quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Comunicação de qualidade

Não represento órgão de imprensa, não sou jornalista, não me considero formador de opinião e não tenho qualquer interesse em usurpar nenhuma dessas funções sociais importantes. Entretanto, frequento o limiar do que seria o universo de comunicação na cidade. Algo como um satélite de luxo, já que o Drops é lido justamente por quem acaba formando opinião pública entre um segmento que existe: o de monlevadenses que não delegam a outros a tarefa de pensar.

Canso de receber comunicados inócuos, sobre um aperto de mão que aconteceu aqui, uma obra que está pronta para sair do papel acolá, sobre um prêmio que será destinado ou recebido ali mais além, etc. Simplesmente ignoro e mando às favas, porque não usurpo o papel de ninguém.

Mas nunca recebi nada importante para ser analisado, o que me faz criticar com extrema facilidade - basta emitir a minha opinião - e elogiar com extremo sacrifício pessoal, porque tenho que fazer toda a pesquisa prévia sozinho, para enfim manifestar o que penso de forma positiva.

É óbvio que um dos trabalhos mais importantes de uma Assessoria de Comunicação é facilitar o trabalho de quem queira elogiar, de forma justa, a Instituição que ela representa. Trata-se de estratégia rasa.

Para a situação de litígio atual entre a PMJM e o Sintramon, por exemplo, não recebi nenhuma documentação fundamental que ampare os argumentos apresentados em sua totalidade. Por um lado a PMJM quer ou não revogar a Lei 920/89? Se sim, baseada em que novos princípios norteadores de política remuneratória para estes profissionais? Serão avanços ou retrocessos que estão sendo propostos?

Por outro lado, o Sintramon não me enviou uma tabela maciça de vencimentos básicos e seus quantitativos de ocupantes dos cargos (P1 a P6), para que eu tivesse hoje a correta dimensão de quantos professores recebem ou não o Piso nacional de Salários.

É óbvio que nem a PMJM nem o Sintramon tem a mínima obrigação de me informar estes dados. E é mais óbvio ainda que não sou interlocutor nesta questão. O que me pergunto é como o universo da discussão política pode se degradar a ponto de não haver o esforço para obtenção de aliados no debate, que é sério e que afeta de forma brutal grande parte da população monlevadense.

Resumir é para arrivistas. É fácil dizer que pais e alunos estão prejudicados, é fácil dizer que professores são algozes (ou vítimas) nessa questão, é fácil dizer que o Poder Público é inerme (ou correto) em adotar suas medidas.

O que se torna difícil é manter um nível elevado de comunicação, quando as estratégias estão difusas e o embate superou os limites do debate. Não gosto da Monlevade que se recusa a ser mais preparada para enfrentar este tipo de questão, até porque a dinâmica da Democracia prevê estes momentos com relativa frequência.

3 comentários:

. disse...

Caro Célio, Não represento a PMJM nem o SINTRAMON, mas sou um dos que tem sofrido na pele os efeitos da falta de diálogo do Prefeito. Tentarei responder aos seus questionamentos:
1º)A lei que vigora até hoje, a 820/89, dispõe uma diferença de 20% de um nível(Qualificação) para o outro (P1 a P6).
2º)O Piso salarial nacional, que equivale ao P1 é de R$1.078,00.
3º)Em vez de aplicar este piso salarial de acordo com a lei vigente(820/89), o prefeito está propondo empacotar os níveis 1,2e3 pagando o piso e para os níveis 4,5 e 6 ele está propondo dar um aumento de 6,31 para cada nível= achatamento salarial.O número de de professores p4 a p6.
4º)Isso pressupõe retrocesso e perda para, principalmente, aqueles que tiveram que estudar um pouco mais para chegar a p6, o que representa maioria aproximada de 96% do professorado.
5º)Ele afirma não ter caixa para tal...
6°) Na lei do piso, há um artigo que diz que se o município não tiver como pagar, o governo complementa.
7º) Por que, então, ele não vai buscar tais recursos? Acredita-se que a verba federal (FUNDEB)não tem sido muito bem administrada ...e, para receber tal complementação é preciso provar que ...
8º) Daí, essas contas não são abertas, sabe-se lá o porquê...(?)
9º) O prefeito conhece esta lei que data-se de 2008 e até hoje não a cumpriu ...
Espero ter ajudado à sua compreensão.

Anônimo disse...

Caro Célio,
a Lei do Magistério do Município de João Monlevade é a Lei 920/89 e não 820/89.

CÉLIO LIMA disse...

Obrigado pela correção, já editei o texto.