Vejo um esboço de estudos sobre o trânsito em João Monlevade (Hipercentro) sendo empreendido pelos maiores interessados. nada mais apurado e correto que estudar um fenômeno para entendê-lo e, a partir do entendimento, buscar a solução mais adequada. Em se tratando de um fenômeno problemático, é claro.
E nosso trânsito, como o da média nacional, virou câncer. Trata-se o tumor, mas deve-se eliminar a metástase também, ou a enfermidade retorna.
Hoje, não vou mostrar soluções possíveis. Parece que mostrar soluções torna antipático quem trata do assunto. Então falemos da origem dos problemas estruturais.
1 - Geografia desfavorável: Monlevade se construiu no fundo de um vale. O adensamento construtivo é justificado e não há como corrigir mais esta característica. Escoar o tráfego agora, só com abertura de novas vias ou ampliação das já existentes. Não temos geografia para abrir novas vias e o custo de ampliação das já existentes demandaria uns dois anos de orçamento total do município. Portanto é inviável economicamente.
2 - Mobilidade ampliada: com o desenvolvimento econômico, os cidadãos passam a ter acesso aos veículos de forma facilitada. Bom para a economia, ruim para o trânsito. Ninguém compra um carro se é para deixar na garagem. Haverá cada vez mais veículos disputando as mesmas áreas de interesse (centro comercial) nos próximos anos.
3 - Costumes provincianos: as pessoas vivem um tempo moderno sem aceitar os sacrifícios que ele impõe. Alguns hábitos antigos permanecem. Um deles é o de utilizar os dois maiores corredores de tráfego da cidade como estacionamento privado, o que eles não são. Vias de trânsito não são elásticas: se há aumento da área ocupada de forma estática, a área destinada ao comportamento dinâmico encolhe. Em algum momento surge o colapso total da área.
4 - Tibieza gerencial: os governantes são grandemente responsáveis pelo caos observado. Nos últimos 15 anos, pouco se fez para implantar um regime de ordem na bagunça do hipercentro comercial. Sob a legação de que seria politicamente desfavorável adotar uma atitude enérgica, comprometendo um provável continuísmo no poder, nada se fez para controlar a barbárie. Optou-se por fazer a população inteira perder, para que o mandatário de plantão não perdesse.
5 - Ausência de visão: o momento atual é favorável para que boa parte dos serviços e comércios possam buscar alternativas de localização mais periférica. A região central é acomodatória: o público vai a ela por afinidade e não por qualidade de atendimento. Um bom estudo indicaria que, aquele empresário que possui qualidade, será procurado mesmo se estiver mais afastado do centro comercial. Até porque a facilidade de locomoção hoje é muito grande, já que a maioria das pessoas possui o carro para se deslocar.
A ausência de visão ainda concentra picos de comparecimento nos mesmos horários, tornando o inferno mais quente em determinadas frações do dia. Um estudo sobre funcionamento de comércio em horários alternativos e ampliados faria bem. Poderia diluir o tráfego de veículos e pessoas em mais momentos do dia ou da noite.
6 - Amadorismo exacerbado: dizem que um amador construiu a Arca e profissionais fizeram o Titanic. Não há qualquer registro científico e confiável de que Arca existiu. Por isso prefiro o profissionalismo, porque só afunda o que teve competência para navegar um dia. Deixar esta questão a cargo de amadores fará com que vivamos este tormento por muitos anos ainda.
7 - Choque de ordem: sem ele, serão construídos prédios sem garagens suficientes, em adensamento exagerado, ocupando espaços que deveriam ser destinados a estacionamentos. Não serão pensadas novas vias com espaço suficiente para suprir a demanda por área física, que já é crítica pelo município ser pequeno em área total. Sem ele, a educação para a civilidade não será buscada, visando que nós aprendamos a ocupar melhor os espaços que são de todos.
8 - Diálogo franco: fundamental, porque há interesses em jogo. O maior deles é difícil de apresentar sem muito diálogo e sem que alguns sacrifícios sejam feitos. Não sei se os agentes envolvidos (comerciantes, Poder Público, proprietários de veículos, ambulantes e afins) estão dispostos a conversar de forma adulta e responsável, neste caso.
Bom, vamos torcer para que a tentativa de solução venha a ser encarada com firmeza o quanto antes. vai ter que ser encarada assim, mais cedo ou mais tarde.
Um comentário:
Célio,
Você sabe melhor que eu que trânsito é uma questão de atitude. Atitude no volante, no passeio, nas ações. Mas o populismo ainda impera nas obras. O que me preocupa e muito é que não veremos luz no fim desta avenida até que o caos (já anunciado) se instaure defintivamente.
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