Em 1970, eu estava quebrando o pulso esquerdo na linha de ferro Vitória-Minas.
Em 1973, eu estava tendo as primeiras aulas com a Profa. Angélica, sob a direção sisuda de Dona Policena, no Jenny Faria.
Em 1974, eu estava fazendo a minha primeira ficha na Biblioteca Municipal. Era a de n.º 3767 e iria dividir o meu tempo entre os livros, o futebol de rua, o serviço de engraxate e de entrega de marmitas. Esta ficha, como eu adiantei, foi um dos motivos pelos quais eu hoje não engraxo sapatos, não entrego marmitas. Infelizmente também não jogo mais futebol de rua...
Em 1976, eu acompanhava minha mãe no Mobral, onde D. Lalá me conheceu pela primeira vez e aumentou o meu gosto pelos livros e pela Língua Portuguesa. Deus a abençoe!
Em 1978, O Centro Educacional abria as portas para mim, na 5.ª Série A. Minha mãe era a felicidade em pessoa, e eu também.
Em 1982, tomei meu primeiro porre com caninha Três Fazendas. É uma passagem ruim pela ressaca, mas ótima pela lembrança da companhia.
E tive que sair de Monlevade por um bom tempo, porque algumas coisas são como são, e não temos como evitá-las. Mas eu voltaria, em 1991, e aqui estou até hoje.
Trabalhei de 2001 a 2006 em Ouro Preto, sem mudar de João Monlevade. Se estiver em minhas mãos o poder de decidir, não saio mais daqui.
Esta terra corre no meu sangue, assim como muitas vezes o meu sangue correu por esta terra, se misturou com ela, se fundiu com ela.
Pode até ser que Monlevade não queira me respirar, mas eu respiro Monlevade. Isto, nada nem ninguém neste mundo poderá me tirar. Então, sou rico.
Eu conheço cada palmo desse chão. E amo este chão incondicionalmente. Por isto, tantas coisas ruins puderam ser perdoadas e esquecidas, nesta vida até aqui. O ar de Monlevade me dignifica e me conduz a entender e perdoar. A vida, se for aqui, para mim terá sido muito boa.
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