segunda-feira, 4 de maio de 2009

E se Einstein fosse blogueiro?

Qual de nós teria a coragem e a competência necessárias para enfrentá-lo em um debate sobre física?

E se Galileu fosse blogueiro, algum de nós poderia ter chances de discutir com ele arquitetura, astronomia, ótica, arte, literatura?

Marie Curie, caso tivesse um blog, poderia ser arguída em questões sobre química, radioatividade e efeitos da radiação?

Qual é, afinal, o metro com que um blogueiro pode ser medido? Porque somos todos medíocres. Falo do estrito latino mediocre, que significa, como se pode imaginar, tudo que não seja estúpido demais nem genial em excesso.

Epa! Estamos falando de intransitivos nominais (não existe tal categoria na gramática da Língua Portuguesa, não se apresse em criticar). Se é estúpido ou genial, não precisa de outros complementos, não é?

Agimos como se precisasse haver, sempre, algum outro complemento. De certa forma, não nos conformamos em ser o que somos e queremos parecer sempre um pouco mais.

Confrontarmo-nos com os gênios nos dá a nossa medida. Somos medianos, sem nenhum demérito. Os gênios encontram-se, seguramente, em lugares que pouco tem a ver com João Monlevade e região.

Aqui ficamos apenas nós. Aqueles que, dotados do mínimo exigível de intelecto racional após alguns anos de aprendizagem mal direcionada, salvaram-se do sistema que nos torna um povo atrasado, vivendo num país atrasado, com um padrão de vida social atrasado.

Somos, por destino e obstinação, menos atrasados que a maioria. E só. Mas não nos comportamos assim, infelizmente. Malhamos em duas barras de aço frio. Uma delas: o povo é alienado e burro, não sabe sequer interpretar a lucidez do que escrevo.

A outra: domino algumas palavras a mais, alguma coesão a mais, alguma coerência a mais que o meu pedreiro. Venci nesta vida, então! Não sou pedreiro...

Ótimo! Significa que, se tomarmos à frente todas as questões que são alvo de nossa análise, os problemas instantaneamente serão dizimados.

Ou não. Porque somos, também, humanos. Esta é nossa dimensão real, a nossa solitária e escura cela de pequenez involuntária e realidade idem. Somos tão incapazes de ditar o rumo do nosso destino quanto todos os pedreiros.

Vou chegar lá, calma... Tudo isso para dizer que, não importa o quanto alguém se diga genial, ou o quanto os parentes digam que se é genial, esta mágica acomete raríssimos eleitos na humanidade. Um em cada dez milhões, quem sabe.

Não devemos ter vergonha do que somos. Sem nós, os gênios provavelmente morreriam de fome ou de sede. Alguém tem que trabalhar na base de tudo, para que tudo exista com alguma base real.

Mas devemos ter, sempre, vergonha na cara para admitir que sabemos pouco sobre quase nada. Emitimos opiniões, não axiomas. Não devemos espernear de raiva porque um pedreiro discorda do que dizemos ou pensamos ou agimos.

Para a raça humana, todo pedreiro importa, e desde há muito tempo. Paralelamente, nem todo blogueiro importa, e existimos há muito menos tempo. Quando não existirem mais os blogs (e não demora a acontecer), nossas lápides ainda estarão sendo confeccionadas por pedreiros. Nossas tumbas também.

Discorde do "seu" blogueiro em todas as ocasiões em que você farejar a autoproclamação de genialidade dele. É só picaretagem mesmo. E muita cara-de-pau de se apresentar como o detentor do segredo de todas as soluções, para todos os problemas, todo o tempo.

Se o seu pedreiro fizer isso, discorde dele também. Será mais um picareta a menos no mundo.

A agenda oculta? Os gênios não estão escrevendo blogs. Mas os gênios não falam a sua ou a minha linguagem, então temos que dialogar nós mesmos. Até o dia em que você, eventualmente, se tornar um gênio. Eu já me conformei em ser só uma das engrenagens, deixando o lugar de engenheiro para alguém mais esperto. E respeito totalmente, com muita reverência, o trabalho de todos os pedreiros. Ainda hão de confeccionar minha última casa neste mundo...

Um abraço!

2 comentários:

Manthis disse...

Bem, Célio, não acredito que os gênios não falariam através dos Blogs. Eles são preocupados em divulgar suas idéias, suas opiniões. Antes, o faziam por cargas. Agora, com os e-mails e blogs (a maioria dos grandes pesquisadores nas diversas áreas do conhecimento humano mantém blogs ou páginas para compartilhar suas opiniões). Blogs são ferramentas para divulgar suas idéias. Acredito que todos somos divulgadores de nossas opiniões, e, concordando ou não, somos julgados pelos nossos pares, e temos que assumir o peso das mesmas. De qualquer forma, é um exercício constante de pensamento. E temos que ter a ombridade de assinar nossas idéias.

Marcelinho disse...

Caro Célio,
não sejamos pessimistas, e pessoas como você, são necessárias na construção (olha você como pedereiro) de um mundo melhor, utilizando de ferramentas importantes, como seu Blog.
Deixo-lhe uma mensagem que minha mãe falava: "...a língua pesa muito pouco, e poucos são os que aguentam carregá-la, pois homens inteligentes devem discutir idéias...".
Portanto, você é um pedreiro muito importante na construção de um mundo melhor, uma vida melhor para àqueles que não consegue ao menos balbuciar palavras de socorro.
Os piores tumores são aqueles que se manifestam silenciosamente, na calada dos interesses próprios.
Hoje, somos professores de um saber bem maqueado, mas que precisamos romper, desmascarar sem medo algum.
Acessei um blog denominado Cavaleiro do Templo onde uma citação no rodapé dizia: "Não demonstre medo diante de seus inimigos. Seja bravo e justo e Deus o amará. Diga sempre a verdade mesmo que isso o leve à morte. Proteja os mais fracos e seja correto. Assim, você estará em paz com Deus e com você mesmo."
Este é o pedreiro e professor que precisamos ser.
Abraços