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terça-feira, 15 de maio de 2012

Esclarecendo...

A postagem anterior tem uma razão de ser. No ano passado e neste ano, a tarifa de transporte público passou por congelamentos de preço. Somados, os meses de congelamento chegaram a 10, até agora.

Não sou auditor contábil. Admito o fato. Mas tudo que aguenta 10 meses de congelamento, em 15 meses possíveis, tem que estar com uma enorme gordura para queimar no início. Traduzindo, tem que estar caro pra caramba ou o empresário quebraria rapidinho.

Como os funcionários da empresa não estão com essa bola toda na hora de receber reajustes salariais, essa discussão sobre o real custo do transporte público e o real valor da tarifa passou da hora de acontecer. Porque eu posso ter o luxo de não precisar de ônibus, mas milhares de monlevadenses precisam dele com preço justo.

Tarifa de ônibus em JM


Estou especulando, o que quer dizer que posso estar equivocado. Mas tenho algumas dúvidas severas, quanto ao real custo de operação que está estampado na planilha no transporte público de João Monlevade:

1 - Como é calculado o valor de insumos essenciais? Ex. problema = preço do pneu. Vamos pensar num valor médio de R$ 1.250,00 que não é fora da média de preços. Ele não deveria ir para a planilha com este preço, pelo simples motivo de que frotistas compram às centenas, com preços cerca de 30% mais baixos. Se vai para a planilha o valor original (1250) eis uma distorção bancada pelo usuário.

Ex. problema = Quanto duram estes pneus no cotidiano? Se não forem marcados no início de sua vida útil e se não for controlada sua durabilidade, eis outra distorção econômica bancada pelo usuário. Podem durar 80.000 km e ser declarado que rodaram 60.000 km até a hora de reformá-los.

Ex. problema = Qual o real consumo médio da frota? Como não são utilizados tacógrafos digitais selados, a população não tem como fazer este cálculo com exatidão. Mais distorção econômica que pode estar indo para a planilha.

2 - Como é calculado o valor de insumos secundários? Ex. problema = número de gratuitades efetivamente atendidas/dia. Termos 5000 usuários cadastrados e autorizados a usufruir de gratuitade não significa que 5000 pessoas usam deste benefício todo dia. Se o número for menor, distorção econômica a ser bancada pelos usuários pagantes do sistema.

Ex. problema = Oficina mecânica. Se a empresa tem mecânicos em seu quadro de funcionários, o custo já estará embutido em folha salarial. Se a planilha prevê remuneração de oficina, mais distorção econômica a ser bancada pelos usuários.

Ex. problema = durabilidade de peças de alto valor. Cálculo semelhante ao da durabilidade dos pneus.

3 - Por que a planilha de custos não é entregue à sociedade para uma auditoria ampla? Sem ela em mãos, tudo que João Monlevade pode fazer é especular sobre os custos reais x custos declarados. E especular nunca foi o melhor caminho para haver justiça social ao lado da justiça de remuneração do prestador de serviços.

Nãos nos discutimos enquanto um lar para todos. sequer nos discutimos enquanto cidade. Isso torna tudo muito mais difícil - e caro - para todos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

4 paus na miúda!

Não, não se trata de um filme pornô... O título é chamativo e apelador mesmo, porque a situação é suspeita. Dentro de um regime democrático, mesmo a discordância feroz não significa um sentimento irracional. Pelo contrário: a Democracia é o estado de vivência em que o inusitado e o suspeito precisam de explicações públicas, mais cedo ou mais tarde. Sob pena de se validar a suspeição.

Não é surpresa para mais ninguém que a Arcelor Mittal engordou os cofres públicos de João Monlevade em cerca de 4,1 milhões de reais, entre Dezembro e Janeiro. Seria um fato de comemorar com foguetório, não fossem as circunstâncias.

Porque, aparentemente, estes 4,1 milhões de reais foram pagos em negociação de uma dívida havida entre a empresa e o erário municipal, relativa a cálculos incorretos do IPTU que a mesma deveria recolher na cidade. O que não fecha é proporção entre a conta inicial e o efetivo pagamento: 13 milhões cobrados contra 4 milhões aceitos em pagamento.

