quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Um cofre em movimento

Ontem, parei por uns vinte minutos na esquina da Rua Armando Batista com a Av. Getúlio Vargas, ali em frente ao Ulete Mota. O que vi foi de arrepiar, em matéria de desrespeito à legislação de trânsito. De cada seis motoristas que cruzaram o meu caminho, um estava falando ao celular. Observei três invasões de sinal vermelho,  bem como várias paradas irregulares em fila dupla e em local proibido.

Nem vou falar do estacionamento ilegal, já que esta realidade todo motorista da cidade conhece bem. Estacionar no Hipercentro virou cruzada contra a leviandade dos outros. Vou deixar de lado as motocicletas sem placa e os ambulantes de tudo que se possa imaginar vendendo sem controle sanitário algum, ou sem controle fiscal algum.

E neste ponto, me pergunto: o que eu faria se fosse o gestor desta realidade? Avanço na dúvida: o que eu faria se estivesse já com a popularidade mínima e com o caixa idêntico? Estas perguntas viriam após eu me perguntar qual seria o meu real papel na figura de Gestor Público, muito antes de eu me perguntar qual seria o meu papel como animal eleitoral. Eu entendo que os dois convivam num mesmo corpo e espírito, é lógico.

Mas um deve sobrepujar ao outro. Não preciso dizer qual dos dois tem que ser mais relevante. E o hipercentro comercial é um cofre em movimento, assim como é também um mar de irresponsabilidade e de anticidadania.

Zé Henriques possui a mesma inquietude que eu: porque não há fiscalização efetiva? Será pelo fenômeno nacional da bandalheira, que faz com que os brasileiros não saibam viver num país civilizado e obediente às leis? Será comodismo ou oportunismo eleitoral possível? Será pela crença de que o que temos é que está correto?

Para um Executivo que não tem dinheiro nem índole moralizante, este fenômeno não quer dizer nada. Para mim, seria a redenção absoluta: o caixa estaria fortalecido, a educação cidadã estaria fortalecida e os votos perdidos nesta ação moralizante estariam mais do que compensados, pelos votos obtidos entre quem gosta das coisas corretas.

E votos tem peso. E preço. Uma história de vida ética e decente tem peso, mas não tem preço que possa pagá-la.

P.S - Não existe fúria de arrecadação onde existe fúria de transgressão à Lei. Fúria arrecadadora vem de taxas, enquanto a arrecadação que advém da educação forçada é apenas a justa punição dos vagabundos éticos que enchem nossas ruas.

Um comentário:

Manthis disse...

Célio,
Garanto a você que se tivéssemos 1 fiscalização da vigilância sanitária em Monlevade por semana, o setor fecharia o ano sem depender de 1 centavo de repasse da prefeitura para se manter.
Mas é mais cômodo gastar o Fundo de Participação e outros recursos do que investir definitivamente em fiscalização. Empresas grandes já chutaram o balde muitas vezes, e não deram nada de contrapartida.
E vamos subindo a montanha.