Chegou a data marcada para o show da vida, em mais uma tentativa de encerrar o show de horrores que a rodovia se tornou, há mais ou menos 15 anos na minha pouca experiência. É provável que mesmo antes deste período ela já matasse com fúria e com método, mas não tenho como informar com certeza.
Nos últimos quatro anos, pelo menos, tenho participado de muitos eventos voltados para acabar com o massacre. Todos eles, na minha modesta opinião, tiveram o seu valor. Não haverá na história da rodovia um "Salvador da Pátria", aquele que com um toque de varinha mágica encerrará o pesadelo.
Nem podemos permitir que alguém queira vestir esssa fantasia. Seria como dar um tapa na cara de todos aqueles queridos que se foram, numa reta ou numa curva qualquer. Quando este monstro estiver estrebuchando, terá sido por um trabalho duríssimo e coletivo, de avanços milimétricos e recuos quilométricos às vezes, mas todos eles protagonizados por muitas pessoas de muitos locais.
Todos que perderam alguém querido ajudaram, nem que seja pela revolta silenciosa, pelo grito da alma, pela ação mínima. Eu não sou louco, é claro que alguns protagonistas recebem mais atenção que outros. Mas o meu íntimo não elegerá um herói único. Eu elegerei os milhares de heróis pequeninos, as formiguinhas da 381 como eu já denominei aqui.
Hoje temos a oportunidade de marcar presença, mais uma vez. Peço a todos que puderem, que compareçam à Praça do Povo. Compareçam mesmo de corpo e alma, para aplaudir e para lembrar que artistas vivem da comida que é o carinho do público. Vamos ser carinhosos e entusiastas deste evento. É uma chance única e temos que aproveitar mais esta chance para um avanço. Mesmo que seja milimétrico, nós estaremos um milímetro mais distantes da barbárie.
Nenhum comentário:
Postar um comentário