quarta-feira, 27 de julho de 2011

Brasil descaso - dá pra acreditar?

Você chega a uma repartição pública e busca informações no setor apropriado, para requerer um serviço que é exclusivo daquele setor e daquela Instituição. Descobre que terá que fazer um requerimento por escrito, mas que não pode ser feito à mão (parece que nossas mãos estão perdendo a utilidade).

Aí você pergunta se há um computador com impressora que possa usar. NÃO! Então você sai para a rua e para pagar a uma Lan House o valor que já deveria estar embutido nos impostos que paga. Volta com o tal requerimento e vai para o setor exclusivo.

Mas sua ladainha está só começando, porque o lugar correto de entrar com qualquer pedido é o protocolo geral. Todo mundo sabe disso...

Então, você se encaminha ao tal protocolo geral e finalmente, consegue um número de atendimento e nenhuma informação adicional, apenas a recomendação de telefonar quando achar que o serviço ficou pronto. Pode levar de quatro a dez dias, sabe?

Pelo telefone, todas as suas tentativas esbarram em negações. Melhor vir pessoalmente, informar por telefone pode prejudicar o sigilo que o cidadão tem direito. Aaffe...

Comparecer duas ou três vez é comum. A gasolina, o tempo, a paciência, nada disso tem valor. Só o que tem valor são os impostos, cada vez mais altos.

Na quarta tentativa uma esperança. O setor exclusivo tem alguém que fica com pena de seu rosário de sofrimento. Consulta o computador e diz que o protocolo está pronto, e você pode ir lá buscar para trazer para o setor exclusivo. Como assim, o protocolo não encaminha internamente?

Não. Mas está pronto, o computador não erra.

De volta ao protocolo, e o computador aparentemente errou. Você recebe a informação de que não está pronto porque ainda está no setor exclusivo... Seus argumentos de que perguntou antes no setor exclusivo são solenemente ignorados.

Você sai da Instituição e vai tocar sua rotina diária, porque trabalho todo mundo tem ou quer ter (entendendo isso como atividade remunerada e produtiva). O outro trabalho (fazer com que algo pelo que você paga caro funcione em esfera pública) fica para outra encarnação.

É só esperar uns quinze dias mais e talvez, eu disse talvez, algo que deveria durar quatro dias de burocracia possa ser resolvido em vinte e cinco dias.

Assim é que não funciona. Assim é que tem sido historicamente, e assim o país "avança". Criticar não pode, porque você vira um inimigo de regime. Cobrar não pode, porque o cidadão nasceu é para ser cobrado.

Por isso, algumas vezes, alguém enlouquece diante de um balcão qualquer e comete uma atrocidade. Não é justificável de forma nenhuma, mas não deixa de ser uma reação cidadã.

Um dia, nossa Constituição terá um mecanismo como o que está presente na Constituição Portuguesa, que diz ser um direito do cidadão reagir contra abusos de Estado em qualquer esfera.

Fazer é fácil. Fazer com planejamento e eficiência é que ainda não foi aprendido neste país. Tenho que parar por aqui porque chegou mais um carnê de imposto, taxa ou tributo - sei lá! - para eu pagar. E rápido, para não sofrer nenhuma retaliação.

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