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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Não menospreze seu sherpa

Edmund Hillary alcançou o topo do monte Everest, logo o topo do mundo, em 1953. O Ocidente lembra-se bem de Hillary, mas na Ásia e adjacências ele é apenas o primeiro que a montanha não matou antes de chegar ao topo. Os asiáticos lembram-se muito mais de Tenzing Norgal, o experiente e vivido guia sherpa que levou Hillary para o cume do planeta Terra.

Ninguém jamais conseguiu chegar perto do topo do Everest sem um sherpa a seu lado. Estes guias se confundem com a própria alma do Everest, tanto que são considerados mais guias que qualquer outra coisa. E os sherpas são um povo de cultura rica e tradicional na região do monte. Eles não foram diminuídos à condição de guias. Foram alçados à condição de supremos guias da montanha. Sem eles na expedição, a morte é questão de saber quando vem, e não se virá naquela escalada.

E quantos de nós, em nossa vida, menosprezamos o sherpa que nos guiará ao topo dos nossos montes Everest? Sem ele, a nossa montanha seria domada? Haveria alguma vitória real no quase chegar? E no morrer tentando?

Não menospreze seu sherpa. Pode ser que sua montanha não seja lá um Everest, e portanto seja perfeitamente possível escalá-la sozinho. Mas quando seu verdadeiro Everest chegar, o único ponto onde você chegará sozinho, com certeza, é na base da montanha. Provavelmente dentro de um caixão, se tiver sido possível localizar seu cadáver na encosta dela.

E para cada Hillary que existe, existem centenas de Tenzing tornando as façanhas heróicas algo possível.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Às claras

As lâmpadas da rua onde moro foram trocadas. Não dá para comparar a qualidade da iluminação atual com a que havia antes, já que o ganho foi enorme. Hora de parabenizar a Prefeitura Municipal pelo acerto do projeto. Este é o tipo de investimento que não dá para classificar como dívida, porque são duas coisas distintas.

Investindo em iluminação pública de qualidade, a Prefeitura está indiretamente contribuindo para incrementar a Segurança Pública, a diminuição do número de acidentes, uma maior economia em gastos com energia elétrica (que são pagos pelo povo) e em diversos outros pontos positivos.

Fica o registro e o desejo sincero de que acertos dessa magnitude sejam a rotina, e não a exceção. Porque oposição política não quer dizer oposição social. Ninguém é psicopata o suficiente para desejar a destruição do município para provar seus pontos de vista.

O que se deseja sempre é que os pontos de vista sejam destruídos pela superação dos erros e pela invalidação das críticas, através do trabalho bem feito. O que sobrar é falácia.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Igrejas intransparentes

Quando os olhos se voltam para os homens, eu me volto para as realidades. Assim enxergo o que as pessoas não querem ver, ou pensam ser insignificante demais para ser visto. E a intransparência da Igreja, no episódio envolvendo o pároco (ou padre, ou mesmo não padre) Felipe em João Monlevade é deprimente.

É deprimente porque a Igreja abandonou todos os seus. No caso específico dos padres Marcos e Jorge, a Igreja os abandonou numa cidade que está desconfiando muito de um eventual "ciúme litúrgico" que os haveria afetado. Será que existe essa aberração na estrutura da Igreja? Não creio, mas...

No caso do próprio padre Felipe, o abandono ganha contornos de bota-fora, sem qualquer transparência de motivação. Apenas relatos de que "teria arrepiado os cabelos até do saci", com erro imperdoável e inesquecível. Caramba, é coisa demais. Nossos párocos, via de regra, possuem suas limitações e erros humanos bem escancarados e ninguém se incomoda muito com isso, contanto que a dimensão religiosa de suas atitudes cuide do rebanho.

A instransparência da Igreja é deprimente porque deixou várias comunidades de fiéis sem entender nada de nada. O padre Felipe foi apresentado formalmente e tomou posse de duas paróquias locais. Realizou e formalizou sacramentos. Vinha atraindo muitos fiéis. E assim, do nada...pufff! Sai o padre? Sem uma preparação cuidadosa para que os fiéis não se sentissem umas bestas quadradas, iludidos em suas aspirações mais justas?

A Igreja, cabe lembrar, é reincidente neste pecadilho. Só para lembrar um exemplo próximo: no ano passado, conhecedora de problemas que afetavam o padre Almir, deixou que sua intransparência culminasse na morte de inocentes, dentre os mesmos o próprio padre Almir (dependência química é doença também, não é só vontade de errar).