Ninguém em seu juízo perfeito concorda com um deságio de mais de 70% num crédito a receber. isso não existe no mundo civilizado. Talvez os credores da Grécia estejam tentados a topar um negócio semelhante atualmente, mas a Arcelor Mittal não é a Grécia. Ao que consta, a empresa está solvente e sólida em sua gestão financeira.

Vamos contornar toda a sombra que envolve essa matéria - a tão propalada "transparência" do Executivo não se justificaria nem se o mesmo usasse calcinhas e tops - acreditando que o fundamento jurídico da prescrição ceifou todos os anos de cobrança até 2007. Admitindo que a ação de cobrança foi impetrada em 2011, o raciocínio tem o ,mínimo de credibilidade.

Mas e se a ação de cobrança foi impetrada, digamos, em 2009 ou 2010? E a dívida da empresa é histórica ab initio, ou seja, desde sua inauguração? Ou a divergência foi descoberta quando, para que haja o fato gerador obrigatório?

E, o mais importante, quem teve a brilhante ideia de mandar o povo inteiro de João Monlevade à "casa do carvalho" em relação a este assunto? A política de brinquedo agora atinge também uma das maiores e melhores siderúrgicas do mundo?

O Executivo não deverá esclarecer nada, porque não é de seu feitio. Mas a Arcelor deveria divulgar amplamente todo o processo que culminou com essa transferência financeira. Afinal de contas, é dessa forma que ela cumpre, de forma indireta, sua função social prevista em Constituição vigente.

Falta homem em Monlevade há muito tempo, sem dúvida. Quando começar a faltar legalidade democrática, será também o começo da ruína total para nós todos.

Antes que eu me esqueça: na ausência da obrigatória publicidade que deveria nortear os atos da Administração Pública, considero o deságio havido nessa negociação como muito, muito suspeito. E não me venham com a história de que saiu uma nota de rodapé num diário eletrônico que ninguém conhece ou já tenha ouvido falar. João Monlevade possui meios de comunicação mais que bastantes para desempenhar este papel.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Façam suas apostas!

A bolsa de apostas envolvendo o novo empréstimo a ser feito pelo Executivo já ferveu. A Câmara Municipal vai, dessa vez, se portar como defensora de uma maior racionalidade no emprego de dinheiros públicos ou não?

Minhas apostas são todas pessimistas. Não acredito mais, e isso por si só é um desastre. O cidadão deve manter um mínimo de fé em seus representantes eleitos. Entretanto, como só está finalizado o que já acabou, vou aguardar a votação de hoje.

Caso o meu prognóstico seja equivocado, comprometo-me publicamente: vou mandar publicar nos dois principais jornais da cidade meu agradecimento aos vereadores que se posicionarem ao lado da racionalidade, da independência e da população socialmente vulnerável, que não tem como hipotecar mais futuro em nome de um presente afundado.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Anexo para 11?

Fui o primeiro a defender a atuação do vereador Carlos Lopes na cidade. Vasculhem por aí e acharão o motivo. Era justo e necessário defendê-lo.

Agora, é injusto defender a construção de um anexo para a Câmara Municipal, somente porque ela receberá uma superpopulação de um vereador a mais. A menos que o eleito adicional traga uma legião de assessores e um gabinete muito musculoso, o gasto vai contra tudo o que se vem pregando à sociedade ultimamente.

Vamos ver seu eu entendi: 15 vereadores iriam estourar as sadias contas do Município, certo? Qualidade é melhor que quantidade, certo? Economia é gestão eficiente, certo? Ouvir o povo é fundamental para a Democracia, certo? Mudar de ideia é transparecer um espírito dialogador, certo?

Tá. Então não entendi nadica de nada.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Iniciativas isoladas


Eu não creio que a corrupção seja o maior dos problemas de João Monlevade. Ainda bem. Se houver algum caso isolado, provavelmente está sob análise judicial. Penso que o maior dos nossos problemas seja o da individualização de projetos, que deixam de ser públicos para se tornarem algo pessoal.

Quando o dinheiro público passa a ser esfera de sonho para a vida privada, ele perde seu sentido. Uma sociedade começa a se condenar ao fracasso quando permite essa aberração. E não há outros remédios no horizonte que não sejam a transparência e a fiscalização.

Aí reside o segundo maior problema que temos: sem a transparência inicial, toda fiscalização corre o risco de virar denuncismo vazio, o que também é péssimo para nossa cidadania. Talvez nossa marcha pudesse, assim, ser pela Transparência Pública. Ampla, geral, irrestrita e consciente.

