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terça-feira, 20 de março de 2012

O que seria a "esquerda"?

Todos vocês sabem que não me lixo para os nomes. Direita, esquerda ou centro são apenas rótulos criados para que tentemos encobrir nossa mesquinharia individual. A moda agora é tentar mais um rótulo, a "terceira via". Nela, provavelmente, devem se reunir aqueles que nunca conseguiram alimentar sua fome de poder, em algum dos outros rótulos criados.

A realidade é que dos três, o mais fantasioso é o que se chama "esquerda". Por uma razão simples: a humanidade ainda não evoluiu à altura dos ideais que este movimento preconiza. Somos seres egoístas e acumuladores, em maior ou menor grau. Não há compatibilidade - ainda - entre o que somos e o que poderemos nos tornar no futuro.

O universo brasileiro é ainda mais cruel. Temos uma esquerda aliada a José Sarney, Jáder Barbalho e caterva. Temos uma esquerda que não pune severamente aos corruptos que descobre. Simplesmente chama de malfeitos os crimes dessa galera. Seria bom consultar os dicionários para descobrir o que significa o substantivo "malfeitores"...

Temos uma esquerda que se empenhou em fazer uma Copa do Mundo, mas que ainda não fez um único movimento concreto de garantir aos professores o Piso Nacional de Salários, livre de interpretações marotas.

Temos uma esquerda que, ao não investir tudo que pode em Educação Pública, mata qualquer chance de se diferenciar de toda a estrutura que valia quando o país era de "direita". Inclusive deixando de investigar porque tantos companheiros enriqueceram tanto, de forma inexplicável.

Temos uma esquerda meio que incapaz de lutar contra o crime, pelo fato simples e ridículo de identificar a repressão criminal com indícios de ditadura. Ela não investe em escolas e não investe em cadeias. Não transforma e não coíbe a deterioração da sociedade. Faz o quê, então?

Temos uma esquerda que subsidia o preço da gasolina e do diesel, para manter o "status quo" de sociedade que se movimenta por meios individuais ou caros. Que raio de esquerda é essa que não investe no transporte de massa e no transporte por ferrovia, que são universalizantes por excelência?

Que esquerda é essa, que ao privatizar serviços diz que não está privatizando? Que repete fórmulas consagradas por quem ela mais combateu, mas diz que são fórmulas suas? Que adota a máxima "errado não é o que se faz, mas quem faz?"

Todas as vertentes politicas humanas tem muito a explicar, e de forma convincente. Mas a que se autotitula "esquerda" tem explicações muito mais difíceis a dar. Porque serão explicações impossíveis de se sustentar diante de uma análise lógica e racional.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Bastam os blogs

Não é que eu queira desmerecer a inteligência geral de João Monlevade. Ela existe, é viva e pulsante, mas ainda se mantém convenientemente silenciosa em sua maioria. Por isso, para o momento, fico com os blogs. Não acredito que algum blogueiro de João Monlevade se ache. Que paire acima do Bem e do Mal. Que seja isento, imparcial, puro, devoto e intocável em sua santidade.

Mas, para o universo pequeno que conhecemos, os blogueiros estão acendendo umas chamazinhas aqui e ali. Estão servindo de voz e vez onde há espaço para isso. E com ensaios de qualidade, fazendo ideias circularem. Ideias como essa:

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Missão dada é missão cumprida

Os momentos de uma campanha eleitoral são sempre históricos. Para as boas coisas e para as nem tanto. Em 2008, Gustavo Prandini prometeu regularizar o fornecimento de cestas básicas por parte da Prefeitura, sob o correto argumento de que a fome é regular como o Big Ben.

E parávamos para pensar o quão cruel é alguém aguardar um ajuntamento de gêneres alimentícios por até dois meses. Como era possível? Particularmente sou contra o assistencialismo como moeda eleitoral, mas algum assistencialismo é indispensável num país desigual como o nosso.

