quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Paz para um só

É pouca, mas preserva um mínimo de vida. Nem que seja para um só. Acabou uma das jornadas de trabalho mais violentas que já vivi em tantos anos de atuação profissional. Amém.

Falando em paz, li no ótimo blog  p.e.r.s.o.n.a.g.e.n.s de Regiane Ferreira, um conteúdo que me fez refletir sobre o ódio. A reflexão: é possível disseminar o ódio? 

E minha conclusão: é possível, mas não é necessário. Basta tirar o cobertor que o ódio estará lá embaixo, se nutrindo de um calor que não lhe pertence. Mas vivo e pulsante como um tumor em plena atividade encoberta. E este fato não ocorrerá com poucas pessoas. É um fenômeno coletivo.

Só me libertei do meu monstro interior do ódio quando descobri, e admito a vergonha de ter descoberto muito tarde, que as pessoas são pessoas. Não são boas ou más por mitose celular, mas por escolhas que fazem. Ódio é escolha, e pode ser fundamentada. O que nunca será é bem fundamentada.

Descortinar o ódio é ação de demônios. Sim, os há em toda parte. Mas aceitar ter o ódio descoberto e exposto como um cisto maligno é ação de sociopatas. É uma escolha suicida de ambos os lados, porque uma vez liberto, o ódio consumirá tudo o que encontrar à sua frente. Sua cela anterior e seu libertador eventual não serão diferentes para sua fome ancestral de tudo.

Por isso libertar o ódio é tão diminutivo e intransitivo. Libertar-se dele é que representa uma escolha humana.

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