sábado, 27 de março de 2010

Quando a boa praxe é crime eleitoral


Quem percorre este espaço sabe que não sou lá muito sereno. Os que me conhecem pessoalmente sabem que eu desperto ou carinho ou rancor, mas nunca compaixão ou indiferença. Isso é bom. O maniqueísmo não serve pra quase nada, mas para filtrar o caráter, ah, funciona!

O leitor Ronaldo Lage lembrou das vedações de doação previstas na Lei Eleitoral. Eu nunca discuto se uma Lei é boa ou não, eu discuto sempre a Agenda Oculta atrás dela. Vamos analisar.

Permissionárias e concessionárias de serviços públicos não podem doar para campanhas. Fato e Lei. Emissoras de rádio e televisão são permissionárias de serviços públicos. Fato e lei. Essas emissoras, na maioria esmagadora de suas vidas, estão sob a propriedade de políticos brasileiros, via menções abertas ou via laranjas fechadas. Fato, mas não Lei.

Campanhas de interior são movidas a rádio. Fato. É a mídia popular por natureza. Quase todas as cidades do interior não possuem estúdios profissionais de gravação de áudio, exceto os estúdios das rádios. Fato.

Os nossos legisladores idiotas (na grande maioria) esqueceram-se de considerar esta variável na elaboração da Lei Eleitoral em 97 e nas regras subsequentes. Consideraram um grande avanço impedir qualquer concessionária ou permissionária de serviço público efetuar doações reais ou estimáveis de campanha.

Nem se coçaram, até hoje, pela necessidade do financiamento público das mesmas, pelo voto distrital, pela preponderância do partido sobre o mandato, e outras coisinhas. Fato.

Então, o que estes imbecis elaboraram foi um Frankenstein que gera a seguinte situação: candidatos do interior que se lasquem para viajar (às vezes quilômetros sem fim) até o estúdio particular mais próximo de seu domicílio eleitoral para gravar os programas de campanha. Os políticos dos grandes centros, claro, estão perto destes estúdios.

Eu também sou burro o bastante para acreditar que isto é procedimento discriminatório e desbalanceado: alguns candidatos, menos favorecidos financeiramente, acabam gastando mais que os que possuem melhor condição financeira para fazer suas campanhas!

A Constituição garante igualdade plena aos brasileiros. Mas neste caso, abre-se uma exceção. E abre-se a porta para que algumas gravações de programas de campanha, efetuadas em estúdios de rádio, gerem Notas Fiscais de estúdios particulares em outros locais, alguns bem distantes. Estas Notas são tão quentes quanto o Pólo Norte. Mas não dá para rastreá-las, e aí... "O que o olho não vê o coração não sente e a Lei não alcança..."

Este é nosso Brasil de intelecto vasto. Mas é o nosso Brasil e nós é que temos que mudá-lo para melhor. Muitos candidatos nas eleições de 2008 estão vivendo um inferno pessoal à conta desta "genialidade" de nossos legisladores.

NUNCA ME LEVANTO CONTRA A LEI. VIVO DE CUMPRÍ-LA. QUE ISTO FIQUE BEM CLARO.

Só não me peçam para acreditar que a campanha de 2008 em João Monlevade teve programas de campanha totalmente gravados ali em BH, com candidatos subindo e descendo a 381 nossa de cada dia. Ou ali em Ipatinga, com candidatos subindo e descendo a 381 nossa de cada dia.

É claro que passarei a acreditar se aparecerem Notas Fiscais, de estúdios profissionais em João Monlevade, datadas do ano de 2008. E me redimirei em público deste tópico, afirmando que as gravações ocorreram em estúdios privados daqui.

Até lá, ficarei com uma certeza: Gustavo Prandini e Wilson Bastieri não foram apanhados pilhando cofres públicos. Foram apanhados fazendo algo incomum para o Brasil: declarando e assumindo - ingenuamente, digo - um fato que a Lei definia como proibido, na forma que já explicitei logo acima.

Portanto, meu voto nos dois não representa nenhum motivo de vergonha. Exercitei a minha parcela na construção democrática. Ainda que esteja p... da vida com a ingenuidade e o desmazelo com relação às contas de campanha, sinto-me feliz que não houve a apresentação de uma Nota Fiscal dos Estúdios Tabajara, por parte deles.

Esta Nota Fiscal "Tabajara" teria, como mágica, o condão de eliminar nossas discussões de agora. Gustavo e Bastieri governariam até 2012 debaixo de fogo pesado, como teria que acontecer. Mas sem a falsa pecha de malandros e picaretas, que vai começar a circular logo, logo... A Bola de Cristal do Drops não falha.

Esta Nota Fiscal "Tabajara" teria feito com que me afastasse deles enquanto pessoas. Dos políticos que são estou suficientemente afastado, para ter direito de crítica. E de reconstrução do projeto político, a partir do momento em que forem julgados em última instância.

A Democracia cresce no debate. Na vitória. Na derrota. Na alegria. Na dor. Somente ela produz conhecimento pleno do que seja cidadania. Não abro mão e defendo-a com unhas e dentes, se for preciso. Inclusive defendo os anônimos de bem que postam aqui. Os caluniosos, não. Serve para todos. Continuarei deletando tudo o que for calunioso, seja contra qualquer grupo político da cidade.

