sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

E, para fechar a questão, o Thiago Chavez


Tenho muito a ver com a guerra contra o que Thiago Gonçalves está se tornando. Sou imparcial para falar sobre o assunto, já que o elogio e o malho com a mesma desfaçatez. Ele merece.

Thiago é garoto. Não no sentido pejorativo da palavra, mas no sentido correto. É muito jovem, trilhou poucas trilhas árduas, não se decepcionou profundamente, não está sem rumo na vida, não nasceu paupérrimo. Estudou, não precisa fazer turnos duplos ou triplos de trabalho, possui estrutura emocional e alguma projeção dentro da cidade.

Fruto de sua participação em um meio que facilita acessos - o da comunicação - seu nome acaba fazendo parte do noticiário de Monlevade. Isto não é pouco. principalmente considerando-se que a Rádio Cultura, onde trabalha, possui um legado de verdadeiro amor por parte dos monlevadenses que cresceram ao som de suas ondas.

Isto define Thiago de forma definitiva. Ainda que, quando mais jovem, tenha chamado a rádio de "uma bosta", ele herdou um patrimônio monlevadense de valor incalculável. E não falo do patrimônio financeiro que a Rádio é (este possui outro dono). Falo do patrimônio sentimental e cultural.

Conheço as entranhas de Monlevade. As diurnas e aparentes, as noturnas e escondidas, as escancaradas e as disfarçadas por motivos diversos, alguns nobres e outros nem tanto. Nelas, há pessoas que só tem as ondas do rádio. Já não são tantas, mas ainda assim o número é bem elevado. E há muitas outras que se recusam a perder as ondas da Rádio como referência, mesmo verificando que os rumos, hoje, não mais atendem à Monlevade.

Atendem ao Sr. Mauri Torres, proprietário do empreendimento. Ele possui todo o direito de usufruir do seu patrimônio como quiser e bem entender, pela Constituição Federal. O problema, neste caso, é que a frequência de ondas utilizada por qualquer meio de comunicação pertence ao Brasil, que outorga o direito de uso (ou seja, dá permissão para que alguém use) em nome do bem estar social e do progresso coletivo. Como diz a Constituição Federal.

Deste modo, a Rádio deve atender a Mauri Torres, mas também ao povo. E a pergunta chave: está atendendo ao povo? De que forma? Ela satisfaz com seus serviços, também aos não-eleitores de Mauri Torres e de seu grupo? É ética, abrindo espaço genuíno ao contraponto de idéias e visões?

Minha resposta: não. Um sonoro e vergonhoso não.

O aspecto cultural da Rádio é do mundo. O conteúdo musical não lhe afirma o caráter. O aspecto jornalístico é que afirma. E o aspecto jornalístico está, hoje, sob a supervisão de Thiago Gonçalves. Logo, o jornalismo da Cultura é filtrado por Thiago Gonçalves, como consequência de seu cargo.

E Thiago Gonçalves, se é bom jornalista, não o demonstra em momento algum. Vejamos:

Confunde o espaço de blog, dele e somente dele, com o espaço da Rádio (e este pertence, também à sociedade monlevadense, por extensão natural da outorga pública). Thiago confunde o público com o privado, o que o desmerece como profissional de jornalismo. A prova: inúmeros posts do blog foram ao ar, pela Rádio, no Comentário do Diretor de Jornalismo da Rádio Cultura"!

No seu espaço privado, o blog, Thiago censura. E muito. Fui vítima dele e de sua censura ideológica. Ora, se há censura no blog e, como vimos, existe uma confusão deliberada do blog com a Rádio, como não acreditar que há censura ideológica na Rádio?

Qual jornalista, no mundo, pode conviver com a censura? Venha de onde vier, seja de que forma for, censura é câncer, quando se dissemina em um órgão de imprensa ou de comunicação que se pretenda honesto. Gostando de censura, Thiago age desonestamente.

Thiago confronta, mas não gosta de ser confrontado. Thiago exclui, mas não gosta de ser excluído. Thiago censura, mas do outro lado há pessoas que não acreditam na censura como solução para uma sociedade melhor. Ele usa e abusa de um dos fundamentos da democracia, o da liberdade de expressão a seu favor, para minar e destruir a democracia (a liberdade de expressão dos seus iguais).

