Guardadas as imensas e devidas proporções, são dois desafios muito semelhantes em estrutura. Em dinheiro não se falará, porque a compra de aviões envolve alguns bilhões de dólares. Com este dinheiro, meu filho Arthur gerenciaria Monlevade com um pé nas costas, por uns 150 anos. Se fosse possível para ele viver mais 139 anos, é claro.
Gerenciar uma cidade como João Monlevade envolve negociações políticas e estratégicas que suplantam a lógica, a técnica e o senso comum. os desafios são postos como um rosário, interligados um ao outro numa malha que enlouquece qualquer ser humano.
Alguns exemplos? Vamos lá!
Trânsito: a melhor solução técnica é a pior solução política. Comerciantes irão se opor a qualquer restrição de estacionamento no hipercentro do município. Um detalhe é que os mesmos ocupam grande parte das vagas, dando um tiro no próprio pé. Mas sempre há pessoas dispostas a ignorar este fator e a buscar um bode expiatório em outro ninho.
Segurança: o corpo de bombeiros será uma eterna promessa não feita e, portanto, facílima de não ser cumprida. Enquanto isso, vamos pegando fogo aqui e ali...
Saúde: repetindo o modelo nacional, confunde-se promoção de saúde pública com disponibilidade de atendimento imediato na rede, como se fossem ambos a mesma coisa. Salve-se quem puder nesta baderna.
Educação: o município precisa, com urgência, rever a matriz de aplicação de recursos. Direcionar uma maior carga de investimentos na pré-escola e nos primeiros anos do ensino fundamental faria com que o município avançasse extraordinariamente na qualificação de seus cidadãos, com reflexos positivos e duradouros. Quem vai ter coragem de fazer?
Compromisso: este tópico é uma caixa de Pandora no mundo inteiro. Sociedades maduras participam da discussão de seus rumos. No Brasil, esperamos que alguém faça, e pronto. Mudar esta rotina miúda envolve décadas de sacrifício e esforço coletivo, que não foram trabalhados por ninguém até agora. Quem sabe a partir de amanhã?
Tal como a decisão brasileira de optar por aviões ou por transferência de tecnologia, por preços ou por aprendizado de como fazer, por benefício nacional ou por vantagem individual, João Monlevade ainda engatinha na difícil decisão de ser mais uma no bolo. Ou por se tornar uma referência, como a cereja do bolo.
Gente capacitada e disposta a participar e ajudar não falta. O que tem faltado é o senso do dever, da honra, da dignidade e da cooperação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário