segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ironia amarga


Estou finalizando uma análise técnica de um acidente de trânsito, que destroçou duas famílias em Rio Piracicaba há pouco tempo. Estranho como nós, seres humanos, somos capazes de nos transformar tanto em monstros quando estamos na direção de um veículo. 

Gente que, na vida diária, é incapaz de agredir outra pessoa, torna-se completamente insensível à outras vidas e outras pessoas. Basta estar dirigindo por uma estrada qualquer. E não há limites econômicos e sociais, ou culturais, que interfiram no fenômeno. Médico ou pedreiro, arquiteta ou recepcionista, letrados e iletrados... Todos são suscetíveis à ferocidade no trânsito. Uma pena e um desastre que sejamos tantos, assim.

Enquanto isso, o Brasil está batendo boca por causa de dois candidatos à Presidência que não falam, nem sob choque elétrico, em como minimizar o genocídio em nossas estradas. A onda agora é discutir o aborto, que vem sendo praticado há décadas no país inteiro e ninguém se incomodava com este horror social. E nem se incomodava com o genocídio nas estradas, nem com o assassinato do futuro brasileiro pelo descaso com nossa Educação, entre outros assuntos que deveriam estar sendo debatidos.

Meu voto está decidido. Voto em ninguém, da ratatulha que sobrou. Mas posso mudar meu voto se um dos dois vier até aqui e olhar atentamente para as fotografias que eu tenho em mãos. Elas pertencem a dois brasileiros, cidadãos, que não votarão mais. Estão mortos, muito pela falação desenfreada de quem, na verdade, faz coisa alguma para mudar nossa realidade de horror.

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