pelo menos não fala quando a boca está cheia, acho.

- Resumindo, criticar o Marcelo Melo resulta que o bom trabalho realizado por ele se depura dos pequenos deslizes. Criticar Magda resulta em que os atentados diários contra a razão, perpetrados com gosto, não ganhem um micrograma sequer de qualidade adicional. Logo, não criticar é mais adequado. Talvez Tia Guida possa encontrar um melhor uso para aquele diploma.

Agenda oculta? A Editora Abril, dona da Revista Veja (uma das maiores e melhores do mundo) e de outros ícones do mercado editorial brasileiro, capta seus profissionais jornalistas dentre detentores de graduação em qualquer área. Magda exemplifica o porquê desta tática funcionar tão bem para a Veja; o diploma de jornalismo anda bem, mesmo em mãos de qualquer cozinheiro.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Com açúcar, com afeto

A edição de ontem do Jornal A Notícia veio edulcorada, sem nenhuma notícia bombástica contra a administração municipal. Seria positivo acreditar que nada está funcionando abaixo do desejado na Prefeitura, se esta não fosse uma premissa falsa. As falhas estão sendo corrigidas no decorrer das atividades diárias, tanto na Prefeitura quanto na vida. Inclusive na nossa.

O que quero não é imprensar (com o perdão do trocadilho infame) a imprensa local. O que quero e Monlevade precisa é que não hajam edições açucaradas dos nossos periódicos. Basta que, ao mesmo tempo, não hajam edições tisnadas pelo veneno da falta de rigor profissional.

Lembrando que, no interior, imprensa livre é igual a mula-sem-cabeça - acredita quem quiser - o ponto de quilíbrio não é dado pela média, mas pela constância da coerência. Uma edição de jornal que traz beijo na boca não compensa a que bateu com porrete no lombo. Mas dezenas de edições que apontam as falhas, com rigor técnico e apuração devidas, para evitar injustiças, constroem cidadania verdadeira. Um bom governo precisa de uma boa oposição. Senão vira governo Schumacher, que ganhou tudo enquanto não teve adversários à altura. Melhor um governo Senna.

Saber ser situação é fácil. Basta alcançar o poder e logo,logo, tudo começa a se encaixar e acontecer. Difícil é saber ser oposição; sua principal atividade, no Brasil, consiste em não deixar acontecer ou fingir que não acontece nada de proveitoso.

Aguardemos a edição de Sexta-Feira. Estou fazendo fortalecimento da musculatura do queixo...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ainda a Rádio Cultura

Este espaço jamais será utilizado como tribunal de exceção. Portanto, é imperativo afirmar que a Rádio Cultura é mais importante que os seus integrantes. Assim como todos os jornais impressos o são, as outras rádios igualmente. A Polícia Técnica em João Monlevade o é. Trabalho para ela, que trabalha para a sociedade monlevadense. O contrário seria admitir que vivemos no País das Maravilhas; apesar do nome promissor, só produzia horrores na cabeça da pobre Alice.

Homens sempre fazem a diferença, para o bem e para o mal. Talvez o que os faça grandes seja atender ao benefício da maioria, sem que tal defesa represente apenas um gasto a mais de saliva inútil. Falar em nome do povo é fácil. Difícil é querer, realmente, o bem dele. Querer os bens do povo não torna ninguém melhor.

Por que será que nenhum - NENHUM, ABSOLUTAMENTE NENHUM - agente social importante de João Monlevade mergulha fundo na busca de soluções para o Bairro São João, por exemplo? Dali sairá o próximo vulcão de insegurança a explodir em João Monlevade, no médio prazo.

Porque não apareceu, até agora, uma cobrança sadia por uma biblioteca pública de qualidade em nosso município?

Porque não surgiu um projeto que promova espaço, para os artistas locais exibirem os seus talentos, que são consideráveis? Um Arte na Praça, por exemplo?

Não sou eu quem deve criar pautas. Um repórter sabe muito bem disso. Deve saber que ele mesmo não cria suas pautas, mas pode sugerir ao seu editor que ambos se lancem em algo mais substancioso que aguardar release oficial. Ou esperar pelo "dedo-duro" ambicioso e inescrupuloso dentro das estruturas estabelecidas. O informante é movido a rancor barato, tudo que sai dele é contaminado por este vício original e fica impossível filtrar todo o veneno depois, ainda que um sólido trabalho de bom jornalismo seja levado a termo, para depurar o caldo ruim. Se o trabalho de jornalismo for temperado à base de conveniência, Deus nos livre.