Logo, é de se imaginar que estivéssemos muito gratificados com essa promessa de campanha em potencial: incluir as frutas, legumes e verduras na cesta básica seria uma atitude política muito avançada. Incluir o leite e a carne já parecia irreal demais, por isso não levei a sério. Mas muita gente levou a sério, como sabemos hoje. Pessoas sonham a sério, como os políticos ainda vão aprender um dia.

Bom, o tempo passou. Aquele rumo não era o meu, entrei para o seleto grupo dos descartáveis por inutilidade (e sou um dos poucos a reconhecer o direito de quem me julgou descartável, por ser inútil) e hoje não posso deixar de lembrar uma coisa.

A cesta básica pode não ter entrado no ciclo regular, mês a mês. Pode não conter frutas nem verduras. nem leite, nem carne. Nem pão. Mas um legume a cidade de João Monlevade tem que admitir que está recebendo todo mês, em doses bem generosas, por parte do Governo Municipal. Ei-lo em seu esplendor!


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Aprendam com a serenidade

O Drops hoje é uma mula oposicionista e ponto final. Acaba no ano que vem, então se existem outras coisas que ainda agradem no Blog é só esperar que em 2013 ele volta a ter um sabor bacana. Ou simplesmente ignorar minha opinião a respeito do nada que nos governa. Eu respeito opiniões o tempo inteiro, portanto acho muito natural que haja opiniões radicalmente contrárias às minhas.

Porém, nada me impede de USAR LINKS (CLICA AÍ), para recomendar aos debatedores sobre a questão da urgência e emergência no âmbito do município. O que um profissional como o Zé Henriques está fazendo fora do serviço público diz respeito somente à ele. Mas se eu fosse homem público em João Monlevade diria respeito à mim e à cidade inteira, também.

Leiam e reflitam. Provavelmente irá continuar tudo como está por um bom tempo. Mas se tiver que mudar, que seja na direção correta.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A confiança

Uma relação de confiança é via de mão dupla. Ela não representa uma delegação, que transfere toda a responsabilidade ao confiado. Ela também obriga o confiante a se comprometer em tempo integral. Então, senhoras e senhores, vamos refletir com muito cuidado ao estabelecer estes pactos.

Não adianta muito confiar, se a pessoa em quem confiamos não tem o mesmo sentimento em relação a nossos atos. E confiança não envolve silêncio absoluto. Pelo contrário, envolve informar bastante, para que o relacionamento confiável se fortaleça em pequenas coisas. Daí, para que ele enfrente com fortaleza as grandes questões, é somente uma questão de tempo.

Estou me esforçando muito para lembrar dessa verdade em minha própria vida. Reconheço que estou meio longe do ideal ainda, mas o tempo está a meu favor. O resto é trabalho pesado e humilde.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O segundo exemplo

A Av Amazonas, no Tietê,  recebeu uma camada nova de asfalto. O trabalho ficou muito bonito e foi pintada uma faixa dupla contínua de cor amarela entre as pistas, num trecho reto e de ótima largura. Não precisa dizer mais nada.

Até a decrépita (porque é decadente de tão velha) BR 381 tem seus trechos de reta com boa largura. Procurem lá por faixas contínuas e paralelas nestes trechos e não encontrarão. Aí basta procurar a resposta. Ela está em algum lugar e faz todo um sentido lógico que faltou na Av. Amazonas. Aquela mesma, lá do Tietê.

O primeiro exemplo

Vou informar o primeiro com a ressalva de que não se trata de falta de conhecimento, puro e simples, por parte da Prefeitura Municipal. Seria desonesto responsabilizar a PMJM sozinha, pelo fato. Eis o caso concreto, ocorrido em nosso trânsito:

Um motorista de João Monlevade, ao fazer um favor para sua vizinha, estaciona o carro defronte a uma clínica de fisioterapia. A vizinha está sem condições de andar, por causa de uma compressão na medula cujo tratamento está em evolução.

