quarta-feira, 3 de março de 2010

O rio que não se move


Assim poderíamos analisar nossa Monlevade, nos últimos anos. Vamos isolar qualquer debate menor, por agora. Vamos aos elementos.

Monlevade não se move há muitos anos, porque não se conhece. Seus indicadores (culturais, sociais e econômicos) não são medidos, não são analisados pelos gestores, não são estudados para antever ações e projetos de desenvolvimento real.

Cuidou-se de administrar a cidade como, ingenuamente, a maioria de nós cuida do orçamento de casa. Encaixamos o fluxo de caixa dentro do mês e esperamos sobreviver ao mês seguinte. Entrou dinheiro suficiente para pagar as contas de Março? Bacana. Viva Abril!

Uma cidade é mais complexa do que nossa casa, simplesmente porque nós podemos escolher de quem vamos cuidar. Priorizamos a família e, se sobrar alguma coisa, procuramos ajudar a quem esteja mais necessitado.

E uma cidade não pode escolher de quem cuidar. Tem que cuidar de todos. Então, aquele fluxo de caixa simplificado não basta. Ele é só um ponto de partida, obrigatório, de onde um gestor tem que retirar fôlego e motivação para garantir novos rumos de investimento.

Quando isso deixa de ser feito ao longo dos anos, uma cidade se torna 'o rio que não se move". Uma aberração, uma falha. E é engraçado observar que a maioria das cidades brasileiras é mantida assim. Águas paradas, que deixam de alimentar o mar.

Precisamos nos conhecer melhor. Para colocar nosso rio em movimento contínuo, porque dar pequenos arrancos na correnteza de 20 em 20 anos também não garante o vigor do rio.

A agenda oculta: não é tarefa de um homem só. Movimentar este rio demanda trabalho pesado e comprometido, de grande parte da sociedade (se não da sociedade inteira). Cabe ao bom gestor a tarefa de motivar a equipe - nós, moradores - e trabalhar além do limite, se for possível. Se fosse fácil, todos teriam feito este dever de casa há muito tempo. Mas é uma tarefa que não pode ser adiada para sempre. Rio parado seca mais rápido.

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