Para que se molde corretamente, mesmo o aço precisa da dor. No caso específico, do derretimento pelo calor extremo. Pessoas não são diferentes. Grandes transformações pessoais não costumam ser precedidas de êxtase, mas de dor.
É minha vivência, logo não pode ser utilizada como metro de regulação universal. Sempre há exceções porque, caso contrário, não poderia haver regras. Este jogo de sombra e luz move o universo inteiro. A dor transforma porque a antítese da dor é o marasmo, e somos movimento desde o primeiro minuto de nossas vidas. Eis que a dor é o segundo minuto de nossas vidas, em diante e em gradações que vão nos tornar pessoas plenas.
Conviver com a dor é apenas um reflexo natural do viver de pessoas serenas. Seja ela física ou emocional, negá-la é infantilizar uma vida inteira, congelada no atraso daquele ser que deveríamos ter abandonado no útero.
O longo prefácio é apenas para lembrar: não somos divindades. Seremos contrariados, questionados, desprezados e enfrentados durante nossa vida toda. E não é porque sejamos especiais, mas porque somos viventes que ocupam espaço. Espaço é algum grau de poder. Poder é indicativo certo de disputa. E disputa traz dor, o que em suma nos traz vida.
Tentar eliminar a dor, o enfrentamento, a disputa do espaço e os demais pensamentos e ações divergentes é perder um rumo que a vida precisa. Quem vence essa equação obtém o isolamento final perfeito, no ápice e na unanimidade.
Qualquer um de vocês vai encontrar milhares de pessoas (por assim dizer)que venceram este desafio. Basta ir ao Cemitério do Carneirinhos ou do Baú para conhecer algumas ou matar a saudade de outras.
Por enquanto, fico com a dor.
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