O carro dele não possui o adesivo azul, destinado aos portadores de necessidades especiais permanentes. Numa das sessões de fisioterapia, ele deixa o veículo e vai até uma farmácia buscar um medicamento. Infelizmente, um agente do SETTRAN multa o veículo porque não há a indicação visual no veículo.

O agente do SETTRAN agiu dentro de suas obrigações, isso não se discute. A pergunta que fica: o motorista vai ser multado e tomar a punição de pontos na carteira?

Gente, trânsito é muito mais que empirismo, tentativa e erro, "vai que cola". É algo que deve ser refletido para evitar que atitudes corretas, mas injustas, penalizem o cidadão de bem. Defronte a uma clínica de reabilitação fisioterápica, não existe necessidade de garantir vaga para o portador de deficiência em definitivo. A vaga está ali para o portador de deficiência regressível pelo tratamento, ou seria totalmente inútil estar ali. Este erro precisa ser corrigido e rápido.

Não sei se o SETTRAN disponibiliza adesivos para estes casos. Administrativamente é muito difícil separar uma situação como essa, das situações em que cidadãos mal intencionados se aproveitariam do sistema (e eles, infelizmente, existem). 

Então, sugiro algo simples e efetivo: um adesivo temporário, de coloração diferente e com cola de baixa adesividade, distribuído entre as clínicas de fisioterapia para que elas coloquem o adesivo nos carros de transporte (no início do tratamento), e retirem no final do mesmo.

Efetivo, justo, barato, eficaz. Fica a sugestão ao SETTRAN, para evitar que esta situação se repita muitas vezes. E fica o alerta para que, no julgamento do recurso contra a multa - que logicamente será feito - o SETTRAN e a PMJM estejam abertos ao entendimento dessa injustiça cometida e possam repará-la. É para isso que o Poder Público possui competência legal, no assunto do trânsito.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Trabalhar de graça

Muitos profissionais podem se permitir este luxo, sem cair na vala comum do raciocínio: "Este aí, só de graça mesmo..." E João Monlevade pode se orgulhar, porque muitos profissionais de gabarito excelente prestam serviços voluntários no município.

Existem três situações clássicas onde a excelência pode ser colocada a serviço de alguém, sem gerar custos que seriam merecidos e honestos:

1 - Quando o cliente é sabidamente vulnerável do ponto de vista econômico. Aos pobres de dinheiro, a cidadania pode ser oferecida de graça mesmo, porque assim se corrige alguma distorção do nosso universo social.

2 - Quando a relação afetiva, de respeito e de confiança é suficiente para não se cobrar pela competência técnica, mas ainda assim é insuficiente para que o profissional não se declare impedido de trabalhar por suspeição. Não se trabalha de graça (e nem mesmo cobrando caro) pelo amigo íntimo, porque isso vai contra as regras da boa ética e da seriedade profissional.

3 - Quando o Poder Público, em exercício de cidadania plena, solicita o sacrifício pessoal em nome da coletividade. O cidadão de bem e de caráter não se furta de prestar o trabalho voluntário que beneficie uma sociedade inteira. Neste caso o Poder Público deve comprovar que suas finanças estão em risco, porque ele não deve obter privilégios desmesurados.

Fora destas três hipóteses, o que resta é contratar o trabalho meia-boca, e ter a humildade suficiente para entender e aceitar as críticas que surgem dos bons técnicos. Preferencialmente, não se deve pagar caro pelo trabalho, para não evidenciar ainda mais uma condição específica de incompetência generalizada.

O caminho do amadorismo conduz à dúvida profissional e geral. Assim será até o fim dos tempos. Mais tarde seguirá a conclusão do artigo e do raciocínio.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Tem não!

O Drops está confessional e você quer um pouco de humor? Meu chapa, você está com problemas. Os blogs de humor não estão rendendo mais o esperado? Seus problemas aumentaram muito agora...

O humor é o limite entre o ofensivo e o hilariante. Talvez nem os próprios humoristas saibam bem a diferença. E eu não me arriscaria a fazer humor, porque o conteúdo seria, mais cedo ou mais tarde, ofensivo. E muito mal humorado.