Eu sou uma ovelha - confesso - meio desgarrada dos pastores. Até bem pouco tempo atrás, eu ainda acreditava na máxima de que os bons pastores existem para as ovelhas desgarradas também. Agora, acreditar ou não está fazendo pouca diferença. Vejo que a Igreja está desgarrada de seus fiéis.

Ela está se lixando para seus pastores, do mesmo jeito. Prefere resguardar-se de expor suas feridas internas. Deveria, até para buscar o lenitivo adequado à sua própria saúde.

Não sei o motivo da saída do padre Felipe. Não sei se é padre. Não sei se houve ou não ciúme e dinheiros na motivação de sua retirada misteriosa. Só sei que nada sei... E que a minha Igreja não está nem aí para as dúvidas justas que se ergueram neste momento. Não é assim que eu a aprendi no passado.

Eu a aprendi como uma fonte de renovação da graça, com a qual somos todos ungidos ao nascer. E já não sei se é mesmo assim. Talvez eu devesse me lembrar de que a Igreja, afinal, é composta de homens. E estes podem abdicar da graça a qualquer hora que quiserem.

Deveriam é medir as consequências, antes.

Quis custodiet ipsos custodes?


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Acabou

Uma parte de mim acabou. Eu não consigo mais ser o humano que eu era há até bem pouco tempo. Quando isso acontece a uma pessoa, o mais ético é avisar a todos em volta o que ocorreu. Porque não estou tendo estômago para continuar o teatro em alguns assuntos importantes.

Adiei o processo o quanto pude, mas não foi possível evitar. Assim, em nome da ética absoluta, aviso a todos que conheceram o Eu antigo, na íntegra, para esquecer que ele existiu. A casca ainda está aqui, mas o conteúdo se transformou de um jeito em que não há volta mais.

Declaro publicamente uma "quarentena" voluntária, de seis meses. Até 31 de Julho deste ano, estarei pesando tudo e todos em uma balança pessoal. Muitos passarão pelo teste. Muitos não. Todos terão a chance de se preparar para o teste em 180 dias.

Lembrando: é um teste pessoal. O mundo não vai se revolucionar por minha causa, nem eu vou revolucionar a mim mesmo por causa do mundo. Peço aos que tenham interesse privado que me procurem o quanto antes, para não haver dúvidas mais tarde: quem ou o que não passar pelo teste pessoal estará, de alguma forma, morto para mim.

Para os que já me consideram de alguma forma, morto, este aviso não vai fazer diferença. Então tudo bem.

Peço àqueles em que não passei no teste pessoal que me informem, o quanto antes. Para haver respeito e dignidade na guerra que vou empreender contra tudo e todos que não passarem pelo meu teste, parece justo abaixar minha cabeça e saber quanto e quando desapontei. É assim que vou fazer a minha história a partir daqui.

Seis meses. É o que posso garantir. Sem nenhum dia a mais de trégua, benevolência ou piedade.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A atração magnética pelo erro

O ser humano é maravilhoso quando se empenha. É horripilante também, quando se empenha em ser. O que não muda é o empenho, a garra, a atração magnética por algo de bom ou não tanto.

E, neste rol de atrações, nenhuma é mais mortal que a atração pelo erro. É fatal, porque cola um retalho ruim sobre uma colcha esgarçada, na crença de que fará bom cobertor.  E a colcha vai ficando cada vez mais feia, mais ineficaz, mais insignificante perante o frio que deveria evitar.

O olho que se recusa a enxergar o próprio erro tende a não enxergar mais coisa alguma. Nem o caminho mais adequado para evitar a proliferação de mais erros, mais falhas, mais desatinos. Empilham-se problemas, escasseiam soluções, boas ideias são jogadas fora. Soluções de cartola parecem bacanas, pirotecnia deixa de ser uma tentação para se transformar em uma realidade...

E o erro continua lá, firme como o rochedo de Gibraltar, enganoso como o cabo Horn, perigoso como o Triângulo das Bermudas. E vistoso como uma sereia de voz macia.

A atração magnética pelo erro é algo semelhante ao consumo de crack. Às vezes, o usuário antevê sua ruína, mas ninguém sabe direito porque continua a queimar a pedra que vai levá-lo à sepultura mais cedo ou mais tarde.

Em alguns casos, admitir que se errou perante outros nem é tão necessário. Mas admitir que se errou para si mesmo, num diálogo sincero com a própria alma, é o único caminho que um ser humano possui para levar a vida adiante.