Já passou da hora de nossa imprensa crescer. Porque a Monlevade dos anos 70 e 80 cresceu, simples assim. Tanto em tamanho quanto em capacidade de argumentar e refletir sobre si mesma. Os indicadores estão todos aí. Só não vê quem não quer abrir os olhos, enquanto amaldiçoa a escuridão e vive de passado.

Agenda oculta? Precisamos de nossa imprensa, já disse anteriormente e não abro mão de que ela exista, forte e participante. Mas direcionada apenas para influenciar os menos capazes em reflexão, ela se consubstancia naquilo que este Blog e este blogueiro abominam: um tribunal de exceção, uma microditadura que só produz desserviços a João Monlevade.

Nossa imprensa pouco olha para nosso cotidiano. Parece enxergar, sempre, o próximo período eleitoral. Se o Brasil funciona assim, dane-se o Brasil. Quero o bem da minha terra natal primeiro. Os demais que sigam nossos bons exemplos e deixem de copiar nossos erros.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Persona

Levei um bocado de tempo para perceber que este é o maior senão de nossa imprensa: o vício de Persona, ou seja, tudo é muito pessoal.

Anteriormente, já se havia dado espaço a uma cidadã que clamava por Prozac em postos de saúde. Não comentarei mais nada.

Atualmente - e de modo inconcebível - tem-se dado extrema importância quanto ao episódio de falta de álcool para a vacinação dos idosos na cidade. É um assunto que já mereceu extrema unção, e só não a recebe pelo vício de Persona já elencado acima.

Não conhecendo a profissional que gerou toda a discussão, afirmo que a respeito em toda a sua dignidade pessoal, porque o merece. Quanto à sua conduta profissional, sugiro que reflitamos sobre o seguinte:

A Seção de Polícia Técnica em João Monlevade já custou ao bolso dos Peritos Criminais aqui lotados cerca de R$ 4.800,00 em três anos. Destes, cerca de R$ 4.300,00 estão devidamente comprovados por notas fiscais e faturas diversas (o restante refere-se a notas que infelizmente não pudemos obter).

A Polícia Técnica em João Monlevade, como qualquer outro órgão ou servidor público de qualquer esfera, serve ao povo. Reafirmar este óbvio nos atira à vala comum dos insensatos.

Faltou álcool? Quem serve ao povo, de coração, compraria uma garrafa ou pote ou seja lá o que fosse. Atenderia, o que é meta maior de qualquer servidor público. Depois, procuraria os meios para evitar que o fato ocorresse novamente. O último estágio seria solicitar o ressarcimento do gasto havido (R$ 10,00, talvez?).

Mas não. O vício de Persona leva a que tudo seja maximizado exponencialmente, a ponto de haver exploração midiática - e unilateral - dos fatos.

A unilateralidade, baseada não em fatos concretos, mas em especulações, causa engrandecimento do que é pequeno por natureza. Mesmo a minha sugestão da compra de álcool por parte da servidora é unilateral. É o que eu faria, e não vejo como deixar de dar-lhe razão porque ela não o fez.

A partir destes pequenos detalhes, temos que existem mecanismos corretos, legítimos e legais para que o episódio seja, definitivamente, colocado à conta da Persona que domina nossa imprensa em geral. Vejamos:

Se, e somente se, a Administração achar que a servidora pautou-se de forma incorreta, abra-se o devido espaço para a verificação da real verdade acontecida. Sem os holofotes da imprensa, porque há assuntos que dizem muito ao povo, e outros nem tanto. Eleger-se como vigilante deste mesmo povo é megalomania demais para meu gosto. Detalhe: já disse que acho correta a atitude da servidora. Incoerente, para quem se diz servir ao povo de forma exemplar. Mas correta do ponto de vista legal e formal.

Após, e somente após, comunicar os fatos se isso trouxer ganho real à população. Claro é que um dia de vacinação dos idosos é uma perda, mas não inviabiliza nem a vacinação futura, nem o respeito que os atendidos merecem.

Se a servidora, como percebi, não afrontou nenhum usuário do sistema de Saúde, houve dano irreparável ao povo? Médicos faltarão aos seus plantões, carros quebrarão ao executar serviços, a burocracia retardará licitações e contratos importantes, escolas ficarão momentaneamente sem professores.

