quinta-feira, 24 de março de 2011

Trem de doido...

Quem está destruindo a carreira política de Gustavo Prandini está fazendo um ótimo trabalho. Impecável mesmo. Eu, se fosse contratado para realizar essa tarefa, não conseguiria resultados tão expressivos. Bom, o jeito é reconhecer minha incompetência neste quesito e elogiar, quem quer que seja, o mágico responsável por pérolas como a que se seguirá:



(Clique na imagem para ampliar)

Como é visível, no segundo semestre de 2010 o Partido Verde em João Monlevade repudiou em carta aberta à população o seu único representante legal no Poder Legislativo. Os demais são representantes legítimos, mas as duas coisas não se confundem.

No documento público - e notório - existe a menção expressa de que o repúdio se devia ao fato de o Vereador Carlos Lopes aliar-se e unir-se a candidatos que "a todo o momento tentam prejudicar o desenvolvimento de nossa cidade." (Grifei)

2011: o vereador Carlos Lopes vota favoravelmente a uma das matérias mais infames de que já ouvi falar em políticas públicas. O empobrecimento da cidade em favor de uma gestão tão caduca quanto o fato de que o Prefeito do Partido Verde foi procurar um dos candidatos que "a todo momento tentam prejudicar o desenvolvimento de nossa cidade". Estou usando minha pouca inteligência para deduzir, porque em 2010 Carlos Lopes se alinhou a Mauri Torres no pleito ocorrido. A Carta Aberta não deve deixar dúvidas, portanto, de que Mauri Torres seria um desses candidatos, ou teria sido excluído (elegantemente) do texto.

Gente, confesso que não estou entendendo mais joça nenhuma. Alguém traduza para mim em linguagem simples, porque senão vou ficar mais perdido que calcinha em casa de favores.

Afinal, quem é adversário de quem nesta bagunça toda? A Assessoria de Gustavo Prandini, ao permitir que ele se prestasse a este papel servil e esmolatório (depois de desancar a figura do agora intermediário possível do favor), desceu mais um degrau. Com uma assessoria dessas, Gustavo Prandini está infinitamente menor que aquele político dinâmico e arrojado que se apresentou à cidade.

Como já repeti trocentas milhões de vezes, não tenho nenhuma simpatia especial pelos Prefeitos que passaram por aqui. Digo que Monlevade ainda não viu um estadista no seu comando executivo, sem medo de errar ou de cometer alguma injustiça. Mas vi alguns bons exemplos de vida pública dedicada, o que já é muito bom.

Porque um estadista é construído pela qualidade de sua assessoria. Aí está a resposta.

Para quem conhece o jogo político, que é igual para todos mesmo não sendo justo, vai uma dica: será difícil o  Prefeito de 2011 conseguir o que o Prefeito de 2010 cuidou de complicar, através de sua assessoria e de seu partido.

O que me intriga é que Gustavo Prandini e sua assessoria tem qualidades. Lógico. Senão não conseguiriam aprovar uma espinha de bacalhau como a venda de terras públicas de João Monlevade. Significa que entendem as regras do jogo e estão jogando. Então porque reclamar se as regras devem valer para os dois times em campo? Ou só vale se o Juiz estiver de um lado?

A pessoa de Gustavo Pranidini está se descolando, depressa demais, da figura do Prefeito Municipal. Isto não é produtivo nem útil para a pessoa de Gustavo. Porque a figura do Prefeito vai passar, em mais ou menos anos. A pessoa permanecerá.

E, a título de informação preciosa: a História pode ser resgatada sempre, nem que seja apenas pela memória de quem a viveu. Mas hoje em dia, as coisas estão muito mais simples. Guarda-se um papel aqui e outro ali, pesquisa-se um cachê do Google (ele nunca esquece o que passou por suas páginas) e voilá! Aquilo que imaginávamos seguro retorna para nos assombrar. Por isso não apago quase nada no Drops, porque é inútil.

Bem vindos ao mundo moderno. Mesmo que recheado de práticas antigas.

3 comentários:

Fernando Fonseca Garcia disse...

Esta postagem serviu para, finalmente, clarear minhas idéias a respeito do assunto. Parece que a estratégia é sair trombando em todo mundo, até a ultima criatura disponível.

Dias disse...

Olá nobre Célio, saudações!!!
Quem sabe se você indagasse ao Emerson Duarte ele seria capaz, numa linguagem simples, sanar suas dúvidas?
Confesso que é uma tarefa muito difícil nos parâmetros da normalidade.

Um abraço.

Professor Dias.

Célio Lima disse...

Obrigado pelas visitas, gente. Fernando, seu humor é igual ao de Judith. Até assusta de vez em quando, de tão refinado.

E Dias, aprendi com minha mãe que, se um navio está bem ou está adernando para emborcar e ir para o fundo, não importa: quem sabe o que fazer é o capitão. os outros devem obedecer sua experiência e sabedoria.

Sou turrão e antigo. Sem capitão, nenhum navio tem muito futuro, não é?