Nessas horas, peço desculpas públicas a todos vocês, leitores. Eu sou daqueles que acreditam não valer a pena tentar salvar alguém que mente para sua própria alma. Melhor deixar o pobre diabo seguir o caminho em frente. 

Mesmo que seja para a beira do precipício.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Superar é construir

Está de parabéns a galera que correu para montar outra árvore de decoração. Exemplo muito bacana de superação, de garra, de vontade de construir. Mesmo à custa do sofrimento e da perda. 

Alguns fatos, pequenos quando olhados sem muito cuidado, passam despercebidos como oportunidades. Eu veria o episódio como um divisor de águas, porque mostrou um caminho de avanço sobre a adversidade, superação sobre a crise, proatividade sobre a lamentação.

A cidade espera que seja o primeiro de muitos atos proativos, descontando-se os revezes. Destes não precisamos mesmo, e ninguém em sã consciência os quer.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Visão de técnico

Tive acesso a um bom número de registros fotográficos da árvore de garrafas pet que pegou fogo. Conclusão: as chamas iniciaram de dentro da parede interna da estrutura para o lado de fora, e de cima da estrutura metálica direcionando-se para baixo.

A partir daí já não é preciso ser técnico para descobrir que o fogo tem 99% de chances de ter começado por uma fatalidade, apenas. Imaginem o esforço conspiratório para que alguém se infiltrasse por baixo da estrutura, escalasse a parede de garrafas pet internamente, ateasse fogo e depois se retirasse do local, sem ser visto por ninguém.

É claro que tenho bom humor e entendo o uso dessa ferramenta pelos colegas blogueiros, mas defendo que algumas coisas ultrapassam o limite, se não forem muito bem conduzidas. Até mesmo a sátira deve ser bem medida para evitar deslizes que, depois, voltam para cobrar preços altos.

Mais importante que aquilo que nos é levado, é a reconstrução e a reinvenção de que somos todos capazes enquanto viventes. Com bom humor e com bastante cuidado, porque ferir é fácil. Difícil é conviver com a responsabilidade depois.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Nossa Polícia está bombando

Não é para parecer que a brasa vai para a sardinha que mais interessa, mas as corporações de João Monlevade (Militar na parte ostensiva e preventiva, Civil na questão judiciária e preventiva) estão tirando leite de pedra. Literalmente, estão bombando.

No início do ano, uma previsão estatística apontava para um alto número de homicídios que poderiam fazer o município sofrer demais. Graças ao trabalho feroz desenvolvido pelas nossa duas polícias, o indicador estatístico já aponta para uma situação muito menos preocupante. Mérito para as mangas que estão sendo arregaçadas, no combate do dia a dia.

Fica o meu salve geral para todos os companheiros militares e civis, onde estiverem, porque sei que estão fazendo o melhor que podem. E estão fazendo além, se considerarmmos a pouca estrutura logística à disposição.

Agora, imaginem o que estaria sendo feito se os investimentos de base tivessem acontecido no tempo apropriado. Ou o que poderá ser feito se estes investimentos puderem acontecer agora, quando o momento é mais apropriado ainda.

domingo, 9 de maio de 2010

A ciência política privilegia os partidos


E por este motivo existem democracias sólidas funcionando no mundo inteiro. No Brasil, infelizmente, este amadurecimento não ocorreu. O partido político brasileiro nada mais representa que uma marina de aluguel, onde alguns barcos vem e vão ao sabor de suas necessidades instantâneas, e outros são donos do espaço que se aluga para barcos de interesse.

Nós somos um povo ignorante, e não há dúvidas com relação a isso. Não precisamos nos envergonhar, já que nossa história ainda está nas fraldas. Quinhentos anos de existência não nos ensinaram um caminho de progresso construído ombro a ombro. Mas não há motivos para comemoração. Nações pouco mais velhas já atingiram um estágio de solidez institucional que ainda nos escapa ao raciocínio lógico.

Nossa política se ressente desta condição ingrata. Temos partidos demais, desimportantes demais em sua azáfama mesquinha de trabalho de formigas, à cata de migalhas do banquete que se desenrola em esferas mais afortunadas. Há poucos que se destacam neste cenário desabonador, no país inteiro. Eu destacaria alguns, se não fosse deselegante a possibilidade de me esquecer de outros nomes bem merecedores de aplauso.

No Brasil, o cidadão interessado em participar de discussões sérias e bem intencionadas visando o bem comum se vê perdido. Não encontra uma única agremiação partidária que se ocupe mais da política que da distribuição de cargos e benesses, e portanto não encontra um partido ao qual valha, realmente a pena, se filiar e trabalhar.