Porque nenhuma administração é imune à falhas. Nem nossa imprensa, que anda procurando chifres em cabeça de cavalo. Procurando com afinco, tudo é possível de ser encontrado. Até chifres onde não deveriam estar pelas leis da natureza.

De novo, um desabafo: se faltar álcool de R$ 10,00 novamente, podem fazer contato comigo que o compro. Algo que poderia ter sido feito por qualquer "Profissional de Imprensa", também no momento apropriado.

Sem oba-oba, sem manchetismo. Ainda que o compromisso da mídia seja com a notícia, não com a verdade, um pouco de verossimilhança traduz-se em confiança do público razoavelmente capaz de intelecto.

Porque todos os envolvidos, sem exceção, comportaram-se como se estivessem numa rinha de galos. Com a desvantagem moral de que todos esperavam sair ilesos do processo, enquanto naquela atividade ilegal os galos se ferram realmente. Eticamente falando, os galos tem mais brio. O que não tem é a consciência malandra de quem participa como apostador ou espectador, só esperando um deles se arrebentar para sair-se com o murmúrio ou brado: "- Galo frouxo...Eu já sabia!"

Jornal "amigo" ou "inimigo", rádio "parceira" ou "adversária", blogueiro "do time de agora" e "do time de ontem", todos temos direito ao viés, que indica posicionamento. Mas nenhum tem o direito à cizânia com a realidade, que é soberana para acontecer alheia às nossas intervenções opinativas.

Chega de Festa do Álcool. Já deu. Foi. Agora, é esperar competência e engajamento de todos os profissionais, em todos os setores interessados, para que a cidade continue caminhando em frente.

Porque é hipocrisia esperar evolução quando tudo que se faz é trabalhar por algum retrocesso, qualquer um, só para marcar presença aos olhos da platéia. Aliás, perguntem à platéia se ela se considera apenas isso. Poderão se surpreender com a resposta.

Agenda oculta? Se estiver conectado à realidade, tanto o amigo quanto o adversário poderá ter razão. Se não estiver conectado à realidade terá apenas e eventualmente, sucesso. Como os palhaços em um picadeiro. Mas sucesso não é tudo, quando confrontado com a razão e a lucidez.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A arte de jogar uma vida no lixo

Em meados do ano passado, uma colega de trabalho teve sua vida profissional jogada no lixo por uma conjunção de dois fatores básicos:

1 - Um magistrado que atuava na cidade, que entende de Polícia Técnica tanto quanto eu entendo de Direito Comparado (ou seja, nada além do nome), resolveu que ela deixou a desejar no desempenho de suas funções.

2 - Este mesmo magistrado lançou as bases de sua especulação genial junto aos órgãos de imprensa da cidade.

3 - Repórteres se contentaram com o velho chavão de tentar confirmar junto à fonte o outro lado da história. Como a fonte estava arrasada pela humilhação, dor e revolta, não retornou os contatos.

4 - A imprensa publicou o que tinha.

5 - João Monlevade perdeu a não menos que excelente profissional de Polícia Técnica (que ainda encontra-se sob tratamento psicológico pelo abalo) e o magistrado falastrão (que alçou voo para fazer merda em outras Comarcas). Pelo menos em um dos casos tenho o que lamentar.

Incrível como se pode, através da simples opção pelo não-aprofundamento, jogar uma vida no lixo. Investigar não é só fazer trabalho de polícia. Investigar é, acima de tudo, buscar as raízes de algo que se procura explicar e divulgar, quando cabível e da forma mais isenta que exista.

Só uma pergunta ficou, de todo o episódio: Como um profissional de reportagem esperava obter retorno imediato, de forças tão díspares quanto as que mencionei? Quem, em sã consciência, questiona o enorme (e muitas vezes imerecido) poder que alguns cargos geram em uma cidade do interior?

Já me afirmei como um tolo, estou ficando repetitivo nisso. Mas eu não optaria por jogar uma vida no lixo. Eu optaria por me afastar da lixeira. Ou explicar porque algumas pessoas não conseguem fazer isso de forma serena.

Agenda oculta? Há vidas e há lixeiras. Viva sempre tentando não jogar umas dentro das outras. A menos que se trate de sua vida e de sua lixeira, porque aí já não é da minha conta.