Eu não desisto de João Monlevade nunca. Porque ela nunca desistiu de mim.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Números

Está chegando a data em que a PMJM deverá divulgar o resultado financeiro do quadrimestre que fechou em Agosto. Esta é mais uma oportunidade para que possamos conferir a quantas anda a saúde financeira do Executivo.

Os indícios não apontam para algo saudável. Mas fazer o julgamento antecipado é igualmente nebuloso, portanto vamos aguardar a divulgação e tentar analisar com calma o cenário para fechar 2011. Posso garantir, entretanto, que muitos profissionais de auditagem e de contabilidade gerencial estão muito interessados em estudar este indicador.

É mais uma chance para que a propalada transparência de gestão saia do eterno campo da promessa. Se os números forem salutares, eu serei um dos primeiros a divulgar com satisfação e alívio. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Transparente como um brejo

Este é o retrato fiel do Portal da Transparência que a Prefeitura Municipal de João Monlevade criou para nos brindar. Tente consultar as despesas da PMJM e você será convidado as fornecer um número de CPF ou de CNPJ para obter as informações que procura.

Isso mesmo: sem ter esta informação inicial o Portal tem a transparência de lodo no brejo. Mas o discurso do diálogo e da transparência vem a nós todos caudaloso como água mineral. João Monlevade, à semelhança do Brasil, está atuando de forma vergonhosa no combate às práticas cinzentas da política.

Vamos nos arrepender de forma amarga, no futuro, se não agirmos agora.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Mudou para melhor

Ontem à noite eu estava observando a iluminação da minha rua e também a iluminação de todas as ruas que eu podia enxergar a partir da minha varanda. É absurda a diferença de qualidade entre a nova iluminação pública e a antiga, é como se tivéssemos trocado lampiões a querosene por holofotes nos postes.

Mudou para melhor. Para muito melhor, sem dúvidas. E faço este registro baseado na decência, mas não na eficiência. E vou explicar porquê.

Compreensivelmente, há pessoas na Prefeitura que se queixam da falta de divulgação dos bons feitos. Há setores do Executivo que reclamam das regras do jogo político, mesmo sabendo destas regras antes de iniciarmos esta partida de agora. Portanto, há pessoas lá que são ou ingênuas ou muito mais mal intencionadas que os setores sociais adversos, aqui fora.

Vamos aos fatos: esta nova iluminação é um trabalho muito bom. Promove segurança pública indireta, economia de gastos com faturas de energia elétrica para o poder público, amplia a visão de trânsito à noite e torna a cidade um pouco mais bonita, entre outros benefícios.

Mas ninguém sabe, com certeza, a quem agradecer este trabalho. Nunca se informou com transparência se o Projeto original saiu de uma cabeça pensante da Prefeitura ou se foi, pelo menos, bem aproveitado por um valor de nosso Executivo local. Ao que me consta, pode ter sido oferecido e ainda ter havido alguma má vontade em sua adoção.

Como é um sucesso, fica o sucesso como mérito puro de nosso Executivo. E aí enveredamos pelo outro lado deste sucesso: seu custo e sua fonte de financiamento. Vejo a nova iluminação como um bom investimento de João Monlevade, mas numa hora em que o Caixa e a situação financeira estão abalados e impotentes. Numa hora em que fazer dívidas de longo prazo significa comprometer uma Administração que poderá não ser mais essa. Porém o comprometimento da cidade fica garantido com a dívida a se pagar no futuro.

O outro lado da equação envolve um raciocínio que já fez parte aqui do Drops. Este custo seria plenamente absorvido, por exemplo, pela coleta pública de lixo em João Monlevade. Mas o dinheiro vai para uma empresa privada. Ninguém se manifesta oficialmente sobre estas duas questões, há tempos.

Falta transparência. Falta luz nos métodos, ainda que agora esteja sobrando luz nas ruas. Um bom projeto, que nenhum ator social relevante da cidade sabe a quem elogiar, aí está aguardando a transparência para que seu real autor seja reconhecido a admirado pela visão.

Mais tarde, posarei um alerta importante e vital para as finanças públicas da cidade, pertencente à seara da energia elétrica. Já adianto que a Prefeitura consta nele como vítima, junto com toda a população monlevadense. Vejamos se é possível adotar ações proativas neste aspecto, porque muitas outras ações proativas jamais foram tomadas por aqui.

