quinta-feira, 4 de março de 2010

Político - governante ou estadista?


Mais à direita, mais à esquerda, não importa. O maior fator que separa o governante do estadista é a sabedoria e a sensibilidade de como e quando investir no desenvolvimento de uma cidade, de um estado, de uma nação.

A inicitaiva privada é mais ágil neste sentido. Como não está amarrada a questões de tática política, suas decisões são mais ágeis e mais "limpas": não há ruído de atuação para buscar aprovação popular indiscriminada, por exemplo.

Vejamos o caso da possível inauguração de um shopping em João Monlevade. Somente um maluco de pedra iria pensar que os gestores do Hiper Comercial acordaram, numa Terça-feira qualquer, doidinhos de vontade de abrir um shopping por aqui porque é bonitinho e tem nome estrangeiro.

Nas ruas, onde a opinião geral é de que a possibilidade é boa demais, a confirmação: eles foram até conservadores. Monlevade está pronta para este tipo de investimento há uns cinco anos, no mínimo. Os detalhes de porque a decisão só saiu agora - segundo a imprensa local - pertenceriam à esfera de estratégia interna da empresa.

Vou além. Há duas cidades na região muito propícias à expansão da marca Hiper Comercial Monlevade: São Domingos do Prata e Alvinópolis. Quem conhece Administração sabe do que estou falando, e não é o foco desta análise, então avancemos.

Em esferas de governo, são realizadas as mesmas sondagens estratégicas. O que diferencia os dois pólos é que governo não é iniciativa privada, e portanto tem que pesar impactos diferenciados. Um deles, o impacto de opinião pública geral.

O governante imagina que pode agradar a todos. O estadista sabe que desagradará a muitos, mesmo que seja para beneficiar a todos. Um exemplo passado e um exemplo futuro:

Quando foi construída, a Rodoviária do Belmonte tinha como objetivo fomentar o desenvolvimento da região vizinha. Quem conhece os bairros Metalúrgico, Baú e Belmonte sabe que o propósito não foi alcançado. Eles já se encontravam saturados em sua própria geografia e não poderiam se beneficiar de obra desenvolvimentista naquela época.

Mas a política daquela época, não tinha ferramentas de administração tão avançadas como as que estão disponíveis, de uns anos para cá. Assim, os políticos da época cometerem erros que são perfeitamente desculpáveis, e a História de Monlevade confirma este fato.

A Rodoviária, se construída no início da parte alta de João Monlevade - Hoje Novo Cruzeiro - teria um impacto desenvolvimentista tremendo. O Cruzeiro Celeste e o Loanda cresceram sem outras intervenções maiores que a Avenida Armando Fajardo, o que me faz bater palmas pela Avenida em si própria. Se foi obra de empirismo ou de sorte, pouco importa. Cumpriu muito bem o seu papel de levar desenvolvimento àquela região.

Transpondo para os dias atuais, O Hiper cumpriu o papel de fomentar avanço, numa área que estava estranhamente abandonada. Até o evento da Avenida Gentil Bicalho, que lançou as bases para o desenvolvimento da área de seu entorno.

Perceberam? Onde o Estado cria bases sólidas, toda uma região se beneficia. Este é um papel que que a esquerda brasileira não soube demonstrar até hoje: que aposta mais no papel do Estado como Agente de Desenvolvimento do que no papel de empreendedor.

E aí vamos à análise de gestões passadas, sem emitir juízos de valor. Pardeu-se a chance de aproveitar a estrutura da Rodoviária para empreendimento, já que sua função desenvolvimentista revelou-se ineficaz.

O simples aproveitamento da estrutura como centralizadora de oferta de serviços administrativos e burocráticos, já teria economizado aos cofres de Monlevade um dinheiro fundamental para desenvolver outras áreas da cidade.

Explico: muitos serviços da Prefeitura, do Estado e da União são prestados em imóveis alugados à particulares. Alugando espaços para o Estado e para a União, e abrigando serviços próprios, Monlevade estaria com o caixa bem mais folgado para reinvestir em si mesma, hoje.

O assunto é complexo demais para caber num tópico de Blog. Caberia à nossa imprensa e à nossos políticos abordá-lo, mas...

Vamos continuar. Gustavo Prandini tem sua chance de desenvolver ou de governar. A carreira política que pretende para si diz respeito somente a ele, deixo bem claro. Mas eu recomendaria buscar a posição de estadista. Seria o primeiro da região e marcaria sua trajetória para um sucesso político e popular muito interessante.

Ele já descobriu que não poderá governar. Não com tranquilidade, porque o "terreiro" possui alguém que se acha dono. Digladiar com o grileiro não trará benefícios à população. Resta desenvolver, o que trará dignidade a muitos monlevadenses, esperança a outros tantos, e benefícios a todos.

O exemplo futuro: vamos partir do óbvio, já que vias de circulação são ferramentas de desenvolvimento para nós em Monlevade. Isto porque nossa geografia é confinante, a cidade não se expande sem algum motor inicial ser acionado.

Ligar a Avenida Castelo Branco à Alberto Lima? Ligar o Cidade Nova ao Ipiranga e Boa Vista? Trabalhar na melhoria da ligação de João Monlevade a São Gonçalo? Investir em obras estruturantes no Início da Estrada do Forninho? Eu não tenho as respostas, elas são exclusivas de debates profundos e responsáveis. Uma cabeça só não seria suficiente e a minha não é gabaritada para esse salto.

Daqui a pouco continuarei o raciocínio, para descansar vocês de uma leitura que é complexa.

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