O policial militar Vitor Renato Murta foi condenado por homicídio duplamente qualificado na noite de ontem, 8. A pena é de 12 anos de reclusão em regime fechado pelo assassinato do mecânico Marcelo Gomes Pereira, o Boca, ocorrido em 27 de agosto de 2006, em João Monlevade.
A sentença foi proferida pelo Juiz Carlos Henrique Perpétuo Braga durante o julgamento realizado no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte. A defesa está recorrendo na tentativa de reduzir a pena.
A sentença foi proferida pelo Juiz Carlos Henrique Perpétuo Braga durante o julgamento realizado no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte. A defesa está recorrendo na tentativa de reduzir a pena.
Matéria completa: JORNAL BOM DIA
Vítor Murta é uma exceção. Nessa hora, é muito fácil julgar a classe inteira de policiais, de todas as corporações, pelos atos de um homem só. Também é muito fácil eximir-se de pensar que Vítor Murta possa ter tido razões, ainda que as mais equivocadas possíveis, para cometer o ato em si.
O julgamento do policial aconteceu e o ele foi condenado. Portanto, o regime democrático e de respeito às leis nos obriga a aceitar que ele foi responsabilizado pela sociedade, da forma como nossa legislação determina. Acabou a discussão sobre sua inocência, já que não foi reconhecida.
A família do mecânico Boca precisa, agora, é de paz interior para continuar caminhando. Mal ou bem, a justiça que se espera dos homens foi feita. O que me preocupa é o linchamento moral que, nestas horas, tende a ficar muito forte no meio da sociedade que nos abriga a todos.
Policiais são homens e mulheres como todos os outros. São falhos e imperfeitos como todos os outros. Mas são dignos também, como todos os outros. Porque a única medida que importa é a individual: se sou mal atendido por um pedreiro, não devo afirmar que todos são trastes. Se sou desprezado por uma recepcionista, não posso dizer que são todas desprezíveis.
O raciocínio se estende aos médicos, arquitetos, padeiros, motoristas e o escambau.
Hora de caminhar para a frente, com esperança de que tragédias como essa não se repitam em nossa sociedade. Mas também é hora de refletir sobre como todos nós, sem exceções, somos finitos em nossa pequeneza diária.
O que nos define, no fim de uma existência inteira, é como nos esforçamos até a alma para que fôssemos grandes em vida. Essa esperança e essa vontade ninguém deve matar, nunca, em si mesmo ou nos outros humanos.
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