Por decência, aviso que continuo incrédulo. Este elogio saiu de esforço individual, não da técnica adequada e ética para obtê-lo, partindo do Executivo Municipal. Ainda assim haverá quem reclame afirmando que não se trata de elogio. É sim, mas não foi buscado nem merecido por trabalho competente. Por isso, tão poucos elogios acontecem na esfera do ambiente social de João Monlevade. Falta empenho em buscá-los com a transparência necessária.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Contábil e financeiro

Existe uma pequena diferença entre os dois universos. E um batalhão de pessoas conhece essa pequena diferença, o que torna os informes contábeis uma brincadeira de mau gosto sem qualquer possibilidade de ser vista com bons olhos, a menos que a saúde financeira também saia transparecida neles.

A linguagem popular, que o Governo Federal está empenhadíssimo em levar para o lugar errado - o universo pedagógico - poderia ser levada para assuntos relevantes que seriam colocados ao alcance do público. Fica para a próxima geração de governantes, porque esta, como as anteriores, apodreceu antes de amadurecer.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

OP 2011 ou 2012, sei lá

Uma conversa ontem chamou minha atenção para este fato. Deve levar ainda uma pequena eternidade para que o município inaugure as obras do OP que foi votado no ano passado (seria o 2011?)

Bem, ainda não foi votado nenhum para o ano que vem (seria o 2012?)... Devemos assumir, como pressuposto de lógica, que no ano que vem não tem. Surpreender não surpreende, mas assusta. Seria um dos brilhos a apresentar: a efetiva participação popular no destino de alguns caraminguás do orçamento municipal, em benefício direto do povo monlevadense.

Outro pedaço que ameaça ficar pelo meio do caminho... Este dinossauro não vai perceber nem quando algum predador morder o seu próprio nariz, ao que parece.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Contas Transparentes?


O link acima deveria apontar para as contas públicas (em sua totalidade) da Prefeitura Municipal de João Monlevade. Não deve ser levado a sério, por razões que eu nem quero comentar. A ética me obriga a afirmar que a responsabilidade pela instransparência ali pode não ser da nossa Prefeitura Municipal.

Entre outras aberrações, podem-se observar cifras na ordem de 15 trilhões (sim, trilhões) de reais sendo mencionadas. Uma lástima que o Brasil seja tão irresponsável com um assunto tão fundamental para nossa cidadania se expressar como deve.

Não sendo levado a sério, o site é imprestável para muitas coisas. Talvez o pessoal da área contábil possa extrair algo de útil dali, mas a veracidade das informações já foi para o beleléu... O jeito é aguardar o domínio próprio que um dia a PMJM manterá na rede, com suas contas abertas para consulta, por força da lei de Responsabilidade Fiscal.

P.S - O site joga a responsabilidade total das informações ali contidas sobre o lombo da PMJM. Talvez seja o caso de adotar medidas legais para preservar o bom nome de nossa Prefeitura. Fica a dica!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

155 milhões de motivos

Para se penitenciar. Este é o número que representa a previsão de arrecadação municipal para o ano de 2011, apresentado pela Prefeitura. Minha opinião é a de que o número foi inflado intencionalmente, mas com que motivações só a cúpula governamental sabe.

Tenho meu palpite: com o valor total inflado, o valor do orçamento que pode ser alterado por vontade unilateral do Executivo fica mais alto. Imaginemos que o Prefeito possa cancelar rubricas orçamentárias e empenhar livremente o montante que resultaria dessa manobra. Aí saberemos um forte motivo para cair em tentação.

A suposição é de que até 20% das rubricas orçamentárias possam ser alteradas livremente pelo Executivo, em cada exercício fiscal. Vejamos um exemplo prático:

Num orçamento enxuto e razoável (120 milhões, por exemplo) o Executivo poderia movimentar livremente cerca de 24 milhões de reais. Nada mal, não é?

Com um orçamento inchado, mantendo-se aqueles 20% livres, o valor que poderia ser utilizado salta para 31  milhões de reais. A diferença é brutal, porque estamos falando de sete milhões a mais para a livre movimentação do Gabinete.

