segunda-feira, 20 de abril de 2009

A Prefeitura atende mal?

Provavelmente, sim, se pensarmos como um todo unificado o corpo de servidores que atende na ponta (em contato direto com o público). Mas isto não é, lamentavelmente, exclusividade da Prefeitura de João Monlevade. Numerosos órgãos públicos contam com verdadeiros "Calígulas" da razão e da soberba quando o assunto é atender ao humilde que se lhes aproxima do contato.

Somos fruto do que imaginamos, não da realidade que nos cerca. Ao atender de forma grosseira um cidadão, o funcionário público está esquecendo-se de que atende a um patrão seu. Nem mais, nem menos. Este é um dos pilares que fundamenta a função pública, que encontra-se muito carente de capacitação profissional e humanização de caráter.

Quer um exemplo? Peça a um anônimo para comparecer ao setor de Polícia Técnica em João Monlevade (Rua Louis Ensch, 266 - Bairro Alvorada) com uma questão totalmente estranha ao nosso ramo de atuação principal. Peça para que ele procure um dos Peritos Criminais que lá trabalham (quando não estão nas ruas) e depois apure os resultados. Não faça isso agora, para não parecer que nos preparamos para a ocasião. Faça daqui a dois meses, ou seis meses, ou um ano.

Não é difícil tratar as pessoas com carinho, respeito e sinceridade. É gostoso e gratifica, porque faz valer o momento em que os funcionários públicos, universalmente, adoram estar: o de correr para o banco e sacar o salário.

Não se trata aqui de exigir de ninguém que se humilhe. Somos funcionários do povo, é certo, sem sermos gado do povo. Aceitar que qualquer um tripudie de nossa cidadania é nos diminuir enquanto cidadãos, e isso não é exigido por qualquer lei ou regulamento, até porque feriria a Constituição Federal do Brasil.

Trata-se, principalmente, de saber ser solidário com quem está fragilizado de alguma forma, e precisando que justifiquemos nosso dinheiro, que vem dos impostos pagos por ele. Porque ele paga impostos, direta e indiretamente.

O fim da estabilidade pétrea para funcionários públicos não virá. Portanto, a raiz do problema é difícil de ser extirpada. Mas o servidor que se lembrar de sua própria humanidade terá vivido com mais honra e mais satisfação, e terá contribuído para a construção de uma sociedade melhor, um país melhor. Não é, definitivamente, pouco.

A agenda oculta? Lembre-se de como você foi tratado em cada repartição pública a que compareceu. Lembre-se do que sentiu após ser atendido (se é que foi atendido) e saberá como atender a quem te procura. É simples assim.

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