Resta a constatação de que o novo nem sempre é melhor. Que o arroz com feijão é chato, mas não causa danos cerebrais irreversíveis. Que a dignidade pode prevalecer. Que um povo pode e deve evoluir sempre.

Lamento muito não poder ser o humorista que faltava. Mas eu acredito muito que sou um pensador a mais, e eles nunca estão em número suficiente. Acredite em mim.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sinais de paz

Tenho esperanças de que hoje, finalmente, eu obtenha a licença para retornar à Quarentena e ao meu querido paralelo 38N, a Zona Desmilitarizada. Como já informei antes, nem eu estou me suportando neste momento. Sinais de paz, quando verdadeiros, devem ser aceitos imediatamente, e é o que me proponho a fazer.

O maior problema em se estar numa guerra é que do outro lado há pessoas. Geralmente soldados que são tão vítimas quanto nós mesmos. Os generais não empunham granadas e metralhadoras numa trincheira. 

E os soldados estão pensando em muita coisa, antes de pensar em atirar. Família, sonhos, vontade de não estar ali sem seus generais na linha de frente, a ironia do mundo em que os camundongos estão na trincheira e os ratos maiores estão na salinha com ar condicionado e rosbife com champanhe, etc...

Que esta Sexta possa ser o Dia da Paz possível, até o período em que, voluntária e conscientemente, irei iniciar minha guerra pessoal. Até aqui tive que brincar de soldadinho atirando bolotas de papel, o que não pertence ao meu perfil.

Oremos.

domingo, 1 de maio de 2011

Chamem o Chapolim!

EMENDA Nº 7

A Câmara Municipal de João Monlevade aprova e a Mesa promulga a seguinte Emenda à Lei Orgânica.

Art. 1º O Art. 142 da Lei Orgânica de João Monlevade passa a vigorar acrescido dos seguintes parágrafos:

“Art. 142......
.......................
§ 7º São vedadas na Administração Pública Municipal:

I – a nomeação, designação ou contratação, de cônjuge, companheiro ou parente, até o terceiro grau civil inclusive, de servidor público para o cargo em comissão, ou de função de confiança, declarado em lei de livre nomeação e exoneração;

II – a contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público das pessoas de que trata o inciso anterior;

§ 8º A vedação prevista no parágrafo anterior estende-se a todos os órgãos da administração direta, indireta e fundacional, e aos poderes do município, reciprocamente, de modo que não poderão as pessoas mencionadas exercer quaisquer das funções previstas, no referido Órgão ou Poder. 

§ 9º Em caso de violação ao disposto nos parágrafos anteriores os responsáveis serão punidos disciplinarmente, sem prejuízo das sanções de outra ordem cabíveis e da anulação do ato.”

Art. 2º Esta Emenda à Lei Orgânica entra em vigor na data de sua publicação.

Câmara Municipal de João Monlevade, em 1º de novembro de 2007.

José Arcênio de Magalhães – Presidente
Helenita Pinto Melo Lopes – Vice- Presidente
Dorinha Machado – 1º Secretária
José Marcos dos Santos – 2º Secretário


Uma pergunta: Eu mesmo fui um dos muito relapsos que jamais se interessaram em verificar a existência desta emenda à Lei Orgânica Municipal. Assumo minha parte de responsabilidade aqui. E agora, quem vai assumir a defesa da legalidade no âmbito do Município? O Chapolim Colorado?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Vidas pessoais

É bom lembrar, sempre, que as vidas pessoais são protegidas pelo teto máximo da legislação. Nem precisaria, num mundo que entendesse as pessoas como entes completos. No nosso, a tutela jurídica (proteção à vida pessoal) precisa ser lembrada porque há malucos para tudo.

As vidas pessoais precisam de todo o respeito possível, porque as pessoas vão continuar se encontrando nos caminhos do mundo. É bom lembrar deste detalhe. 

