terça-feira, 7 de junho de 2011

Greve em ótimo momento

Preciso parabenizar o Sintramon. A organização de uma greve dentro dos parâmetros da Lei é uma atitude de dignidade e precisa ser reconhecida. Há tempos, movimentos grevistas eram pautados pela anarquia: parava-se de trabalhar e pronto. O Poder Judiciário declarava estas greves ilegais e colocava um fim à baderna.

Adotada como legítimo mecanismo de pressão e dentro dos limites estabelecidos em Lei, a greve dos servidores públicos de João Monlevade manterá a escala de serviços essenciais em operação. E aí reside a ótima notícia para todos nós.

Qual é o serviço essencial que não está funcionando há mais de dois anos? Isso mesmo, o serviço de efetivamente governar a cidade. Ele é o mais fundamental de todos. Portanto, com a greve, existe a remota possibilidade de que este serviço seja finalmente considerado essencial também pelo pelo governo, e passe a ser oferecido com qualidade para a população.

E tudo isso graças ao Sintramon, que escolheu o caminho da legalidade. Sem abrir mão dos seus direitos de dignidade, representados coletivamente. O único risco envolvido é de de que a Prefeitura aproveite a greve para se omitir de suas responsabilidades, mais uma vez. Eu não tenho estômago para ouvir que as coisas pararam de andar maravilhosamente, só por causa do movimento de reivindicação salarial dos servidores.

2 comentários:

Servidor Municipal disse...

O movimento grevista está pautado pela legitimidade, e isso é irrefutável. Sou funcionário público e vivi situações ridículas em assembleias da era "Xerife". Certa vez, a massa contratada do setor que trabalho foi obrigada a votar a favor do aumento sugerido pela administração, onde pateticamente assistimos ao protesto dos comissionados defendendo com unhas e dentes a proposta da base governista. Os tempos são outros, hoje pelo menos podemos expressar nosso descontentamento sem medo de represálias da chefia, coisa inimaginável na administração anterior. Não estou defendendo o "Prandinismo", pois comprovadamente não foi capaz de atender à demanda da coletividade monlevadense. Acontece que foram equívocos políticos diferentes, e pela ótica de um servidor (pelo menos a minha) essa administração nos possibilita expressar o que pensamos sem viver a tortura psicológica de outrora.

Célio Lima disse...

Seu comentário tem uma base lógica que é sólida. Não quero ser apenas mais um a pautar comentários vazios a respeito da dignidade, que os servidores precisam ter respeitada como fundamento de sua própria razão de ser.

O que é necessário avaliar, sempre, é a evolução histórica do resgate de uma cidadania, mesmo resumindo-se este resgate a um índice de reajustamento financeiro de proventos.

Números isolados à parte, de 2009 até o presente momento todos os servidores foram esbulhados em sua dignidade mínima. Impedir que se manifestassem dentro das regras democráticas seria, simplesmente, adotar um regime totalitário.

Agradeço muito o comentário, enriqueceu minha análise primária de forma bem eficaz.

Um grande abraço.