No mais, continuo convidando para a reflexão sobre as muitas Agendas Ocultas que nos envolvem todos os dias. Inclusive as minhas, como já alertei tantas vezes. Este Drops eu garanto como democrático em sua essência...



7 comentários:

Marcos Martino disse...

Célio, de uma ou de outra a história ( ou estória) vem sempre se repetindo. Se formos analisar, a saga cristã também tem muitos elementos parecidos com o que acontece no caso monlevadense. Também por lá, os juízes lavaram as mãos para a situação. Aqui também temos um Barrabás. Quanto à crucificação, para muitos será no dia 06 de abril. Só que desta vez, o Messias não está sozinho. Muita coisa ainda vai acontecer nesse curto espaço de tempo.

Anônimo disse...

Tudo isso é lamentável tanto pelo Prandini e sua equipe quanto para o nosso município. PERDEMOS TODOS.

E o pior de tudo isso é pensar que o Prandini está sendo cassado por causa do recibo de serviços (utilização do estúdio) da rádio Alternativa 1. É duro.

Fico com dó do contador que fez esta cagada. Inexperiência? com certeza, mas NÃO DESONESTO. Está pagando o preço por ter cometido um PECADO CAPITAL DA POLÍTICA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA: SER HONESTO. O contador foi minuncioso na prestação de contas. Cumpriu a sua missão e prestou contas de tudo que de fato foi contratado e pago pela campanha do Prandini. Culpado? de forma alguma. O erro foi de quem delegou, ou melhor, contratou um inexperiente para uma tarefa tão importante.

Pra terminar, fica aí uma pergunta que não quer se calar: QUAL FOI ESTÚDIO QUE A CAMPANHA DO DR.RAILTON UTILIZOU PARA GRAVAR OS PROGRAMAS DE RÁDIO? Com certeza a coordenação da campanha não UTILIZOU O ESTÚDIO DA RÁDIO DO MAURI (rádio Cultura). O Sr. Márcio Passos, coordenador de marketing da campanha, é um ser muito sério, coerente e honesto. Jamais permitiria que fossem utilizadas as instalações da rádio Cultura, não é mesmo? Muito pelo contrário, optou por alugar o estúdio de terceiros. ELE NUNCA IRIA UTILIZAR A RÁDIO DELES (Ô Santidade).

O pior agora, é que o Prandini vai entrar pra história como o primeiro prefeito cassado da história política de João Monlevade. Politicamente acabou. Curioso, pra não dizer trágico, chegou na política na velocidade de um meteoro e já vai embora do mesmo jeito. E que se diga de passagem: CASSADO POR EXCESSO DE HONESTIDADE.

Uma pena, pois quem o conhece sabe da bondade que existe em seu coração.

Que Deus o abençoe, sempre

Célio Lima disse...

Só não concordo com o apontamento de que Gustavo Prandini acabou politicamente. A ressurreição política não pode ficar restrita aos desonestos. E a decisão em segunda instância não precisa ser a definitiva.

Wir Caetano disse...

Olá, Célio. Sinceramente, também acho estranho que se tenha tanto rigor com algo que não implica em pilhagem de cofres públicos, quando assistimos a tanta impunidade no país. Mas é preciso considerar o seguinte: houve falha da assessoria contábil e jurídica do Prandini no período de campanha. Se a legislação veda certos procedimentos, é preciso ter rigor no atendimento à legislação. O problema não foi o zelo na prestação de contas. Foi, isso, sim, falta de zelo na análise da legislação. A prestação de contas veio depois. Gosto muito do Prandini, mas acho que ele foi vítima dos "amigos". Já disse ao próprio prefeito que ele tem amigos nocivos ao governo.

Anônimo disse...

Concordo com o post do Wir,porém uma leve correção: Prandini está sendo vítima de apenas um amigo. O mui amigo hipersupramaxi especialista em coordenação de campanhas eleitorais. Todo mundo que convive com o Prandini sempre o alertou do excesso de ouvidos que dá a tal sujeito. Taí um dos resultados. E espero que seja o último, pois com certeza, a se consumar o veredicto pré anunciado, a turma do Moreira-Mauri-Marcinho vai passar o pente fino na PMJM pra ver se sepulta de vez o PV e o PT.

Anônimo disse...

Célio,

vc está certo. Eu exagerei qdo afirmei q Prandini está morto politicamente. Li a pouco um artigo do Martino q fala do espírito de liderança do Prandini e eu tb concordo, mas tem um porém, o Gustavo não pode deixar uma calúnia ou denúncia de agora em diante sem resposta.
Toda mentira dita por quem quer que seja lá na Cultura, Mundial, Alfa, A Notícia e cia tem que ser imediatamente questionada pelo Prandini. Direito de resposta e se negado ação judicial por calúnia,difamação e o que mais couber.
Se optar pelo silêncio aí sim a liderança vai pro brejo.
Perdemos a guerra, mas a batalha só está começando.

*me desculpe o anonimato, mas a grande maioria não tem discernimento e acabam por misturar opinião pessoal com os relacionamento que a vida profissional nos exige para cunhar o pao nosso de cada dia.

Célio Lima disse...

Não se preocupe com este tipo de anonimato, eu o respeito. Não vale é o anonimato canalha e criminoso. Só queria perguntar se a frase correta não seria: "Perdemos uma batalha, mas a guerra só está começando"?

Um abraço e obrigado pela visita.