E, finalmente, um balde de água fria nos homens que assumem projeção pública. Assuntos de Estado dizem respeito a uma sociedade inteira. Portanto sujeitam seus gestores ao controle social pleno, até porque há um holerith (antigo, hein?) demonstrando cabalmente que parte da vida foi dedicada a uma causa maior e a responsabilidades muito maiores. Claro, a controles muito mais severos.

Tentar fugir dessas responsabilidades é tentar se enganar, o que configura um vício de caráter que se apresenta a olho nu. Pouco importa se o homem público pertence à casta dos Presidentes, Governadores, Prefeitos, Secretários diversos, Ministros e por aí vai. Pouco importa se pertence ao Partido Político A, B, ou C.

O controle sobre as vidas públicas é tão fundamental quanto o respeito pelas vidas pessoais. Não há civilização longe destes dois entendimentos.

Soma Zero

Um dos mais retumbantes fracassos da humanidade ocorreu na Teoria Econômica: durante um tempo longo demais, a humanidade acreditou que a riqueza era produto de uma soma zero. Traduzindo: o volume de riqueza do mundo era transferível, mas não podia ser aumentado. Assim, para que alguém pudesse ficar mais rico outro tinha que, necessariamente, ficar mais pobre.

A Ciência Econômica já superou este entendimento, mas persistem bolsões de crédulos em Soma Zero espalhados pelo mundo inteiro, ainda nos dias atuais. Há pessoas que utilizam a Soma zero como parâmetro para suas vidas, o que gera infelicidade e estagnação em seu redor.

Mesmo o intelecto - riqueza intangível - ainda é avaliado desta forma por alguns seres humanos. Se alguém o possui, o seu entorno não pode possuir em mesmo grau. A Soma Zero não permitiria. O raciocínio que permite a aceitação da Soma Zero é hediondo, porque sabe-se que há múltiplas inteligências e saberes, além dos outros valores universais.

Nenhum enriquecimento - seja monetário, financeiro ou intelectivo - acontece onde pessoas acreditam que não há como incrementar a massa de recursos para distribuir os dividendos. Porque alguém estará sempre sendo esbulhado de suas posses justas para que outro alguém se apodere de posses injustas, já que obtidas pela violência da ignorância.

A cada um chega o seu momento de aprender em definitivo. O que me assombra é verificar que hoje, mais de cem anos após a Soma Zero ter sido banida como referência teórica, ainda haver pessoas que pautam suas vidas por ela. Só isso já justificaria a imensa desigualdade social que teima em dividir o mesmo espaço com a humanidade.

Não há futuro onde as pessoas não aprendem a criar riquezas, ao invés de somente trabalhar para dividí-las. Desigualmente, diga-se de passagem, porque assim funciona a Soma Zero. 

Se eu tenho, você pode ter. Assim é que o mundo enriqueceu nos últimos cem anos.

terça-feira, 19 de abril de 2011

As regras do jogo

Gente, insultar-me com virulência não fará qualquer diferença positiva para a cidade. Faz bem dar uma boa olhada no perfil de apresentação, nessas horas. Eu sou ninguém. Não faço diferença sensível. E não decido caminhos, eu só sigo as placas indicativas.

O jogo político tem regras. É natural que as pessoas comecem a jogar primeiro e ler as regras depois. Somos brasileiros, afinal, um dos poucos povos que liga o aparelho para só depois ler o manual de instruções. Dentro do jogo, concordar e discordar são fundamentais para que o benefício seja mensurável. Uma ditadura, seja ela azul ou vermelha, é sempre maléfica porque não pressupõe a escolha livre.

João Monlevade possui poucas pessoas que aceitam as regras do jogo político quando estas são adversas. Enquanto as regras são favoráveis, todos querem jogar. O maior prejuízo dessa filosofia de vida é que homens devem passar pela forja da adversidade, para mostrarem o seu real valor. Mar calmo não produz bons marinheiros.