O que - à esta altura o governo sabe - empaca o jogo é que previsão orçamentária não é dinheiro. É expectativa de dinheiro apenas. E quem gasta pela expectativa vira devedor da realidade. Agora é explicar com toda a dificuldade do mundo, para as pessoas mais simples, porque os 155 milhões de reais não irão aparecer em prestação de serviços.

Resumindo: serão mais 155 milhões de motivos para se arrepender pela falta de diálogo e de transparência.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Internet Gratuita - Vai dar certo , mas...


Fernando Garcia fez o questionamento (clique no link acima) e o nome da rede é Monlevade Digital Escola Viva, como apontado em site da Prefeitura. (Veja AQUI, NA ABA "CONFIGURAR")

A seriedade da análise não deve ser permeada pelos sentimentos pessoais do analista. Então, faço apenas uma pergunta: o nome da rede de Internet incluiu o termo "Escola Viva" por que? A falta de informação sempre permite a liberdade total da interpretação. Por enquanto, fico com a hipótese levantada pelo Fernando.

Porque esta cúpula de governo tem vazios de transparência que começam a apavorar.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Plante e colherás

Observo que os analistas mais lúcidos estão aguardando o funcionamento do acesso público à internet, providenciado pela PMJM, para emitir seus elogios. Eu me adiantei e já fiz o meu, por um motivo muito simples: se funcionar, elogio de novo. Se não funcionar, terei mais legitimidade para criticar a iniciativa.

Que os colegas analistas me perdoem, mas a oportunidade é única. Deve-se ignorar todo o bom senso nessa hora, porque é impossível saber quando virá algum outro acerto desta envergadura. Que governos comemorem compra de carros, compra de tratores e caminhões, compra de ambulâncias, etc. já é ridículo o bastante para eu não comentar coisa alguma. Vejam bem: eu disse governos (no geral).

É como eu querer ser parabenizado por conseguir pagar as contas do mês, que eu mesmo faço existirem para ser pagas. Eu, hein? Com uma diferença: sou eu mesmo quem irá pagar minhas contas. Quanto à Administração atual, a instransparência me leva a acreditar que essas faturas ficam para o Abreu. Se ele não pagar, nem eu...

É a colheita de tudo que se vem plantando com gosto, há muito tempo. Se os frutos estão azedos e mirrados, a culpa não há de ser da terra. Vem da qualidade das sementes e da qualidade de cuidados que a plantação recebeu. O que plantamos é o que colhemos.

Então, meu povo, a hora de elogiar é agora. E esquecer todo o resto. Confiança é pressuposto de cegueira e falta de questionamentos. Licitações? Origem de equipamentos? Rubricas orçamentárias? Saldo financeiro? Empresas envolvidas? Valores a pagar?  DEIXA CAIR!

Depois a gente faz uma parada reflexiva e tenta obter essas respostas. A hora é de elogiar, porque as chances são tão raras que não sabemos se haverá outra ainda neste ano.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Vidas pessoais

É bom lembrar, sempre, que as vidas pessoais são protegidas pelo teto máximo da legislação. Nem precisaria, num mundo que entendesse as pessoas como entes completos. No nosso, a tutela jurídica (proteção à vida pessoal) precisa ser lembrada porque há malucos para tudo.

As vidas pessoais precisam de todo o respeito possível, porque as pessoas vão continuar se encontrando nos caminhos do mundo. É bom lembrar deste detalhe. 

E, finalmente, um balde de água fria nos homens que assumem projeção pública. Assuntos de Estado dizem respeito a uma sociedade inteira. Portanto sujeitam seus gestores ao controle social pleno, até porque há um holerith (antigo, hein?) demonstrando cabalmente que parte da vida foi dedicada a uma causa maior e a responsabilidades muito maiores. Claro, a controles muito mais severos.

Tentar fugir dessas responsabilidades é tentar se enganar, o que configura um vício de caráter que se apresenta a olho nu. Pouco importa se o homem público pertence à casta dos Presidentes, Governadores, Prefeitos, Secretários diversos, Ministros e por aí vai. Pouco importa se pertence ao Partido Político A, B, ou C.

O controle sobre as vidas públicas é tão fundamental quanto o respeito pelas vidas pessoais. Não há civilização longe destes dois entendimentos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Coma Político

Em linguagem médica, significa a suspensão da vida. Em linguagem política, significa a mesma coisa. Do coma só evoluem duas alternativas excludentes entre si: 50% de chance de sobreviver ou 50% de chance de morrer. E tudo que significa maniqueísmo, ou Bem ou Mal, não é bom para ninguém.