Daí que Thiago é o nosso Chavez. E também o nosso Chaves.

No exato dia em que Thiago deixar de ser um garoto, ele entenderá algumas coisas fundamentais: censura é ruim, serenidade é ótimo, desemprego é ruim, lealdade ao patrão é ótimo, servilidade é ruim, independência é ótimo, velhice é ruim, sabedoria é ótimo. E verá que é impossível obter os extremos disso tudo.

A vida estará no meio. Censura para evitar que crimes sejam cometidos, e serenidade para explicar porque houve alguma censura.

Evitar o desemprego, via lealdade ao patrão, mas sem que o emprego sobreviva à custa de se humilhar publicamente, todos os dias. Ou humilhar a outros, por pensarem de forma diferente.

Evitar a servilidade e caminhar para a independência, sabendo que nenhuma das duas virá de forma pura e plena.

Vivenciar alguma servilidade, para exigir alguma independência. É o que nos torna humanos de boa índole.

Buscar a sabedoria, enquanto envelhece. Porque só uma das duas virá automaticamente. E sabendo que a busca pela sabedoria poderá findar pelo meio, mas a busca pela juventude eterna já nasce condenada a findar pelo meio.

Assim, a vida torna-se boa. Como deve ser, se não puder ser ótima. Porque uma vida ruim, ninguém merece nem pode impor aos outros.

Thiago Gonçalves tem qualidades. É inevitável que as tenha. Até eu tenho! Ele há de ter defeitos. É inevitável que os tenha. Até eu tenho...

E, entre os defeitos, ele tem um que eu já não tenho. A intolerância. Não sei o que Thiago entende das críticas que faço à sua atuação. Porque não me dirijo à oposição político-partidária que ele tem que fazer, seja por consciência, seja por recomendação de quem o contrata.

Esta oposição de forma é obrigatória, para o bem da democracia. É no conteúdo da oposição que reside seu maior equívoco.

O conteúdo é baseado na fórmula "Quanto pior, melhor!" E este eu não deixo barato, porque sou ético. Não imparcial.

Um exemplo? Procurem neste espaço a defesa do famigerado "desfile de ambulância". Não encontrarão. Um erro crasso que poderia e deveria ser evitado. Procurem uma alusão sequer, que seja depreciativa, sobre o que Thiago declarou em cima deste fiasco. Não encontrarão. Isso é oposição sadia, e eu respeito. Mas computar uma morte como resultado ao desfile, não. São coisas que não se confundem. E ele confundiu, por consciência própria ou por mandado do patrão.

Nessa mesma linha, vasculhem tudo por aqui. Sempre que a oposição ferrenha foi sadia, eu mantive minha boca fechada.

Só espero que, sempre que houver acertos da situação - e são muitos -, que ele mantenha a boca fechada. Porque até no elogio sua intolerância prevalece. Há sempre um porém, um senão, um mas... que acaba transformando o "elogio" em crítica transversa. E aí, quem perde é a cidade. mesmo que haja todo um pelotão de soldados dizendo: "buscamos é o bem de Monlevade...."

O garoto Thiago está - com o perdão do termo chulo - cagando e andando para o que penso, e para o que digo. Não há problema algum nisso.

O problema reside no fato de que ele está fazendo a mesma coisa para a cidade inteira, exatamente como seu patrão sempre fez (e Thiago já havia tecido alguns comentários bem ácidos contra o atual patrão, quando ainda era livre).

Neste caso, passa a ser um problema nosso. Eu faço a minha parte. Não darei paz ao garoto intolerante, mas estou mais que preparado para defender o direito de expressão que o homem digno terá, quando já não for garoto. Nem intolerante. Nem mau profissional. Nem arrogante. Nem censor. Nem escravo voluntário.


Agenda Oculta? Não, nenhuma. Minha guerra é nobre e justa. Monlevade não merece o Thiago que tem, mas pode precisar do Thiago que, eventualmente, evoluirá.






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