Assim, mesmo que todos tenham a liberdade de continuar me insultando, isso não fará diferença para o destino da cidade. O que faço é respeitar as regras do jogo, onde o crítico do sistema é criticado pelo sistema. Aceito as críticas com naturalidade e humildade. Mas enquanto isso vou cobrar de quem faz diferença, que aceite as críticas com naturalidade e humildade. Mesmo que não concorde com elas, porque isso também faz parte das regras do jogo.

E a regra do anonimato é que me impede de publicar as críticas e insultos atuais. Em primeiro lugar, eu não insulto. Em segundo lugar, eu assino. Por fim, eu assumo as consequências. Eliminar uma dessas variáveis é mais do que querer regras camaradas para jogar. É querer tutela para a covardia e para a canalhice, coisa que não tenho a menor possibilidade de oferecer a ninguém.

Apresentem-se

Se houvesse um único conselho possível para ser dado em uma vida inteira, qual você escolheria para oferecer às pessoas? Este é um desafio que me impulsiona há muito tempo.

Eu escolheria um só para dizer a todas as pessoas com as quais tivesse a oportunidade de conversar: apresentem-se a quem quer que seja, se a vida lhes der esta oportunidade. Se ela não der, fabriquem a oportunidade e vão em frente.

Apresentem-se, porque é o único meio de conhecer outra pessoa como ela é. Claro que ela pode simplesmente não querer vocês como conhecidos e conhecedores; faz parte da liberdade de arbítrio escolher nossas companhias. Mas ainda assim apresentar-se é um meio inteligente de abraçar a realidade e livrar-se da fantasia.

Apresentem-se. Conversem, tentem tirar suas dúvidas e construir suas pontes emocionais e lógicas com outros humanos neste planeta. Todos tem algo bom e algo ruim para compartilhar. A grande maioria de nós possui algo de bom, em maior quantidade e qualidade, que algo de ruim. Dialogar é o único caminho para filtrar suas relações.

Mas o diálogo é uma segunda etapa. Apresentar-se a alguém é pré-requisito para se conhecer este alguém. Por isso o Drops de Sanidade já trouxe os meios de contato para que todos se apresentem e eu me apresente. Vou ressaltar que o telefone pessoal mudou (pela última vez, graças à portabilidade numérica) e agora é 8777-1999. Continuo não atendendo chamadas com identificação inibida. Questão de princípios.

Sou justo e severo em minhas relações pessoais. Sou generoso e mesquinho, também. Em suma, sou humano de carne e osso. Apresentem-se, e conhecerão o ser vivente por baixo do ser que aparece aqui em letras frias e números frios. Aí aceitarei o seu julgamento com respeito e dignidade, porque somos livres para avaliar o que nos serve ou não.

Julgar-me apenas pelo que surge no mundo virtual não evoluirá nem a vocês, nem a mim. Aqui represento um papel muito menor que o que exerço na vida prática: o de ser homem incompleto e imperfeito. Por isso mesmo buscando aprender o máximo com o máximo de pessoas que eu puder conhecer. Apresentando-me.


quinta-feira, 24 de março de 2011

Quando o paciente ama a doença

Existe algo que me intriga muito. Conheço pessoas que são, visivelmente, desequilibradas do ponto de vista psicológico. Elas não me intrigam por causa do desequilíbrio, mas porque se recusam a procurar ajuda especializada.

Sabem que a doença as diminui, limita e até incapacita para a vida social mais corriqueira. Mas amam a doença, com um amor que é tão doentio quanto a própria enfermidade. Às vezes, ainda coroam todo este absurdo com pedidos de socorro que são falsos: se aparecer alguém querendo ajudar, ficam revoltadas porque alguém se prontificou a dizer-lhes a pura e simples verdade. Que estão doentes de forma severa e que exige tratamento e ação afirmativa para se curarem.

Quando o paciente ama a doença, a lógica mais elementar se esfarela. Nessa situação, o médico vira o inimigo a ser combatido.

terça-feira, 22 de março de 2011

Por que ter medo do Psicólogo?

