quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Como gastar?

Um dos maiores enigmas da administração pública, no mundo, é saber como gastar o dinheiro. Para mim e para você, cidadão que paga impostos, taxas, contribuições e etc. a resposta é muito fácil. Gastamos com medo de que o salário não caiba no mês inteiro.

Na gestão pública é menos fácil. Enquanto eu e você gastamos sabendo como cada gota de suor rolou pelo nosso rosto, o gestor de dinheiro público gasta o que não construiu. Fica humanamente difícil controlar impulsos, nesta situação. Gastar o dinheiro alheio é muito fácil. O maior drama que vivemos é que costuma ser, também, muito ineficiente.

J, Juninho ou Zé Henriques (preciso aprender a não nomear por conta própria as pessoas, está chateando até a mim mesmo este mau hábito), é um ponto fora da curva. Ele consegue unir seriedade de argumentação com um distanciamento partidário que eu jamais serei capaz de adotar.

Acompanhe aqui uma argumentação bem serena sobre o tema "Saúde". É só um pequeno exemplo do tipo de compertência com que este grande monlevadense é capaz de contribuir, com o ganho adicional de não ser vinculado a um viés partidário qualquer.

No tópico de hoje, ele aponta o tripé de investimentos que sempre - repito, sempre - irá atormentar maus políticos por toda a eternidade, enquanto esta durar. Saúde, Educação e Segurança Pública são incineradores de dinheiro. Sejam bem ou mal geridos.

Que maus políticos queiram evitar a qualidade e eficiência na Educação e na Segurança Pública eu entendo, mesmo que discorde violentamente dos motivos. Afinal, Educação de qualidade pode significar o fim da ignorância (e com isto, meu Deus, talvez acabem os currais eleitoreiros!). E segurança Pública de qualidade significa Polícia eficiente, rápida e implacável. Entre outras coisas apavorantes para os picaretas. Imagine como morreriam de medo algumas meias de políticos, pelo Brasilzão afora.

Já o idiotismo contra a Saúde eu não consigo entender. Nossos políticos são tão incapazes assim, que até para preservar o maior patrimônio (os eleitooooores!) deixam de fazer seus deveres de casa?

Voltando ao ponto principal: como uma Prefeitura pode, por exemplo, gastar melhor nestes setores? O da Segurança Pública ela está, constitucionalmente, desobrigada de manter com verbas. Mas não com projetos auxiliares e suplementares. Deixo os detalhes para quem perguntar, é uma explicação longa demais.

A Saúde e a Educação pertencem, por sua vez, à esfera de competência da Prefeitura, cada uma a seu jeito e forma. E consomem muito dinheiro, mesmo se houver pouco ou nenhum desperdício. Como poucos Prefeitos no país são administradores natos e capacitados, observamos a balbúrdia geral, o descaso criminoso, a ineficiência grossa.

Como gastar? Convidando todo o povo de uma cidade a se debruçar sobre as contas e sobre o dinheiro que existe para quitá-las. Nenhum pai ou mãe de família é tão burro que não saiba fazer este tipo de contabilidade (a da sobrevivência de cada dia), ou tão maluco que não veja como evitar desperdícios.

Um entrave terrível é que contas públicas, no Brasil, são transparentes como lama. Sem detalhamento financeiro, uma população tem mais é que pedir tudo que deseja. Aí o político diz que não dá. Perde alguns votos. Depois gasta em qualquer quinquilharia visual, e recupera alguns votos, porque o povo é deseducado. E o ciclo se repete...

A resposta de como gastar, afinal, é simples. Perguntando a quem gerou o dinheiro público. Mas o caminho é bastante longo e, a esta altura da vida, acho que não vou ver o dia em que isto acontecerá no Brasil. Uma pena.

Agenda Oculta? Debaixo de todo agente político há uma Agenda Oculta. Boa ou ruim. Precisamos incentivar as boas.

Um comentário:

Manthis disse...

Obrigado pela referência e deferência! Realmente é uma fórmula complicada, e na área de saúde, extremamente mal resolvida. Quanto mais se gasta, mais se economiza, por exemplo, com hospitais.
Mas é muito mais visível um "edifício" do que a necessidade de se ir ao edifício. Coisas que demoram tempo para digerir.
Abraços!