Não há a preocupação de se firmar um partido político para dele filtrar bons nomes. O que existe é um bom nome ao qual se atrela um partido qualquer (e olhem que este bom nome pode não ser o nome ideal) à cata de "oportunidades".

Assim, é incomum que haja um projeto político-partidário não contaminado pela ganância individual, não obscurecido pela intransigência de um cacique ou não invalidado pela ausência da assembléia plena entre seus integrantes.

O resultado é que nossa política é de homens, não de projetos. E assimilamos com gosto esta aberração. Porque, ao coletarmos um nome em evidência negativa, tratamos de juntar a ele o seu partido, como se fossem metonímias possíveis. Não é um Serra, um Aécio, uma Dilma, uma Marina, um Kassab, um Lula, um Simon.

É o PT, o PMDB, o PV, o PSDB, o DEM ou, como diz Marcelo Melo de forma brilhante, o demo e o PQP. Tratamos todos de julgar todo um partido por um único nome de evidência, como se aquele nome traduzisse o pensamento de todos os integrantes de um partido político. E as diferenças, saudáveis na democracia, para onde vão?

Esta dicotomia faz que ótimos nomes se esgotem em quadros partidários enfraquecidos, onde as ideias são como o tapete da sala. Ninguém repara, a menos que esteja esburacado ou sujo demais. Os projetos não são discutidos plenamente. Os objetivos não são delimitados ou, quando o são, transformam-se na calada da noite sem que os elaboradores tenham ciência desta mutação perversa.

Resta continuar trabalhando, de forma quase insana, para que hajam partidos sustentando os bons projetos políticos, e não projetos individuais se sustentando de partidos bons. Os nomes vão, os projetos e ideais ficam. Lembremo-nos disso.

Esta semana que passou foi dura para o Partido Verde em João Monlevade. Com a saída de seu vice-presidente Werton Santos, o qual tem a minha admiração e o meu respeito totais, vejo configurar-se mais uma vez a situação de que não haverá um partido sustentando um projeto político para Monlevade. Acende-se uma luz não verde, mas vermelha, no horizonte próximo.

Que haja muita serenidade nesta hora e nas horas que virão. Monlevade precisa de bons nomes e de bons projetos, sempre. Mas precisa de partidos políticos sólidos, também. A ausência deles, nos últimos anos, freou nossa caminhada em muitas décadas.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Efeito catalisador

A tragédia das chuvas de Segunda-Feira aglutinou as lideranças políticas da cidade num propósito comum, com raríssimas exceções. Como repensar os mecanismos de proteção possíveis e aplicáveis à águas de aluvião, numa topografia que é claramente desfavorável?

O Prefeito Municipal adotou todas as ações que se esperava do ponto de vista exclusivamente marqueteiro. O cidadão Gustavo Prandini adotou todas as ações que eu, particularmente, tinha certeza que iria adotar. Como os dois são um só, no presente momento, a cidade pode se orgulhar de seus atos como um todo.

A oposição adotou uma postura de maturidade. O momento é de refletir, como venho implorando há tempos, sobre o verdadeiro papel de forças antagônicas no qual se baseia a boa política. Não é a ausência de críticas que me leva agora a elogiar a oposição. É a serenidade de entender que algumas críticas carecem de fundamento, mesmo sob a ótica da marquetagem pura.

O que me causa agonia é saber que estes momentos de serenidade estão surgindo, apenas movidos a tragédia. Não me vejo desejando tantas tragédias e desgraças para que nossos homens públicos se entendam como adultos. Não é justo para a cidade.

Talvez a maior benção, após o final deste episódio que ficará marcado na história de João Monlevade, seja o caminho da política em alto nível que podemos tomar daqui para a frente.

Os exageros e afunilamentos de cérebro, que também ocorreram nesta hora, nem me dizem respeito. O tempo revelará o caráter, o futuro dirá os destinos. Mas que deveria haver o respeito mínimo à dor (imensa) destas famílias, deveria.

Ainda há tempo, senhores. Pelo fim das tragédias e pelo amadurecimento das relações. Porque a paixão inflamada, que é esfera de povo, não cai bem ao agente público. Dele se espera, tão-somente, espírito estadista. Seja na situação, seja na oposição.

E sempre coexistindo as duas, como não canso de repetir.

Agenda Oculta? Não há. Sinceramente, não poderia haver nesta hora.