A venda de áreas públicas pertencentes ao município é um coma político. Dela dependerá a sobrevivência de quem vai participar do processo, querendo ou não os atores políticos encarar este fato. E esta venda em particular significa uma aposta apenas arriscadíssima para a Administração Municipal, mas significa uma aposta mortífera para os legisladores municipais.

- A Prefeitura está retomando áreas de permissionários. Portanto está dando um sinal claro de que pretende fazer uso destas áreas. Ou que cuida do patrimônio público, o que é sua obrigação.

- A Prefeitura está em dificuldades financeiras graves. Não sou eu quem está afirmando, é ela própria, quando solicita transferência de dinheiro de uma Autarquia ( o DAE) para o Cofre Único do Município. A vida nos ensina que não se entrega dinheiro fácil ao gastador endividado. Ele irá dar ao dinheiro novo o mesmo destino que deu ao dinheiro velho.

- O mercado imobiliário está aquecido ao extremo. Poderia ser a hora de vender terrenos, se o município tivesse de onde recomprar depois. Como não existe esta possibilidade, já que nossa extensão territorial é pequena, o futuro reservará dificuldades de instalação de novos serviços essenciais. Ou se comprará caro terrenos mais tarde, ou se alugará. As duas alternativas geram perda monetária para quem já não está bem financeiramente.

- Uma cidade não é um especulador financeiro. Mesmo com o mercado imobiliário aquecido, isso diz respeito aos investidores mais do que ao Poder Público, já que este não deve gerar lucro. Deve gerar isonomia na distribuição de recursos previamente arrecadados entre os cidadãos.

Não vou enumerar outras circunstâncias perigosas, porque os atores políticos locais sabem delas. Vou emitir opinião é sobre os desdobramentos deste ato administrativo complexo, uma vez que ele será um divisor de águas na história da cidade. Para o Executivo e para o Legislativo.

No Executivo, estará consolidada a intransparente comunicação com a sociedade monlevadense. Afinal o mesmo afirma sua solidez financeira enquanto busca fazer dinheiro a qualquer custo, mesmo o alto custo político desta decisão de vender ativos pertencentes à coletividade. E o custo da instransparência é a eterna desconfiança.

Para o Legislativo, o custo será maior. No futuro, sempre poderá ser alegado que a correção da medida era tamanha que recebeu o referendo dos Vereadores. Em Administração, trata-se da famosa delegação de autoria, onde o mentor fica com o bônus e o autorizador com o ônus da decisão tomada. "Se der certo, parabéns prá mim. Se der errado, que vergonha prá vocês..."

Neste momento, em que o Legislativo está sob vigilância atenta por fatores que não é necessário pontuar, nada melhor que uma decisão equivocada, em um assunto deste porte, para que umas quatro ou cinco recandidaturas sejam transformadas em carvão e cinzas. 

Do lado de cá da cerca está uma multidão interessada em que estas vagas se abram. Menos competidores de peso tornam as ambições políticas externas muito mais simples de ser costuradas.

O coma político se instalou em João Monlevade. 50% de chance de vida, 50% de chance de morte. Em minha opinião, não seria boa hora para apostar nada muito alto. Mas eu não tenho nada a perder, ao contrário de todos os agentes políticos e dotados de cargo público, envolvidos nessa encruzilhada.

Boa sorte aos sobreviventes. Vão precisar muito dela.


P.S - Não se trata de análise de cenário nem de fim da quarentena autoimposta ao espaço. Trata-se de uma opinião pessoal sobre uma pauta explosiva desde que nasceu. Ainda bem que posso me dar ao luxo de priorizar o pessoal sobre o público, num momento em que os homens públicos deveriam estar fazendo o contrário.

(Postagem editada pelo autor do blog após sua publicação inicial. A última linha foi alterada.)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Na estrebaria não se pensa

E por isso mesmo é um local de nenhum conflito e nenhuma evolução prática. João Monlevade é uma enorme estrebaria: quando não são vacas sagradas são asnos convictos, apascentados com brandura enganosa pelas primeiras, que compõem o tecido social que nos envolve..

