quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Transgressões


Avanço nenhum pode ocorrer onde não há um pouco de transgressão. Não aquela que viola as leis, porque isso é simplesmente crime. 

Mas aquela que viola códigos e condutas cimentados no resultado conhecido e previsível. A transgressão faz com que o indivíduo cresça para além de si mesmo, quando executada sem buscar o mal para outras pessoas e liberdades.

Em Monlevade e em outros lugares do mundo, a transgressão não é bem vista. Ela se confunde com o crime, num amálgama que precisa ainda ser traduzido para a opinião do povo. Transgredir não é prejudicial, a menos que se queira apenas prejudicar. E o prejuízo de outros não é transgressivo nem inédito: ocorre desde os tempos das cavernas.

Blog é espaço pessoal. Por isso falo tanto em primeira pessoa, aqui no Drops. Para não ser pessoal teria que possuir linha editorial, redação qualificada, emprego de técnicas e saberes que pertencem à seara do jornalismo. mais uma vez: jornalismo é para jornalistas. O que ofereço é opinião, risco, transgressão e caráter.

Não caibo em todos os rótulos. Sei os que me traduzem e os aceito sem problemas. Quanto aos demais, não me servem. Opinião emito há mais de dois anos aqui, com irrelevância mas com atitude. Risco corro desde que nasci e até o dia em que não nascerei mais. Transgressão realizo todos os dias, todas as horas, contra a realidade construída através de outra coisa que não a realidade e os fatos. Caráter é o que costura toda essa engenharia complexa numa pessoa comum.

E não sou o único. Há poucos dias afirmei que nosso município deve se orgulhar de possuir pensadores em atividade. Nós os temos em João Monlevade, e são muitos. Faltam ativistas em evidência ainda, mas é questão de tempo para que surjam em nosso horizonte. Somos de alguma forma abençoados neste aspecto.

E Monlevade não é uma ilha. Ela é um microcosmo que traduz o Brasil. Somos povo.

O que falta reconhecer é que o povo é soberano, mesmo no que consideramos ser a sua ignorância. Desconsiderar a soberania de um povo é atacá-lo com o maior dos venenos, a mais tóxica das substâncias, o mais mortal dos preconceitos. E costuma render a mais indiferente das reações.

Porque o povo, na sua "ignorância", sabe que os indivíduos e cargos e orgulhos são transitórios. As sociedades permanecem, nós não. Muito depois que meus netos tiverem tido netos e eu não for mais que pó de tempo, João Monlevade ainda estará aqui. Viva e esquecida de mim e dos meus contemporâneos.

Só as transgressões, quando benignas e positivas, permanecem na história e na memória de um povo.

Um comentário:

Unknown disse...

Meu caro "irmãozinho", mais velho:

O POVO Monlevadense não precisa reconhecer, pois não SABEMOS,nem o que quer dizer, a palavra CONHECIMENTO.

Infelizmente, mas é verdade: É duro pacas, mas bastante desgastante mesmo, ENSINAR às pessoas, coisas básicas, como atravessar a Rua, quando o sinal está fechado...

Por quê? Por que são todos burros?
Não, muito antes pelo contrário, de tão espertos, pensam que vão ENGANAR a todos, com suas opiniões e escolhas, e sempre vão levar vantagem em alguma coisa.

Quase todos os dias, pessoas desta sociedade, saem de suas casas, prá luta do dia a dia, sem querer "Levar desaforo prá casa", é o que dizem. Mas, ante a cada percalçozinho, se perdem a chorar as mágoas, esperando que outros façam, o que deve ser feito por elas.

E quando digo isso, falo a respeito do que vejo. Pessoas acomodadas, às quais são explicadas passo a passo, o que estas podem/devem esperar dos orgãos/instituições, assim como quais procedimentos elas devem ter, em cada etapa tomada em prol de seus anseios/necessidades.

E, é claro; Mais de 98%, adoram chorar e se lamentar, por que ninguém quer viver suas vidas prá eles...

E estranho é que, até hoje não vi nenhuma criança que estivesse com seus Pais ou responsáveis, atravessar a rua sozinha, sem dar-lhes a mão, nesta parte do trajeto.

Estes "adultos" do povo, querem a mão estendida,depois serem carregados nas costas, até quando?