O "grande debate" presidencial de agora confirma as nossas piores expectativas: a discussão política no Brasil detesta as bibliotecas e salas. Ama os porões. Como estou me lixando para o vencedor da disputa, já que defendo a ideia de primeiro cuidar do nosso quintal (nossa cidade), vou deixar de lado a enxurrada de besteirol que está permeando a disputa pela Presidência.
No plano municipal, desde 2008 eu alerto para o enorme equívoco que foi reformar o prédio da antiga rodoviária. A esta altura do campeonato, quem o construiu está levantando as mãos para o Céu. Explico:
A obra deveria ter passado por uma auditoria assim que o atual Governo assumiu. Não uso o termo Auditoria com o sentido de caça às bruxas, mas com o sentido da razão estratégica. Auditar aquela obra seria o primeiro passo para entender sua real importância, sua aplicabilidade, seu futuro e sua viabilidade técnica e econômica para a cidade.
Por exemplo, auditada e considerada importante e relevante para João Monlevade, a obra teria recebido investimentos mais ousados. Caso contrário, o município teria economizado bastante dinheiro público e as responsabilizações iriam ser buscadas no foro correto.
Do jeito que ficou, com o atual Governo investindo ali mais um milhão de reais - segundo informes colocados na própria fachada do local - observamos o fenômeno do carimbaço. A obra foi considerada importante, estratégica e correta, sob todos os aspectos. Ou não teria recebido mais investimentos públicos. O carimbaço, assim, validou algo que jamais foi tecnicamente avaliado por ninguém. Futuramente, se for preciso questionar todo o aparato construtivo, serão duas Administrações Municipais em cheque.
Por isso os atuais adversários de Gustavo Prandini devem estar comemorando com gosto. Por motivos que não me cabe intuir, foi validada uma obra que, desde o início de 2008, eu já lamentava como inútil e cara. A julgar pela quantidade de terra que virou o cartão de visitas do local, defronte à Avenida Getúlio Vargas, este milhão a mais ainda não foi suficiente para finalizar o eventual conserto.
Detalhe: a cidade inteira sabe como se desenrolou a história: o Governo atual assumiu, sem querer e sem ter qualquer responsabilidade a mais, o ônus político da "não inauguração do Hospital" por ali. E o grupo de oposição não vai largar este osso, porque política não é feita para ingênuos. Gustavo Prandini vai carregar o Hospital não acontecido, em sua biografia, durante muitos anos. Mesmo com alguns poucos cidadãos esclarecidos sabendo que jamais, de forma alguma, aconteceria um hospital viável ali.
Por hora, é só. Mais tarde abordarei um tema paralelo, que busca explicitar o excesso de arrojo que tem feito a atual Administração ser mal interpretada pela cidade.
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