sexta-feira, 12 de março de 2010

Não consigo entender


Alguns políticos. Passam a vida inteira lutando contra a cidadania, contra a dignidade, contra a eliminação dos bolsões de miséria intelectual. Passam uma vida lutando, minuto a minuto, para que sua manada de eleitores sem neurônios continue depositando firmemente os ovinhos mágicos (votos) nas suas cestas.

Depois, utilizam a manada como a necessária bucha de canhão para suas artimanhazinhas infantis, que incluem, é claro, se reportarem como a "voz do povo", verdadeira e única.

Finalmente, promovem encontros públicos. Como as duas últimas Audiências de que participei, em que a presença do "povo" se resumia a meia dúzia de três ou quatro gatos pingados - e perdidos - sem entender patavinas do que acontecia no ambiente de...er...vá lá, discussão.

Até as fotografias dos eventos dão a dimensão exata de sua importância para o "povo", aquele que tem sua voz muito bem representada...

Amigos políticos de João Monlevade: esqueçam qualquer tema que obrigue um caboclo a pensar em nível mais elevado que o de uma criança de nove anos de idade. Vocês mesmos são os principais fabricantes do tipo de pessoas que jamais irá comparecer a algo que não entende. Só há dois caminhos:

- Façam encontros "temáticos" sobre como distribuir mais esmola aos desajustados sociais (FIQUEI SEIS MESES SEM ENCONTRAR UM JARDINEIRO E CAPINADOR PARA MINHA CASA, A 80 REAIS POR MÊS - UM DIA DE SERVIÇO). Nós não podemos chamá-los de "vagabundos" sociais, sem o mundo desabar em cima de nossas cabeças. Que o mundo desabe em cima da minha, então. Há vagabundos sociais demais no Brasil, e pronto.

- Mantenham os temas de interesse elevado nas pautas, mas ofereçam comida de graça, ônibus de graça, sorvete de graça (o calor dá uma preguicinha de pensar...) e quem sabe uma graninha de leve para azeitar as manifestações do "povo". Pode ser que assim atraia-se algum público. Pelo menos para não pagar mico nas fotos dos jornais.

Lembrando que o povo real, aquele que está correndo atrás de serviço, não vai poder comparecer a nada que seja marcado para antes das 19 horas, se não estiver estudando à noite também. Porque o povo real, batalhador, só poderá comparecer nos finais de semana, mas aí grande parte do outro "povo" vai estar com o fiofó entulhado de cachaça e provavelmente não comparecerá.

Quer saber? Agora consigo aceitar que os senhores são, realmente, a voz do "povo". Vejo semelhanças indiscutíveis entre os criadores e as criaturas. Bom, e o que fazer com os demais patetas que devem continuar trabalhando dobrado para alimentar este sistema?

Convidá-los para prestigiar as "Audiências"?


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