"A mitomania – compulsão mórbida pela mentira – está longe de figurar apenas no universo infantil, nas lorotas de pescador ou em clássicos contos como o de Pinóquio. A necessidade descontrolada em freqüentemente fazer uso dela é estudada por segmentos da psiquiatria como um transtorno específico de personalidade que merece atenção e cuidados."

Fonte: CELERE, Solange - World Wide Web - www.mmais.com.br - disponível em http://www.mmais.com.br/materia.cfm/idedicao/13/tb/noticias/id/374, acesso em 22/03/2011

Homens mentem. O trabalho policial nos condiciona a entender essa necessidade e essa característica humanas. O bandido mentirá sempre, o tempo inteiro, não importando o custo particular ou social do alcance de suas mentiras. Não importando o quanto ele perderá, o quanto a sociedade perderá, o quanto o Estado perderá. Um bandido mente de forma tão corriqueira que não é difícil interrogá-lo porque não colabora: é difícil interrogá-lo porque a enxurrada de mentiras torna a filtragem das informações um trabalho excruciante.

Mas estamos falando de um bandido, ora bolas. Na vida do cidadão comum, a mentira não alcança este nível de apodrecimento severo da personalidade. Pessoas não deixam de ser perfeitas quando mentem, simplesmente porque pessoas perfeitas não existem.

Mentir pode ser um ato de defesa, de caridade, de mesquinharia, de solidão, de tristeza, de euforia descontrolada, de ódio, de preconceito, de carinho, de oportunismo. Não se pode avaliar a mentira pelo que ela é, nem se pode avaliar a pessoa porque ela mente. A mentira é, nós somos. Ponto.

Somente profissionais muito gabaritados podem traduzir o exato momento em que morre o ser humano e nasce o monstro. O mitômano voltado para o mal é monstro, porque perde o elo com a realidade que o cerca, para só reconhecer a realidade que o agrada. As duas, infelizmente, não se dialogam.

Nesse contexto, a única e última esperança de salvação é a consulta a um bom psicólogo, que pode ajudar a pessoa a se compreender, a compreender porque mente de forma compulsiva e irrestrita (principalmente para si mesma), a buscar um ponto fora da curva de autodestruição em que se encontra.

Por que ter medo deste profissional, então? Afinal, nunca é tarde para se salvar uma vida.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Instigando a análise

Quando o dinheiro não cabe no mês, estamos diante de um brasileiro mediano. As contas são mais velozes que o salário, para a grande maioria. Quando o mês não cabe no dinheiro, estamos diante de um enigma. As contas estão vindo mais devagar ou o mês está ficando mais rápido? Ah, deixei de abordar o uso consciente do dinheiro não porque não exista, mas porque não é um enigma.

Impossível comprar em minha terra

Lucidez ou uma Ferrari em concessionária. A notícia boa é que lucidez não precisa ser comprada. Adquire-se sem investimento financeiro. A notícia ruim é que muito pouca gente anda querendo adquirir. A lucidez, não a Ferrari...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Só em meio expediente, não rola

Se é para ser homem, que seja em tempo integral. Isso de só ser quando convém não desce pela minha garganta. Pode valer a pena para quem há muito tempo perdeu o vocábulo "caráter" no dicionário de bolso. Mas eu gosto mesmo é do Aurélio e do Houaiss, queles calhamaços de cinco quilos cada um. Por isso, só sei ser homem em tempo integral.

Para quem não sabe, deixo uma dica: as horas, os dias, as semanas, os anos, as décadas e os séculos só fazem sentido quando analizados em sua integridade. As pessoas seguem o mesmo padrão, com uma diferença, conheço meia hora, meio dia, meia década. Mas meio homem não conheço. Quando vejo um que poderia se enqudrar no contexto, considero-o como sendo uma anomalia da natureza. E não mais que isso.

P.S - Minha memória não é flash. Não se apaga sem que eu queira fazer isso.