quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Mudou para melhor

Ontem à noite eu estava observando a iluminação da minha rua e também a iluminação de todas as ruas que eu podia enxergar a partir da minha varanda. É absurda a diferença de qualidade entre a nova iluminação pública e a antiga, é como se tivéssemos trocado lampiões a querosene por holofotes nos postes.

Mudou para melhor. Para muito melhor, sem dúvidas. E faço este registro baseado na decência, mas não na eficiência. E vou explicar porquê.

Compreensivelmente, há pessoas na Prefeitura que se queixam da falta de divulgação dos bons feitos. Há setores do Executivo que reclamam das regras do jogo político, mesmo sabendo destas regras antes de iniciarmos esta partida de agora. Portanto, há pessoas lá que são ou ingênuas ou muito mais mal intencionadas que os setores sociais adversos, aqui fora.

Vamos aos fatos: esta nova iluminação é um trabalho muito bom. Promove segurança pública indireta, economia de gastos com faturas de energia elétrica para o poder público, amplia a visão de trânsito à noite e torna a cidade um pouco mais bonita, entre outros benefícios.

Mas ninguém sabe, com certeza, a quem agradecer este trabalho. Nunca se informou com transparência se o Projeto original saiu de uma cabeça pensante da Prefeitura ou se foi, pelo menos, bem aproveitado por um valor de nosso Executivo local. Ao que me consta, pode ter sido oferecido e ainda ter havido alguma má vontade em sua adoção.

Como é um sucesso, fica o sucesso como mérito puro de nosso Executivo. E aí enveredamos pelo outro lado deste sucesso: seu custo e sua fonte de financiamento. Vejo a nova iluminação como um bom investimento de João Monlevade, mas numa hora em que o Caixa e a situação financeira estão abalados e impotentes. Numa hora em que fazer dívidas de longo prazo significa comprometer uma Administração que poderá não ser mais essa. Porém o comprometimento da cidade fica garantido com a dívida a se pagar no futuro.

O outro lado da equação envolve um raciocínio que já fez parte aqui do Drops. Este custo seria plenamente absorvido, por exemplo, pela coleta pública de lixo em João Monlevade. Mas o dinheiro vai para uma empresa privada. Ninguém se manifesta oficialmente sobre estas duas questões, há tempos.

Falta transparência. Falta luz nos métodos, ainda que agora esteja sobrando luz nas ruas. Um bom projeto, que nenhum ator social relevante da cidade sabe a quem elogiar, aí está aguardando a transparência para que seu real autor seja reconhecido a admirado pela visão.

Mais tarde, posarei um alerta importante e vital para as finanças públicas da cidade, pertencente à seara da energia elétrica. Já adianto que a Prefeitura consta nele como vítima, junto com toda a população monlevadense. Vejamos se é possível adotar ações proativas neste aspecto, porque muitas outras ações proativas jamais foram tomadas por aqui.

Por decência, aviso que continuo incrédulo. Este elogio saiu de esforço individual, não da técnica adequada e ética para obtê-lo, partindo do Executivo Municipal. Ainda assim haverá quem reclame afirmando que não se trata de elogio. É sim, mas não foi buscado nem merecido por trabalho competente. Por isso, tão poucos elogios acontecem na esfera do ambiente social de João Monlevade. Falta empenho em buscá-los com a transparência necessária.

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