segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Poupar para o futuro

Vivemos um tempo em que o consumo tornou-se insano. O mundo preparou nosso espírito para que as coisas que queremos fossem sempre para agora, não importando a que custo. E esta filosofia de vida, se é que podemos chamá-la de filosofia, está consumindo e devorando o planeta inteiro e fazendo com que nossa casa desapareça debaixo dos nossos pés.

A humanidade não quer aprender uma coisa simples: a fartura de muitos é sempre obtida da necessidade de muitos. E poucos estão imbuídos do real sentido do que seja poupar para o futuro, para que nossos filhos possam viver dignamente. sem que tenham que lutar em selvageria pelos restos que, eventualmente, deixarmos para eles.

Há algo ainda pior a considerar: não havendo o sentimento de que é necessário poupar para o futuro, de que é importante construir o seu caminho com calma e com dignidade, a raça humana está querendo obter suas posses rápido demais.

Não penso em um retorno ao período medieval, onde ninguém possuía quase nada para que reis e nobres possuíssem quase tudo. O que penso é que no ritmo atual, onde todo mundo quer quase tudo para ser rei ou nobre no menor tempo possível, o planeta em que vivemos acabe sendo quase nada para legar àqueles a quem amamos.

Deixar atrás de si como herança às gerações vindouras, uma terra arrasada e morta, é coisa de quem perdeu o mínimo de humanidade que trazia dentro de si mesmo. E estamos vendo, cada vez mais perto de nós mesmos, exemplos claros de que este pensamento não é minoritário. Está acontecendo em nossa vizinhança e em nosso próprio quintal.

Poupar para o futuro é não acelerar, por meios ilegítimos e muitas vezes ilegais, um ritmo que nossa própria competência é que deveria ditar.

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