quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Morte anunciada

O futuro ex-Ministro da Defesa da República, Nelson Jobim, está realizando uma faxina solitária e inédita em Brasília. A faxina do conluio em torno da sub-mediocridade. Ao declarar que votou em José serra (azar dele, mas um direito dele) na semana passada, acendeu o fogo debaixo de sua própria frigideira.

Agora, ao declarar que as ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann são peças de decoração (quem não conhece as duas não se preocupe, isso é trabalho para os trouxas que analisam a política), Nelson Jobim garantiu o seu caminho para descansar e fazer algo mais construtivo a favor do país (com sorte e com as bençãos de Deus, porque Jobim também não é nenhuma Brastemp política).

O positivo, o encorajador aqui, é o fato de que alguém está se dando conta de que resultados pífios não podem sair de uma equipe primorosa. E resultados primorosos não tem como sair de uma equipe pífia. É um passo para amadurecermos nossa reflexão sobre a política nacional.

Somos um povo sem qualquer expectativa de evolução, porque não acreditamos no que é mediano. No Brasil, alguém tem que ser apresentado como guru, excepcional, diferenciado, acima da média. Quando os resultados horrendos aparecem, aquela apresentação inicial permanece lá, como uma piada de mau gosto, assombrando os incautos.

Fôssemos apresentados como o que somos, homens medianos porém dotados de vontade de trabalhar e evoluir, os resultados não seriam vistos com os olhos da maldade pura. Fôssemos éticos o bastante para, sendo abaixo de medíocres não ocuparmos o lugar, os lugares estariam sendo ocupados por gente mediana, ordeira e capaz de executar tarefas corretamente.

Talvez seja um primeiro passo para o Brasil entender que há brasileiros não menos que primorosos e brilhantes. Quase a totalidade deles está trabalhando fora do Brasil ou não se interessa mesmo por política, porque esta é uma área em que os medianos deveriam prevalecer. De forma sincera, ou seja, recorrendo às mentes primorosas apenas quando necessário.

No mais, temos que agradecer a Nelson Jobim. Talvez o Brasil se repense como o país sub-medíocre que está sendo, deixando de se apresentar como o fenômeno que não é e passando a trabalhar na média das ações que se vêem no mundo político civilizado. E tudo graças a Nelson Jobim, o homem da Piauí.

Nenhum comentário: