quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Um tsunami a caminho


A partir do fim de 2010, uma discussão muito importante acontecerá em João Monlevade, substituindo a atual especulação sobre a saída do empresário Lucien Marques da função de gestor do Hospital Margarida. O próprio empresário ainda não manifestou publicamente sua decisão, o que me leva a não especular sobre o tema, em respeito à credibilidade e coerência que defendo para todos.

Mas posso apontar fatos, o que nos dará uma indicação dos passos de Lucien no futuro próximo, sob o ponto de vista exclusivo da estratégia política de viabilizar o próprio nome para as eleições em 2012.

Vamos por partes: o motor de uma campanha eventual de Lucien - tendo como base o Hospital Margarida -é o CTI a ser inaugurado. O CTI vai incinerar dinheiro numa velocidade que João Monlevade jamais viu. Logo, precisará de custeio. Como não se falou de custeio até agora, já sinto cheiro de problemas na unidade de cuidados intensivos.

Na reunião da Câmara Municipal, no dia 06/10/2010, Sinval Dias cobrou da Prefeitura Municipal um destaque orçamentário para ajudar neste custeio. Logo, imagina-se que o dinheiro público está sendo sondado como uma das fontes. Mas porque não o dinheiro público do Estado de Minas, e sim o da Prefeitura Municipal de João Monlevade? Porque estes leitos de CTI destinados ao SUS serão imediatamente colocados à disposição do sistema, e não colocados à disposição de João Monlevade.

Isso significa que, havendo vaga, o paciente SUS ocupará os leitos. Pode ser que um monlevadense, necessitando de uma CTI, encontre todos os leitos do Margarida ocupados por cidadãos de outras cidades, mas com custeio da Prefeitura Municipal de João Monlevade. Estranho método de gastar o orçamento do município, sem dúvida.

Um leito de CTI plena custa em média, 1.600 reais por dia. O valor é médio, por favor. Não me cobrem exatidão porque a informação é meio que guardada pelos gestores de CTI´s Brasil afora. O SUS repassa cerca de 600 reais para este leito. Déficit por dia, para cada leito ocupado: 1000 reais.

Vamos imaginar que, numa CTI com dez leitos, seis sejam destinados ao SUS, porque o Hospital Margarida tem a obrigação contratual de atender ao SUS. Então, seis mil reais ao dia x 365 dias ao ano = 2.190.000 reais ao ano. Fora os demais custos do Hospital, que já demandam cuidados e repasses do Poder Público Municipal.

É só uma primeira pincelada. A Prefeitura irá pular num brejo sem saída ao aceitar colaborar com este custeio. Até porque ele não irá garantir atendimento de CTI aos monlevadenses, mas aos pacientes SUS do Estado de Minas Gerais em primeiro lugar.

Com este números iniciais, afirmo: caso Lucien permaneça como gestor do Hospital após a inauguração do CTI, ele não possui pretensões eleitorais. Seria uma caminhada danada de dura obter o financiamento para que o CTI funcionasse. Isso, claro, se a Prefeitura não assinar um convênio de pai para filho comprometendo-se a custear essa bomba relógio. Atualmente não duvido de mais nada.

Aposto que Lucien deixará o Hospital Margarida pouco após a inauguração do Centro Intensivo, se não houver fonte de custeio garantida para o mesmo. Porque o Hospital, por sua própria conta, não tem como manter o serviço. É matemática política simples. Só culpar a Prefeitura não iria livrá-lo de ter algum desgaste com a situação financeira do Hospital, em breve.

Na minha humilde opinião, mais uma vez, o Governo Municipal se verá diante de uma sinuca de bico. Ou será visto como impopular e desumano ao não ajudar no custeio da CTI, para logo depois ser acusado da responsabilidade de  impedir que ela funcionasse, ou ajuda no custeio da CTI e catapulta para o alto o grupo político que a colocou lá, ao custo de milhões para o município.

Construir a CTI era a parte fácil. Mantê-la funcionando nos próximos dez anos é que fará a verdadeira diferença. Volto ao tema mais tarde.

Um comentário:

Anônimo disse...

Gostei do seu comentário,mas fico pensando com Itabira faz para manter 2 hospitais com quase 20 leitos de CTI;e Ponte Nova também com 2 hospitais com CTI!Isso é questão de prioridades.É só o prefeito demitir um montão de cargos de confiança que estão sugando a prefeitura e não dão resultado.Por que no governo de Moreira tinha dinheiro sobrando e neste está faltando!Não me venha com conversa de crise.ITabira foi mais atingida pela crise e a situação financeira lé tá tranquila.É problema de gestão.Nesta questão do CTI seria interessante saber quanto a prefeitura gasta com deslocamento de UTI móvel e quantas pessoas perdem a vida por falta de um CTI na cidade.Isso é questão de prioridade e se eu fosse vereador entrava com um projeto de leito para custeio desse CTI.Como vejo que você está indignado com essa situação não seria interessante entrar com uma ação civil publica junto ao Ministério Público para essa questão!