quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Educação, preparo e crimes, muitos deles

"Mas, como a grande maioria dos jornais da cidade está comprada pelo Executivo, ninguém alerta sobre o potencial de contaminação com a Cavalgada."

Extraídos do Bazar da Magda de hoje, uma parte do título e a linha em itálico acima provam três coisas:

- O garoto quer mostrar que tem colhões e sabe o que fazer com eles.

- Cada vez mais revela que não usa o cérebro, e eu sou um dos tolos que acredita ter ele algum cérebro entre as orelhas.

- Comete crimes continuados, provavelmente confiando na "força" do patrão.

Das três possibilidades, a mais preocupante é a recorrência no crime. O fato de serem crimes de ação privada condicionada, ou seja, não há apuração imediata e compulsória por parte do Estado, parece influenciar negativamente o danadinho. Imagina que não sofreu nenhuma sanção ainda porque é paladino da justiça e da razão absoluta. Ledo engano.

Não houve ainda retaliação porque o rapaz está lidando com pessoas de coração mais nobre que o dele. Assim age a grande maioria dos calhordas. Contam com a nobreza dos homens de bem a quem atacam.

No crime, como no vício, tudo começa pequeno. Num segundo instante, surge a dependência química: torna-se necessário cometer mais vezes o mesmo crime, porque um só já não satisfaz as necessidades básicas. A terceira fase é pior; além de cometer mais crimes, surge a necessidade de cometer crimes mais pesados, porque os menores já não trazem plenitude ao caráter apodrecido.

No quarto e último momento, todo viciado encontra a cura final. A forma é que não é a desejável.

O rapazola imagina que obterá amparo pleno do seu patrão. Talvez até tenha recebido garantias firmes neste sentido. Sabe-se lá porque cargas d´água acreditou na patacoada. Quando a hora chegar, estará irremediavelmente sozinho. Contra tudo e contra todos, inclusive contra os donos de jornais a quem acusa agora de estarem vendidos. Como sempre, sem apresentar prova alguma a corroborar sua melancólica batalha. Monlevade precisava de uma cópia pirata de Dom Quixote?

Já sinto certa curiosidade malévola em observar o momento mágico. Aquele em que Magda será desafiada e confrontada pelos homens de bem, sendo inevitável o combate. Estará só, e a poltronice que lhe parece peculiar e familiar, saltará aos olhos dos eventuais espectadores.

Até lá, acompanharei. Não é sempre que podemos ter a chance de observar um ser humano, dotado de razão pela herança da espécie, abrir mão de tudo e se bestializar voluntariamente.

Um adendo: há uma postagem útil no dia de hoje. A que recomenda que nossos adversários sejam tratados com dignidade. O grupelho da Magda não adota esta política de civilização, mas faz questão de exigir dos outros. Assim caminha uma parcela significativa dos humanos neste planeta.

Agenda oculta? Tenho tanto dó que já estou compondo um réquiem. Vai engrandecer aquele momento. Mágico.

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom post, Célio. Sem dúvida ele cometeu o crime de difamação, e seria hilário ele em uma ação tentar provar que o prefeito comprou a imprensa. Mas, mudando de assunto, por que você não substitui o Bigorna? Sempre vejo que você exerce muito bem o papel de ombudsman, grande abraço

Célio Lima disse...

Somos, todos, insubstituíveis. Assim como ninguém é realmente insubstituível. Paradoxal, sem dúvida. Mas realidade. O papel que o Bigorna exercia tão bem não pode ser recuperado, senão pelos que tocaram o projeto em seu nascedouro.

O meu papel é mais humilde. Tento discutir minha cidade e seus muitos aspectos, bem como apontar falsos profetas. Todo messiânico é perigoso, inclusive eu mesmo. Preciso dos freios e contrapesos como qualquer um.

O que me desaponta é que há, cada vez menos, interlocutores interessados em algo mais que o próprio umbigo.

E este pecado e doença, o de se imaginar omni, é de cura árdua e difícil. Em geral o doente não acredita que está assim. Rejeita o tratamento e culpa o médico pela piora de seu quadro, no futuro.

Meu espaço tem limites estreitos. acho que se continuar assim é melhor. Manterá o meu ego sob algum controle, rsrs