Eu sou asno convicto. Acredito em me mudar e com isso provocar algum grau de mudança à minha volta. Acredito em pensar e mudar algum grau de pensamento à minha volta. Tenho que acreditar em mim para acreditar na realidade em minha volta. E tentar transformá-la para melhor, de todas as formas possíveis.

Hoje pela manhã fiz um exercício de asnice crônica: fui verificar porque o trânsito que temos, seja na rodovia genocida seja no centro da cidade, é tão caótico. Claro que um dos motivos que encontrei foi narrado aqui mesmo no blog há bem mais de um ano. Mas e daí? Eu sou ninguém. A 381 está me redimindo nesta questão, porque a ação política afirmativa está sendo a de afirmar que aqui, todos somos ninguém.

Voltando ao único ponto que vou mensurar aqui: calculei o percentual de veículos que usam o talão do estacionamento rotativo na Avenida Getúlio Vargas. Fiz uma amostragem aleatória, alternando trechos e sentidos de deslocamento da calçada, alternando veículos mais novos e mais antigos, anotando um e deixando o seguinte sem anotar (para que a amostragem não fosse contaminada pela proximidade entre dois elementos) e utilizei um número razoável de veículos na amostra: foram exatos 70 automóveis verificados.

21 deles estavam com o talão de estacionamento regular. O resto estava mandando uma banana para o sistema. E o sistema de rotativo já existe há um tempinho razoável, jogando pelo espaço a teoria de que aprendemos pela educação pura e simples.

Eu também já disse aqui que educação é uma via de mão dupla: o ser deve possuir a vontade de se educar ou o processo não flui. E burros velhos não aprendem marcha. Humanos velhos aprendem, se forem punidos exemplarmente pelo mau comportamento.

Gente, estacionamento a 50 centavos por hora no ponto comercial mais nobre da cidade é estacionamento para comerciantes e comerciários guardarem seus carros o dia inteiro. Quando são minimamente honestos irão pagar quatro reais por dia. Mas a ganância, a falta de ética, a ausência de entender o que é o bem público e a solidariedade zero atingem 70% deles. Sobram 30% minimamente éticos. Detalhe: ainda assim é estupidez ocupar as vagas, porque os clientes não chegam com a mesma facilidade às lojas.

Soluções existem, mas dependem de uma ação direta que a tal "vontade política" deixou de executar há uns dez anos atrás. Oremos!

Daqui a pouco postarei outra pérola do comércio monlevadense, que está finalmente tirando de mim a vontade de prestigiar a geração de emprego e renda em minha própria cidade.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O raciocínio vale também para a passagem de ônibus

O raciocínio do preço de combustíveis pode servir como ponte para saber o real valor do cálculo de passagem de ônibus em João Monlevade.

Vamos ser justos. Dá para obter o valor correto de tudo, com a ganância ou o caráter correto de cada um, com a parte que cabe a todos e sua devida responsabilidade, sempre.

Basta haver um mínimo de transparência e respeito aos cidadãos. E tudo pode ser muito bem explicado, porque o povo não precisa ser tratado como uma massa de imbecis.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Que tal aparecerem documentos?

Fiz esta pergunta anteriormente e, para variar, as instâncias públicas de João Monlevade cagaram e andaram para ela. Vacas sagradas? Não, simplesmente é assim que o Brasil acostumou-se a pensar com relação à cidadania. Somos todos incompetentes para tudo, menos para pagar os impostos e para tecer elogios em tempo integral.

Enquanto isso, a prestação de contas é uma quimera que nem nos livros de História tem lugar mais. A transparência é uma mula sem cabeça e só acredita nela quem é muito ingênuo. A novidade veio dar à praia, mas só metade era busto de uma deusa maia. O resto era rabo de baleia.

E as notícias, para desespero de tantos, não param jamais de circular, em tempo nenhum e não poupando ninguém. Um dia a vaca sagrada tem o tornozelo mordido e não consegue imaginar como deixou isso acontecer.

Paciência. Destino de vaca é matadouro. A diferença talvez esteja no bife sagrado que algumas acham que vão gerar. Por enquanto, fica o alerta solitário de Zé Ninguém: todo mundo tem seus Julian Assange trabalhando por aí, todo mundo tem os seus "leaks" e todo mundo vai ter que se entender com eles, mais cedo ou mais tarde. Eu recomendaria, para quem quer sobreviver, que fosse mais cedo.

Mas é claro que sou um Zé Ninguém. Por isso...